Para: japonês bêbado que invadiu o balcão de sushi
O craiglist está com um texto legal dedicado ao cara que xingou o público mal-educado de um balé. Isso me lembrou um episódio recente em meu hobby de exploração de restaurantes.
O craiglist está com um texto legal dedicado ao cara que xingou o público mal-educado de um balé. Isso me lembrou um episódio recente em meu hobby de exploração de restaurantes.
Quando abri mão de ir trabalhar no Google europeu, todos os meus colegas computeiros me amaldiçoaram até os ossos. O Google é tipo o melhor lugar pra trabalhar, ponto. E numa espécie de castigo cósmico, desde quando decidi vir pra São Paulo estudar Letras minha vida profissional tem sido um fracasso completo. Tive umas cinco propostas recusadas uma atrás da outra, inclusive o Google São Paulo — que só mandou um email automático — e a Red Hat — que não mandou nem um email automático.
Uma parte chata do estilo de vida nômade é carregar mudança. Eu tenho poucas coisas, não uso móveis, minimizo minha biblioteca doando os livros que não vou ler mais e deixo tudo empacotado permanentemente, mas mesmo assim é chato. O problema é pior quando você é tão anti-automóveis como eu sou, e mais ainda se o transporte público disponível é o de São Paulo.
Tenho algumas superstições. Nunca ouço “Riders on the Storm” se não estiver chovendo; nunca ouço “Summer is Almost Gone” exceto em finais de verão. Não como comida pesada antes de provas. Não leio os beats sem ser em voz alta. E não leio os beats traduzidos.
Assim, assisti Naked Lunch mas nunca li, porque nunca achei nada do Burroughs no original. Até o dia da Virada Cultural, fim de semana passado. Encontrei-o plastificado (blasfêmia!) no underground da Parada Paulista. “Moça, estou com um problema”, falei. Ela me olhou com uma cara preocupada. “Este livro, sabe, ele quer muito vir para casa comigo, mas eu tenho não mais que quatro notas de dez reais na carteira”. Ela aceitou. Sempre aceitam. E a Virada deixou de ser o tédio deprimente que teria sido: passei a noite pelos cantos escuros da República, sem uma moeda sequer, recitando Nova Express pra mim mesmo, e feliz.
* * *
Alguém pediu notícias? Não consegui a bolsa do departamento de Física; continuo preso no inferninho da iniciativa privada, por tempo indeterminado. Não consegui vaga na empresa que aceitava turno de seis horas (no fim eles queriam alguém pra Java, e vocês sabem minha opinião sobre Java). E continuo sem computador, portanto sem poder trabalhar nos blogs como gostaria.
* * *
Finalmente fez um pouco de frio. Não é frio de verdade ainda, mas aliviou um pouco. Deu pra usar meu sobretudo. Esses dias ando cheio de ternura tátil por meu velho sobretudo verde bielorusso. Como esqueci o saco de dormir por aí, tenho usado o sobretudo como coberta, e antes do frio aparecer cheguei até a sonhar que o vestia. Será que a história toda do simbionte me influenciou? Pensando bem, sempre fui apegado a cobertores… hmm…
O calor daqui é pior que o de Manaus, porque é poluído, denso, como uma estufa — na verdade, é uma estufa. O friozinho prenuncia inversão térmica, mas de qualquer forma me deixa de bom humor. Small fucking favors.
* * *
Falando em Naked Lunch: não pensei que sentiria tanta falta da Joaninha, minha Hermes portátil vermelha. Estava esperando ter uma casa de verdade antes de ir buscá-la, mas não aparece nada…
Spider-man 3 é um bom filme. Muita gente criticou o Emo Parker, mas o jeito que o filme explorou a idéia não ficou forçado (a cena da franjinha mostra o humor de uma decisão consciente). Ele nem ficou tão emo assim também; está mais para a figura clássica de “cara bonzinho que vira drogado, torna-se agressivo e passa a se vestir de preto”.
Outros reclamaram que há personagens demais. Não achei. As adaptações de X-men têm personagens demais. O Spider-man 3 está bem medido e todos os personagens tiveram seu espaço.
Menos um.