Ao contrário do que pensei, as reposições de aulas da greve não serão durante julho. A decisão final ficou por unidade, e a acreditar nos boatos, Letras deve optar por repor de agosto até setembro. Em outras palavras, eu teria que ficar em São Paulo até setembro para concluir um semestre e poder tentar trancar matrícula (— um semestre ainda não dá o mínimo necessário de créditos). Em outras palavras, vou largar o curso.
É como dizem, coisas ruins vêm em grupo. Minha vida na cidade grande tem sido um desastre atrás do outro.
leoboiko @
18:03:17
Slashdot comment of the day:
by N7DR (536428) on Saturday June 23, @12:00PM (#19619845)
I tell you, I am highly ticked off that, at least where I live, there’s no way to get a broadband ISP who promises to deliver one thing: a pipe. That’s all I want: a pipe. I can’t be alone. Just give me a pipe and leave me to use it the way I want to. Don’t filter my e-mail. Don’t redirect my DNS queries. Don’t disallow traffic to/from ports. Don’t block pings. Just give me a pipe. What’s so hard about that? Good grief, if you want to, you can even charge me extra.
leoboiko @
17:58:06
Por razões sobrenaturais, estou rejogando alguns Final Fantasies e o
Metroid Zero (em inglês mesmo), além do Torkeko’s Fushigi Dungeon 2
(uma das séries de roguelikes gráficos japoneses, baseada em Dragon
Quest). Isso me deixou pensando em algo que gostaria de ver mais em
jogos: vida artificial. Simulações. Um ecossistema simples, um
sistema econômico simples para as lojas, um sistema de clima… (more…)
leoboiko @
15:59:46
Esta foi ao acordar, e não ao dormir como de costume. Sonhei que alguém estava deitado comigo à minha direita e queria me beijar. Eu não queria aceitar sem saber quem era. Acordei em paralisia, queria me virar pra ver a pessoa e não conseguia. Mas só do lado direito; experimentei dobrar a perna esquerda e não tive problemas. A presença ao meu lado era opressora.
Quando enfim acordei de verdade, já tinha me tocado que a idéia de que alguém estava ao meu lado era absurda. Só então notei que estava em téta o tempo todo e não tinha mexido a perna esquerda de verdade, apenas imaginado que tinha. (Não é a primeira vez que acontece: uma vez levantei da cama, passei pelos meus pais assistindo Fantástico, tomei água, voltei, deitei, e então descobri que tinha imaginado/sonhado a coisa toda. Pelo que li a respeito de paralisia do sono, essa confusão é comum.)
leoboiko @
14:34:38
Gerente de projeto: Mas o que falta pra você fazer isso?
Estagiário: Er, começar?
Gerente: Quanto tempo você estima?
Estagiário: Não sei! Como vou saber? Nunca fiz isso antes!
Eu: Vai se acostumando.
Silêncio.
Eu: Nossa área é assim mesmo. Todo projeto é novo, e nunca é possível dar uma estimativa real. Você vai passar a vida chutando prazos, e se matando para cumprí-los depois. A idéia toda de deadlines foi importada artificialmente de outros ramos, e não funciona para coisas criativas como programação.
Técnicos, simpatizando: É, meu, chuta! É assim mesmo! Você não comprou sua bola de cristal ainda?
Gerente: Claro, nunca dá pra prever os acidentes…
Eu: Não, o buraco é mais embaixo. São sistemas complexos demais, caóticos, imprevisíveis e não-mensuráveis mesmo, ainda que não aconteça nenhum acidente.
Silêncio desconfortável.
(more…)
leoboiko @
17:05:28
Não faço a barba há uma semana. Estou em modo pijamão, usando a mesma
roupa por vários dias, sem me pentear, sem cortar as unhas. Esconder-me
atrás de minha pelagem é estranhamente reconfortante.
Amanhã é dia de chá, e eu simplesmente não posso ir numa aula de chá
nesse estado. Vou ter que limpar a cara, lavar os cabelos, vestir uma
camisa socialzinha. Sinto-me literalmente com medo de fazer a barba,
como se fosse ficar exposto. Minha aparência vai discordar incomodamente
de meu interior, mas se quero ir ao treino não tenho
escolha. Ah, as pequenas violências do dia-a-dia.
leoboiko @
14:36:06
Desde a pré-adolescência sofro de paralisia do
sono da variedade que te pega antes de dormir, acompanhada de
alucinações visuais e auditivas. (more…)
leoboiko @
14:12:03
Parece que há uma certa confusão a respeito do porquê de minha decisão
de deixar São Paulo. Não é a falta de dinheiro em si, e sim o fato de
que a falta de dinheiro não me deixa estudar. Numa cidade como esta
não é difícil conseguir um emprego que pague bem; este em que estou
pagava mais que o bastante antes de eu cortar o turno pela metade. O
problema é conseguir um emprego que pague o suficiente e não
atrapalhe a faculdade.
