
2008-09-29
2008-09-24
2008-09-23
2008-09-21
The word “natural” has become overused to the point of losing its meaning. Nonetheless, I find myself surprisingly optimistic. It may be confirmation bias, but it appears to me the environmental movement is finally bearing fruit; after being politicized, absorbed by the amoeba of consumerism, given its own address in Babylon — no one noticed all the while it was spreading seeds; as the “movement” corpse fossilized, it gave birth to a thousand natural “lifestyles”.
People today are richer than ever, more knowledgeable than ever, more powerful than ever. It was to be expected for modern age to cause an explosion of consumerist excess. But now they finally appear to be finding that excess has a bitter aftertaste. Two generations ago, people wanted more money; today they want less work.
They say in Japan, a post-crisis advanced economy, cars have lost their meaning as markers of social status. Young people are not interested in cars; they find it’s a crude, troublesome gadget for outdated tastes. “Not prizing treasures difficult to obtain keeps people from committing theft” —not having an expensive car and mansion saves you the pain in the ass that are alarms and dogs and insurances and electric fences.
They say the USA are facing an unprecedented crisis of their own right now. Hopefully they’ll find the same solution.
Natural: eating when you’re hungry, sleeping when you’re sleepy. Finding the path of least resistance, like water: Slow life. Natural buildings. Bicycling instead of driving. Eating local food. Reusing electronic components, fetishizing outdated technology. Giving things instead of throwing away. Preserving local culture out of romantic nostalgia; local culture you did not grow up with because your parents were too busy being normal. Picking scraps of clothing and wood and furniture from the trash for your own creations. A return of the ethos of hospitality.
My utopia is a society where everyone is a hobbyist, a dabbler, where things like Wikipedia and Craft and Instructables are the new practical education — a society not of consumers, but of makers.
2008-09-20
2008-09-20, outro sonho-filme completo:
Gordo, calvo, grisalho, ele era designer na área de publicidade. Trabalhava num escritório amplo, de paredes de vidro e vista para o mar. O sucesso da sua campanha do all-star listrado havia feito dele uma celebridade menor. Era por isso que o queriam morto.
O sol se punha quando os homens chegaram —ternos e gravatas e pistolas como colunas de preto contra um cenário tingido de bronze. O homem gordo não tinha idéia do que acontecia, e antes que pudesse perguntar levou o primeiro tiro. Nada aconteceu. Ele se viu com uma arma na mão e atirou nos invasores, também sem nenhum efeito. Era como se a causalidade tivesse quebrado.
Ninguém nunca reparou que o destaque de seus trabalhos era sempre o vermelho.
Lembrou de quando era criança, brincando sozinho na grama mais alta que sua cabeça, cada folha um nome e uma história — as tardes na biblioteca, o frenesi criativo do faz-de-conta — grama, dessa vez as colinas do campus, os outros estudantes com namoradas lindas, chopes, presilhas de morango — ele, tardes, noites, garimpo de traduções e tomos de tendências estéticas esquecidas nas estantes — o diploma em mãos: um longo pergaminho de críticas de professores em caligrafia medieval — “tem potencial, mas se distrai fácil” — “um brilho de talento, infelizmente sem dedicação” — “faltou todas as aulas, avaliação impossível” — Pedro, Maria, Paulo foram os nomes dos filhos, a esposa, a entrevista na empresa — toda noite a repulsa do si-mesmo tornado peão de jogos de dinheiro — projetos no lixo, campanhas de sucesso, o livro que nunca escreveu — uma súbita certeza de amor pelos filhos, um desejo de falar à esposa uma última vez, jantar a sós, taças de vinho, vermelho — o vinho era o próprio sangue, ele estava deitado em uma poça, e só então entendeu que tinha sido baleado e estava morrendo em flashback. “Digam…” — tentou falar mas as forças se esvaíam; os homens de terno se aproximaram pra ouvir, era sua última mensagem, “digam pra eles”, eles, a família, o trabalho, a faculdade, o mundo inteiro — “digam pra eles que vermelho é bonito”. E foi o que pensava quando morreu, admirando o sangue no chão. Fim.
2008-09-19
Como falar como pirata?
Alguém precisa fazer um guia de como falar como um pirata em português. Se eu ainda estudasse letras ia propor isso como paper =)
Até onde sei, o Modern Pirate é derivado de jargão clássico de marinheiros, mais uma série de convenções fixadas por mídia popular — notoriamente Treasure Island, livro e filme. Portanto, a pesquisa seria de como marinheiros portugueses falavam, mais as traduções canônicas de filmes e livros de piratas. Isso pode ser difícil, tendo em vista as traduções porcas e horríveis como essa do virtualbooks.terra. Original:
‘This is a handy cove,’ says he, at length; ‘and a pleasant sittyated grog-shop. Much company, mate?’
My father told him no, very little company, the more was the pity.
‘Well, then,’ said he, ‘this is the berth for me. Here you matey,’ he cried to the man who trundled the barrow; ‘bring up alongside and help up my chest. I’ll stay here a bit,’ he continued. ‘I’m a plain man; rum and bacon and eggs is what I want, and that head up there for to watch ships off. What you mought call me? You mought call me captain. Oh, I see what you’re at—there;’ and he threw down three or four gold pieces on the threshold. ‘You can tell me when I’ve worked through that,’ says he, looking as fierce as a commander.
