2007-09-26

Lótus de papelão

Há um país em que tudo é tédio. A lua brilha pálida no azul-claro do ocaso, sobre sonhos que secaram no sol. Aqui, eu só quero deitar e dormir.

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2007-09-08

As Sentinelas

Meu mecha é leve, pouco maior que um carro, mas é rápido na pista e o projeto que estou fazendo é legal: vou atrás de carros que parecem feios ou risíveis e fotografo a mim mesmo fazendo poses engraçadas perto deles. Meio como aquelas seções “certo & errado” de revista de moda, mas com veículos e robôs. Lembro dos meus amigos lá na cidade e penso que eles vão dar risada disso.

Estou perseguindo uma kombi cheia de adesivos machistas quando de súbito a oportunidade se apresenta ao fotógrafo: o asfalto é tomado pela sombra de um mecha gigante, modelo novo 100% automático, todo vermelho-escuro. Só o pé dele é maior que a kombi. Pulo da estrada para o mato e busco um ângulo a favor da luz, pensando em ir pegando o rastro de destruição, mas o mecha me nota e se vira para mim numa atitude hostil. Poucas coisas são tão assustadoras quanto um mecha gigante te olhando numa atitude hostil, mas eu recupero a compostura; sem problemas, ele está achando que sou inimigo, tudo o que tenho que fazer é me declarar não-combatente e ele vai me ignorar — mando o sinal de “imprensa” enquanto ergo os braços — ele prontamente pisa em cima.

Meu mecha resiste por alguns segundos mas sou obrigado a abandoná-lo (↓+CD) antes que vire uma chapa de metal amassado. Pelo menos estou salvo, já que modelos automáticos nunca atacam humanos — na teoria, porque o bichão me ataca em seguida! Tem alguma coisa muito errada. Perto do barranco onde estamos tem alguns outdoors; eu corro na frente deles enquanto o robô atira, desenhando uma linha de buracos de bala sobre a mulher sorridente dos anúncios, e deixando assim um registro do que aconteceu — caso eu morra, espero que pelo menos alguém descubra isso e investigue. Sem outra opção, corro para o único lugar onde um humano está a salvo de um mecha — perto de seu corpo — e começo a escalar até a cabeça. É uma tarefa colossal, mas finalmente chego. Ele me nota quando alcanço a entrada (na área que seria o nariz), mas é sofisticado o bastante para não atacar a si mesmo — o que significa que deve ter defesas internas, o que significa que tenho que me apressar. Entro e acho um terminal de acesso — a interface é toda em HTML — e começo a procurar uma forma de desativá-lo, mas tem algo errado, e mesmo arriscando minha vida acabo fuçando a documentação, e descubro por que fui atacado:

Esta linha está programada para identificar e destruir desempregados, boas-vidas, vagabundos, e em geral qualquer indivíduo improdutivo para a Família, a Sociedade e a Nação.

É um Corporate Sentinel.

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