2007-06-29

keeps right on rainin’, more and more

Ao contrário do que pensei, as reposições de aulas da greve não serão durante julho. A decisão final ficou por unidade, e a acreditar nos boatos, Letras deve optar por repor de agosto até setembro. Em outras palavras, eu teria que ficar em São Paulo até setembro para concluir um semestre e poder tentar trancar matrícula (— um semestre ainda não dá o mínimo necessário de créditos). Em outras palavras, vou largar o curso.

É como dizem, coisas ruins vêm em grupo. Minha vida na cidade grande tem sido um desastre atrás do outro.

2007-06-19

Jogos, simulações, computadores, vida

Por razões sobrenaturais, estou rejogando alguns Final Fantasies e o Metroid Zero (em inglês mesmo), além do Torkeko’s Fushigi Dungeon 2 (uma das séries de roguelikes gráficos japoneses, baseada em Dragon Quest). Isso me deixou pensando em algo que gostaria de ver mais em jogos: vida artificial. Simulações. Um ecossistema simples, um sistema econômico simples para as lojas, um sistema de clima… (more…)

Alucinação #5

Esta foi ao acordar, e não ao dormir como de costume. Sonhei que alguém estava deitado comigo à minha direita e queria me beijar. Eu não queria aceitar sem saber quem era. Acordei em paralisia, queria me virar pra ver a pessoa e não conseguia. Mas só do lado direito; experimentei dobrar a perna esquerda e não tive problemas. A presença ao meu lado era opressora.

Quando enfim acordei de verdade, já tinha me tocado que a idéia de que alguém estava ao meu lado era absurda. Só então notei que estava em téta o tempo todo e não tinha mexido a perna esquerda de verdade, apenas imaginado que tinha. (Não é a primeira vez que acontece: uma vez levantei da cama, passei pelos meus pais assistindo Fantástico, tomei água, voltei, deitei, e então descobri que tinha imaginado/sonhado a coisa toda. Pelo que li a respeito de paralisia do sono, essa confusão é comum.)

2007-06-15

Deadlines

Gerente de projeto: Mas o que falta pra você fazer isso?
Estagiário: Er, começar?
Gerente: Quanto tempo você estima?
Estagiário: Não sei! Como vou saber? Nunca fiz isso antes!
Eu: Vai se acostumando.
  Silêncio.
Eu: Nossa área é assim mesmo. Todo projeto é novo, e nunca é possível dar uma estimativa real. Você vai passar a vida chutando prazos, e se matando para cumprí-los depois. A idéia toda de deadlines foi importada artificialmente de outros ramos, e não funciona para coisas criativas como programação.
Técnicos, simpatizando: É, meu, chuta! É assim mesmo! Você não comprou sua bola de cristal ainda?
Gerente: Claro, nunca dá pra prever os acidentes…
Eu: Não, o buraco é mais embaixo. São sistemas complexos demais, caóticos, imprevisíveis e não-mensuráveis mesmo, ainda que não aconteça nenhum acidente.
  Silêncio desconfortável. (more…)

A violência de fazer a barba

Não faço a barba há uma semana. Estou em modo pijamão, usando a mesma roupa por vários dias, sem me pentear, sem cortar as unhas. Esconder-me atrás de minha pelagem é estranhamente reconfortante.

Amanhã é dia de chá, e eu simplesmente não posso ir numa aula de chá nesse estado. Vou ter que limpar a cara, lavar os cabelos, vestir uma camisa socialzinha. Sinto-me literalmente com medo de fazer a barba, como se fosse ficar exposto. Minha aparência vai discordar incomodamente de meu interior, mas se quero ir ao treino não tenho escolha. Ah, as pequenas violências do dia-a-dia.

Alucinações #1–#4

Desde a pré-adolescência sofro de paralisia do sono da variedade que te pega antes de dormir, acompanhada de alucinações visuais e auditivas. (more…)

2007-06-14

Desistindo: os comentários da audiência

Parece que há uma certa confusão a respeito do porquê de minha decisão de deixar São Paulo. Não é a falta de dinheiro em si, e sim o fato de que a falta de dinheiro não me deixa estudar. Numa cidade como esta não é difícil conseguir um emprego que pague bem; este em que estou pagava mais que o bastante antes de eu cortar o turno pela metade. O problema é conseguir um emprego que pague o suficiente e não atrapalhe a faculdade.

