2008-01-21

Cultura japonesa em Belo Horizonte?

Estou montando um mapa no Google Maps com tudo o que pude encontrar relacionado à cultura japonesa em Belo Horizonte — restaurantes, mercearias, cursos de língua, cultura pop, grupos religiosos. O mapa é aberto e colaboradores são bem-vindos.

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2008-01-18

The Depression Hall of Flames

Meu diário teve um longo hiato em 2007, coincidindo com a pior parte de minha depressão. Quando você está deprimido você não tem vontade de escrever, muito menos de se comunicar ou buscar ajuda. Foi só depois que eu saí de São Paulo, voltei pra minha família e comecei o tratamento psiquiátrico que comecei a encontrar forças para atualizar isto aqui.

Originalmente, meu objetivo com o diário era contar sobre os lugares que viesse a conhecer, talvez escrever reviews de coisas que gosto, e contar fatos de minha vida pessoal para os amigos. Mas agora eu não consigo mais me entusiasmar com cidades, livros ou videogames, e minha vida pessoal basicamente morreu. Uma vez que meus pensamentos estão todos tomados por 1) depressão e 2) tentar sair da depressão, é natural que dedique os posts para esse assunto.

Tenho dois motivos para escrever sobre o tema. O primeiro é que pode ser útil para outras pessoas que passam pelo que eu passei. Depressão é o inferno em vida, ninguém deveria ter que enfrentar isso sozinho. O índice de suicídio entre deprimidos é cerca de 20 vezes maior do que o de pessoas saudáveis[1]. É um clichê que “admitir que você precisa de ajuda é o primeiro passo” para a recuperação de doenças mentais, mas é muito difícil se importar com isso quando você quer se matar. Por isso, considero extremamente importante divulgar mais sobre depressão. Quando você descobre que tem outras pessoas que passam pelo que você passa, que existe literatura médica a respeito e tratamentos que funcionam… é como poder respirar de novo, você deixa de se ver como um fracasso vergonhoso e começa a ter um suave comichão de esperança. Eu quero que mais pessoas com depressão tenham esse momento de iluminação, portanto quanto mais informação a respeito na rede, melhor.

O segundo motivo, e o mais importante, é simplesmente que eu me sinto melhor escrevendo. Somos animais sociais, é parte de nossa natureza querer falar sobre nossos problemas. Existe até pesquisa indicando que relatar dificuldades pessoais melhora a resposta do sistema imunológico, e guardá-las para si piora[2].

Infelizmente, numa sociedade consumista e competitiva, o preconceito contra nós, those who fail at life, é muito grande. Não se pode falar sobre depressão na Internet sem que apareça a Polícia do Pensamento Macho, violentando-nos emocionalmente por ousarmos querer lidar com nossos sentimentos ao invés de sufocá-los estoicamente como homens de verdade. Somos acusados de chorões, emos, piás de prédio que não sabem o que é lutar pela sobrevivência… segundo esses especialistas em aflições psicológicas, o buraco em nosso peito que está sempre pronto a crescer e devorar nossas vidas não passa de dor falsa, fingida, exagerada para chamar a atenção.

Não entendo por que existem seres humanos que gostam tanto de causar sofrimento nos outros, mas a net dá um meio seguro para esse tipo de parasita emocional; bullies podem te ofender na cara-dura, sem correr o risco de levar uns sopapos em retribuição (como Nietzsche dizia, o fim da instituição dos duelos abriu espaço para o fim da polidez). Isso é muito ruim, porque tudo o que uma pessoa deprimida não precisa é de ainda mais preconceito e cobrança de conformação a papeizinhos sociais. Os bullies não entendem a gravidade do que estão fazendo, não sabem o quão fundo alguém deprimido pode afundar com ataques pessoais.

Assim, a Internet é uma faca de dois legumes. Ela pode nos salvar, mostrando o caminho para diagnóstico, conhecimento, grupos de suporte; ou pode terminar de nos matar.

* * *

Quando começamos a nos tratar da depressão, uma das primeiras coisas que nos ensinam é tomar cuidado com o preconceito. Muita gente se recusa a entender que uma doença mental é uma doença, e nos culpa por não sermos capazes de curar-nos sozinhos, magicamente. Mas uma coisa é você entender intelectualmente que os ataques são frutos da ignorância, e outra coisa é conseguir não se deixar atingir por eles.

