2007-07-20

Hipocrisia na morte

Painho mórreu, e as manchetes que vejo no news.google.com.br neste exato momento são:

  • “Políticos lamentam a morte de ACM”
  • “ACM abria oportunidades a jovens políticos”
  • “ACM defendia suas visões com paixão”
  • “Não se pode entender a política brasileira sem pensar em ACM”
  • “ACM faz parte da história do país”

Pelos capetas do inferno, mas que bando de hipócritas nojentos do cacete! Não dá pra ser sincero uma vez na vida? Como diz a desciclopédia, ACM morreu, antes ele do que eu! Já vai tarde! Só porque o senhor feudal sangüinário morreu virou santo, agora?

Deixa eu ilustrar um ponto aqui. Invoco o poder de Godwin:

  • “Hitler abria oportunidades a jovens políticos”
  • “Hitler defendia suas visões com paixão”
  • “Não se pode entender a política alemã sem pensar em Hitler”
  • “Hitler faz parte da história da Alemanha”

Até gente que eu mais ou menos respeitava entrou nessa:

  • “Lobão caracteriza senador como ‘um dos amores do País’”
  • “Gostaria de estar presente ao enterro do grande congressista e ser humano corretíssimo que era Antônio Carlos Magalhães — disse Gabeira”

Taquiopariu, viu.

Post bônus: instruções para meus inimigos depois que eu morrer

Eu já morri? Você me odiava? Ótimo! Seja corajoso e mostre seu ódio ao mundo! Aqui, eu preparei algumas declarações para a imprensa caso você esteja com preguiça de pensar:

  • Um destruidor de lares, péssimo exemplo para os jovens. O autor de [livro meu] e [outro livro meu] não vai fazer falta.
  • Era um egoísta insensível. Como pôde fazer tudo aquilo só por um punhado de revistas em quadrinhos?
  • O Boiko era uma bicha metida, nunca suportei ele.

2007-07-19

Duzentos quadrinhos ruins

Duzentos quadrinhos ruins. Oba, adoro coisas ruins! Especialmente quando incluem fanfiction de Shaman King.

(Via Dinosaur Comics.)

Nacional-ateu

Disse a mim mesmo que não escreveria nenhum post relacionado ao tal acidente de avião em Congonhas, mas não deu pra segurar:

Vários conhecidos meus têm falado coisas como “olha só como brasileiros são incompetentes, tenho vergonha de ser brasileiro”. Outros, “apesar de tudo, amo meu país e tenho orgulho dele”. Parece que sou o único nacional-ateu aqui?

Eu não tenho orgulho de ser brasileiro. Não tenho vergonha de ser brasileiro, também. Na verdade, estou pouco me lixando para o fato de ser brasileiro, ou de forma geral para o de que qualquer pessoa X seja da nacionalidade Y. (more…)

2007-07-16

OH HAI I HAS A FEMINIZM NOW

Sempre tive um desinteresse polido por feminismo. Não que eu seja crítico, longe de mim, pessoas como eu devem muito à contracultura toda e a liberação feminina foi parte importante disso — as feministas não livraram só as mulheres do pesadelo que era o casamento tradicional, livraram nós também. Mas, com tanta coisa pra ler, dou preferência ao que me diz respeito mais diretamente; e, se for pra escolher entre “Gênero e Identidade Cultural no Romance Modernista” ou “Origem e Desenvolvimento do Mangá Yaoi”, acabo lendo “Origem e Desenvolvimento do Mangá Yaoi”.

(Sim, isso é o título de um artigo real, aqui da USP. Uma boa ilustração de por que eu queria migrar pra esta área.)

(more…)

Quadrinhos para comemorar minha última semana de trabalho & penúltima em sampa & meu completo fracasso em ser um estudante de Letras

Clique para ler.

yay.

