last love song
O Natal passou sem que eu notasse; os cristãos estragaram completamente o solstício para mim, e não dou muita bola pra ele. Mas o ano-novo deve ser um dos últimos festivais que ainda têm força. Eu também, como tanta gente nesta época, queria poder apertar o reset e começar de novo, mas não dá.
Sempre preguei as virtudes do amor livre e aberto — o mundo tem muito pouco amor, e mais um pouquinho mal não faz. Só este ano que fui entender o quanto dói amar e não ser amado, o quão perigoso pode ser isso de gostar de alguém. Quando enfim me toquei que estava sonhando sozinho e que ela simplesmente não estava interessada em mim, meu mundo despedaçou. Dizem que o tempo cura tudo, mas à medida que o ano-novo foi chegando, fui entendendo que esta dor não vai passar enquanto eu viver, porque tem um milhão de coisinhas que me fazem lembrar dela e mais um milhão de projetos que eu queria mostrar pra ela e fazer com ela etc. Pelo menos não sinto mais aquela solidão de desespero, aquele vazio de saber que você encontrou a pessoa dos seus sonhos mas não era bom o bastante pra ela — suponho que eu possa viver com esta dorzinha remanescente, que não é diferente afinal da melancolia de toda-vida. De certa forma eu até gosto, porque é o que ficou dela pra mim—
É o meu troféu, é o que restou
é o que me aquece sem me dar calor
Se eu não tenho o meu amor
eu tenho a minha dor
Este ano tão ruim passou e o mundo continua lá, tão aleatório, sem sentido e ignorante de nossos problemas como sempre. Até mais, minha moça fair folk: você trouxe cor para meus dias, mas agora tenho que aprender a viver sem você.