(more…)
leoboiko @
18:25:40
O ceticismo também foi meio que uma escolha estética. Em geral, acho a verdade mais bonita que bobagens. A verdadeira vastidão do universo, as maravilhas reais dos seres vivos são incalculavelmente mais fascinantes que os melhores contos dos charlatães e vendilhões. Os escritores que divulgam o irracional e o sobrenatural tendem a ser maus escritores, seu estilo tão ruim quanto o conteúdo. Além do quê, tenho antipatia pessoal por místicos, que tendem a ser fraudes, mentirosos ou hipócritas. Logo que desenvolvi meus próprios gostos artísticos, vi-me contra eles.
É bom ver alguém sendo franco, pra variar. Se cada ética carrega uma estética, são pelas estéticas que escolhemos. Todos os defensores de “medicina alternativa”, por exemplo, estão rejeitando antes a frieza desinteressada da medicina real que seus métodos (— um misterioso mestre acupunturista ou uma sábia avó com suas ervas são imagens muito mais agradáveis que o médico estressado do SUS que mal tem tempo de olhar para sua cara). Eu mesmo só aprendi a gostar de ciência quando descobri quanta beleza tem lá dentro.
(Por Stephen Bond; o link é um bônus meu.)
leoboiko @
17:43:23
Quando comecei a escrever isto, quis imitar os ensaios do Paul
Graham e encontrar sinais sutis & interessantes que você não vai
gostar de seu emprego. Eu ia pegar o texto da
Renata
e discutir ponto por ponto como a minha muito-em-breve ex-empresa não
passa no teste, mas aí eu me toquei que tinha um baita sinal óbvio na
minha cara o tempo todo: todo mundo bom está saindo. Mal eu entrei e
o L.(1) caiu fora. Em seguida saíram o L.(2) e o A., reduzindo a
equipe Linux à metade. No dia a dia, vejo as regras progressivamente draconianas alienarem todos, linuxeiros ou não.
A empresa só perde com isso. O L.(1) mostrou muito serviço antes
de começar a procrastinar por estar infeliz. O L.(2) era um DBA que
sabe do que está falando, algo raro de se encontrar nessa idade
das trevas e que deveria ser preservado com unhas e dentes. O
A. estuda Haskell por diversão: ficamos com os programadores Java e
perdemos os de Haskell (-_-). E, pelos boatos que ouvi, há uma
quantidade não trivial de pessoas esperando pra sair na primeira
oportunidade.
Se todos os caras bons estão pulando fora da empresa, é
sinal que o ambiente de trabalho é ruim. *senta e espera os louros
de seu profundo insight intelectual*
leoboiko @
19:02:56
Mas já, Boiko? Você prometeu que ia agüentar três anos e não durou nem
um semestre? Eu sei, fraqueza, covardia, mas não dá mais. Estou me
assumindo como fraco & covarde mesmo (não conseguir dormir com a luz
apagada meio que acaba com sua auto-imagem). Tenho
pesadelos com contas pra pagar, chefes tirânicos e
lamentos de livros não lidos. Nunca estive tão mal em toda a
minha vida, o que não é pouco.
Arrego! Vou (tentar) trancar matrícula, voltar pro mundo civilizado, e
direcionar melhor minha carreira (além de juntar um pédemeia). “Mas
você não disse que se encontrou em seu curso?” Pois é. “Mas você não
disse que é importante avançar logo, para conseguir a bolsa do
monbushō no limite de idade?” Pois é. “Mas Hayashi-sensei não tinha
te aceito como discípulo de chá?” Pois é. Só que em seis meses eu não achei um emprego legal, estou sem grana pra essas coisas sérias de gente grande, não consegui onde morar, não tenho perspectiva de poder pagar aluguel, não consegui dar a atenção que queria ao curso, e minha vida pessoal sumiu. Dinheiro pode não ser importante, mas é; São Paulo 1, eu 0. Vamos aos anúncios comerciais e retomaremos a luta mais tarde.
leoboiko @
16:39:40