Você não pode mencionar a palavra “depressão” sem que apareça esse povo que, por razões que me escapam, se julga no direito de controlar o que os outros escrevem em seus próprios blogs. Isso mina meus dois objetivos em contar sobre minha depressão publicamente; não adianta nada eu enviar uma mensagem de suporte, se quando uma pessoa doente for ler os comentários acabar ficando pior ainda. Andei pensando bastante sobre o que fazer a respeito. Considerei simplesmente desligar o sistema de comentários, mas isso vai contra tudo o que acredito — ainda defendo a liberdade de expressão, mesmo que alguns sujeitos se aproveitem dessa liberdade para machucar os outros. Poderia apagar os comentários dos trolls, mas me sentiria mal com isso também. Acabei optando por um meio-termo: no espírito de não eliminar informação, vou mover todos os comentários inflamatórios (e as réplicas a eles, e as tréplicas etc.) para este post. Assim, as velhas acusações de que nosso sofrimento é frescura ficarão todas isoladas num ponto só, e o resto do blog mantém sua utilidade para quem sofre com o mal do meio-dia.

Àqueles que estão enfrentado a depressão, eu recomendo contar sua história em um grupo de suporte, ou montar um blog sem comentários, para evitar todo esse stress. Lembre-se: você não está sozinho, não é o único, e seu problema tem tratamento. Agora, pense duas vezes antes de ler os comentários deste post: você está entrando no Hall of Flames…

Referências:
[1] http://crazymeds.us/SuicideRisk.htm
[2] http://www.edge.org/q2008/q08_5.html#trivers

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2008-01-03

Meus objetivos como pai

Se você quer ser um ladrão, seja um ladrão bom.
— ditado japonês

Eu vivo dizendo que gostaria de ter filhos porque tenho certos planos para a educação deles, ou que estou feliz porque minha esposa compartilha de minha abordagem pedagógica. Acho que está na hora de explicar o que exatamente são esses planos, essa abordagem. Aí vão alguns pontos que considero importantes, sem nenhuma ordenação em particular.

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Depressão

Depois de todos esses anos, finalmente encontrei a felicidade. Prestem atenção, que isso é importante. Ao contrário da crença popular, dinheiro compra felicidade, sim (e o preço é bem altinho, diga-se de passagem). Felicidade é vendida em caixinhas, assim como o Microsoft Windows™. Aqui, eu fotografei umas caixinhas de felicidade pra vocês verem:

caixas do
antidepressivo Citalopram (more…)

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Emo

1.

You label me, I label you
—Metallica, “The Unforgiven”

Uns tempos atrás eu estava andando perto do shopping Estação, em Curitiba, quando um carinha com roupas de mano apareceu do nada e berrou a poucos centímetros do meu rosto: eemooooo do caraaalhoooo! Eu fiquei sem ação. Tinha saído de casa sem pensar, com a roupa do corpo, e parei para avaliar minha aparência: cabelo descolorido amarelão, camiseta branca sem estampa, calça preta esportiva, tênis all-star, mochila simples sem chaveiros ou penduricalhos exceto um único bottom (do Gamer’s Quarter), e acompanhado de mulher e filha. Só isso já é suficiente para ser chamado de emo esses dias? Por outro lado, eu estava deprimido e bêbado, então talvez ele tenha, sei lá, sentido cheiro de emo ou coisa assim. Espero que ninguém queira me espancar na rua.

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Cultura japonesa e individualidade

No começo de 2007 eu terminei meu curso de ciência da computação na Universidade Federal do Paraná e fui estudar letras em japonês na Universidade de São Paulo. Lá pelo meio de 2007, não agüentei o ritmo de estudar e trabalhar e sustentar família e acabei forçado a abandonar o curso, indo parar no psiquiatra. No decorrer do tratamento eu descolori meu cabelo. Hoje em dia esse tipo de coisa já não é considerada chocante, mas mesmo assim eu me senti um pouquinho livre; foi meu pequeno gesto de individualidade, meu pequeno protesto contra a cultura de conformismo que considero em última análise responsável por minha depressão.

No final do ano o grupo de cerimônia do chá de Curitiba me disse que, se eu quisesse participar do evento de chá em janeiro de 2008, eu teria que pintar meu cabelo da cor natural ou raspá-lo. (more…)

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