(more…)

2007-06-13

O ceticismo também foi meio que uma escolha estética. Em geral, acho a verdade mais bonita que bobagens. A verdadeira vastidão do universo, as maravilhas reais dos seres vivos são incalculavelmente mais fascinantes que os melhores contos dos charlatães e vendilhões. Os escritores que divulgam o irracional e o sobrenatural tendem a ser maus escritores, seu estilo tão ruim quanto o conteúdo. Além do quê, tenho antipatia pessoal por místicos, que tendem a ser fraudes, mentirosos ou hipócritas. Logo que desenvolvi meus próprios gostos artísticos, vi-me contra eles.

É bom ver alguém sendo franco, pra variar. Se cada ética carrega uma estética, são pelas estéticas que escolhemos. Todos os defensores de “medicina alternativa”, por exemplo, estão rejeitando antes a frieza desinteressada da medicina real que seus métodos (— um misterioso mestre acupunturista ou uma sábia avó com suas ervas são imagens muito mais agradáveis que o médico estressado do SUS que mal tem tempo de olhar para sua cara). Eu mesmo só aprendi a gostar de ciência quando descobri quanta beleza tem lá dentro.

(Por Stephen Bond; o link é um bônus meu.)

2007-06-11

Um sinal óbvio que você vai odiar seu emprego

Quando comecei a escrever isto, quis imitar os ensaios do Paul Graham e encontrar sinais sutis & interessantes que você não vai gostar de seu emprego. Eu ia pegar o texto da Renata e discutir ponto por ponto como a minha muito-em-breve ex-empresa não passa no teste, mas aí eu me toquei que tinha um baita sinal óbvio na minha cara o tempo todo: todo mundo bom está saindo. Mal eu entrei e o L.(1) caiu fora. Em seguida saíram o L.(2) e o A., reduzindo a equipe Linux à metade. No dia a dia, vejo as regras progressivamente draconianas alienarem todos, linuxeiros ou não.

A empresa só perde com isso. O L.(1) mostrou muito serviço antes de começar a procrastinar por estar infeliz. O L.(2) era um DBA que sabe do que está falando, algo raro de se encontrar nessa idade das trevas e que deveria ser preservado com unhas e dentes. O A. estuda Haskell por diversão: ficamos com os programadores Java e perdemos os de Haskell (-_-). E, pelos boatos que ouvi, há uma quantidade não trivial de pessoas esperando pra sair na primeira oportunidade.

Se todos os caras bons estão pulando fora da empresa, é sinal que o ambiente de trabalho é ruim. *senta e espera os louros de seu profundo insight intelectual*

Desistindo

Mas já, Boiko? Você prometeu que ia agüentar três anos e não durou nem um semestre? Eu sei, fraqueza, covardia, mas não dá mais. Estou me assumindo como fraco & covarde mesmo (não conseguir dormir com a luz apagada meio que acaba com sua auto-imagem). Tenho pesadelos com contas pra pagar, chefes tirânicos e lamentos de livros não lidos. Nunca estive tão mal em toda a minha vida, o que não é pouco.

Arrego! Vou (tentar) trancar matrícula, voltar pro mundo civilizado, e direcionar melhor minha carreira (além de juntar um pédemeia). “Mas você não disse que se encontrou em seu curso?” Pois é. “Mas você não disse que é importante avançar logo, para conseguir a bolsa do monbushō no limite de idade?” Pois é. “Mas Hayashi-sensei não tinha te aceito como discípulo de chá?” Pois é. Só que em seis meses eu não achei um emprego legal, estou sem grana pra essas coisas sérias de gente grande, não consegui onde morar, não tenho perspectiva de poder pagar aluguel, não consegui dar a atenção que queria ao curso, e minha vida pessoal sumiu. Dinheiro pode não ser importante, mas é; São Paulo 1, eu 0. Vamos aos anúncios comerciais e retomaremos a luta mais tarde.