2007-07-14

Uma questão de perspectiva

O blogueiro A postou isso como “frase do dia”:

Podemos provar nossa fé pelo compromisso que temos para com ela, e não de outra forma. Toda crença que não se impõe sobre aquele que a detém não é uma crença real — é uma pseudocrença.

O blogueiro B replicou, chamando-a “frase fraquinha do dia”:

Em outras palavras “não questione aquilo no que foste indocrinado desde criança, pois se o fizer, a sua crença será uma pseudocrença e não uma crença, e não queremos isso, não é?” De onde esses caras tiram essas coisas? Mumbojumbo sem o menor sentido…

Tréplica de A:

Meus temores [sobre analfabetismo funcional] se tornaram concretos e materializaram-se numa incrível interpretação de uma frase [...] Se bem que eventualmente eu e as outras dezenas de pessoas que leram a frase e entenderam que “a crença que não faz diferença no teu dia-a-dia, no teu modo de viver, agir e reagir, é uma pseudocrença” podemos estar errados :)

Foi um debatinho amigável entre conhecidos, mas como entrei de gaiato (do lado de B, obviamente), acho que fui chamado de analfabeto funcional por tabela. Wee! Talvez eu deva mesmo desistir de ser escritor, afinal. Demonstrando familiaridade com os resultados de todas as pesquisas lingüísticas, A atribui o analfabetismo funcional àquele “jeito esquisito de escrever no Orkut ou mesmo a sofrível escrita da gurizada no MSN e blogs/flogs”. Como sou eu próprio um grande adepto de tais escritas sofríveis, devo ter arruinado minha compreensão de texto sem notar. im in ur blogs murdering ur language lolz!!

Vaidade ferida à parte, eu não quero interromper a discussão, mas caras, as interpretações de vocês são a mesma. (more…)

2007-07-13

Quanto mais a vida real é uma droga, mais eu me refugio na ficção. Eu reclamo dos religiosos, mas no fundo sou igual a eles. Bem, quase; pelo menos eu sei que meu mundo de escapismo é de mentirinha.

Fruits Basket enfim terminou. Vou sentir falta dele, me sinto como se perdesse um grande amigo. Furuba fala comigo de uma forma muito forte, muito direta… (more…)

2007-07-11

O culto do cara grande e burro

Parece que as pessoas idolatram caras grandes e burros.

* * *

Considere Conan, o Bárbaro. A própria palavra “bárbaro” virou sinônimo para grande e burro, mas não foi assim que o R. E. Howard imaginou seu personagem. Conan é muito esperto; de fato ele é descrito não só como guerreiro mas como um ladrão matreiro, freqüentemente derrotando seres mais poderosos usando de artimanhas. Ele não é só esperto, mas inteligente também — um estrategista militar capaz de subir ao cobiçado trono da Aquilônia e de mantê-lo seguro de reinos inimigos e assassinos durante décadas. E ele não só é esperto e inteligente mas culto, sabendo ler e escrever numa era em que quase todos são iletrados — conhecedor até de línguas mortas, arqueólogo, decifrador de alfabetos perdidos e culturas esquecidas.

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2007-07-10

Momentos insólitos

Estava passeando pela Paulista quando notei uma pequena comoção na calçada, em volta de um titereiro — eu já tinha visto ele antes e não era nada espetacular, mas o número que estava apresentando daquela vez era realmente bom: capoeira. Os bonequinhos de pano rodopiavam na música de um radinho — dois negões idênticos, musculosos, cabelo rastafari, calça de pano branca, descalços e sem camisa — braços soltos, sem fios, girando junto com os golpes, exatamente como os de um capoeirista real. Parei pra olhar também, pois estava bem convincente. De repente senti uma presença ao meu lado e era um negão — musculoso, cabelo rastafari, calça de capoeira branca, descalço e sem camisa — sorrindo divertido. Pouco a pouco todos começaram a olhar pro cara, que deu um passo à frente e jogou umas moedas. A expressão do titereiro foi impagável.