Tradução:
Disse rudemente ao estalajadeiro, meu pai, que lhe trouxesse um copo de rum, pediu notícias da freguesia, mandou em seguida o empregado levar-lhe a bagagem e atirou sobre a mesa três ou quatro moedas de ouro. Durante os dias seguintes, o Capitão - assim queria o estranho hóspede que lhe chamassem - […]
Jêsuis. SHOW DON’T TELL MOTHERFUCKER. Por que esses caras estão traduzindo e eu estou aqui programando? Depois reclamam que criança não lê —o pacing aventureiro do original foi arruinado nesta “adaptação”…
* * *
Por outro lado, esta história que o boto me passou sugere que talvez esforçar-se pra criar um Pirata Moderno seja inútil:
<glommer> boto, eu tive uma surpresa ontem
*** glommer está conhecido agora como SouthDog.
<boto> SouthDog: que surpresa?
<SouthDog> boto, falei pra filha do lucas, de 5
<SouthDog> "Amanhã é um dia que os adultos falam todos que nem pirata"
<SouthDog> sabe o que ela respondeu?
<boto> "ah, eu já sabia"
<SouthDog> melhor que isso
<SouthDog> ela respondeu
<SouthDog> "yaaarr!!!"
<boto> uau!
<boto> quem ensinou isso pra ela?
<SouthDog> cara, nem ideia
<SouthDog> aí logo em seguida ela perguntou:
<SouthDog> "Até minha professora vai falar assim?"
Com cinco anos o dispositivo de aquisição de linguagem ainda está ligado, então a menina vai falar “arrrr!” como nativa. Talvez o International Talk Like a Pirate Day acabe fazendo o português absorver as convenções do Modern Pirate inglês mesmo.
2008-09-11
teologia estética
<leoboiko> http://www.abc.se/~m9783/naw/dkr_ei.html
<leoboiko> a reza pra perder 1000 pecados parece meio inútil, perto da
outra pra perder todos os pecados
<leoboiko> tudo bem, ela é um pouquinho mais longa, mas a de 1000
também tem que repetir 100 vezes. acho que não vale a pena
<ehabkost_> talvez usar uma reza maior que necessário deixe allah
irritado?
<ehabkost_> quero dizer, se você tem só 1000 pecados e fizer a reza
para perder todos os pecados, acho que deve irritar allah
<leoboiko> mas é difícil saber quantos pecados exatamente você tem…
<leoboiko> a menos que tenha uma potion of enlightenment
<ehabkost_> se você não consegue cuidar dos seus pecados, é mais um
motivo para deixar allah irritado
<ehabkost_> ei!
<ehabkost_> caralho
<ehabkost_> essa página é *séria*?
<leoboiko> parece
<leoboiko> mesmo que não seja, aposto 9 de 10 que são instruções do
corão
<ehabkost_> eu achei que era explicitamente uma piada
<leoboiko> será que tem limite pras rezas das árvores?
<ehabkost_> peraí. você está falando de nethack ou do corão, agora? :P
<leoboiko> se tem, todo muçulmano deve ter 11 árvores no céu
<leoboiko> se não, eu ia ficar rezando o dia inteiro pra ter um monte
de florestas quando morrer
<leoboiko> …apesar de não saber pra que ia servir
<ehabkost_> pra que serve uma árvore no céu?
<ehabkost_> bah
<leoboiko> faz sentido que um povo do deserto tenha um deus que prometa
palmeiras
<ehabkost_> hmm... é
<leoboiko> tupã: “reze pra mim e você ganha um coqueiro” índio: “bah”
<leoboiko> sharearam um negócio de videogame no meu reader
<leoboiko> brasileiro
<leoboiko> ad:
<leoboiko> “você sabe qual mensagem que Nossa Senhora deixou pra você?
clique aqui para conhecer”
<leoboiko> twitter.com/maria?
<leoboiko> > "Todas as pessoas que usarem a Medalha receberão grandes
graças, trazendo-a ao pescoço".
<leoboiko> > Estas foram as palavras de Nossa Senhora numa aparição a
Santa Catarina Labouré, em 27 de novembro de 1830. E, a
partir daí, milhões de pessoas no mundo inteiro passaram a
receber graças através da Medalha Milagrosa.
<leoboiko> aaahn, _essa_ era a mensagem
<leoboiko> > A ADF é uma associação de fiéis, privada, sem fins
lucrativos, que tem como missão fomentar a devoção a Nossa
Senhora e difundir Seus apelos ao mundo.
<leoboiko> > Prencha o formulário abaixo e você receberá pelo correio,
dentro de alguns dias, a sua Medalha (já benta por um
sacerdote), junto com a Novena da Medalha Milagrosa para
pedir as graças que necessita.
<leoboiko> > Você receberá também um convite para participar dessa
divulgação através de doação espontânea que poderá ser feita
através de boleto bancário (não se trata de cobrança) no
valor de R$ 15,00.
<leoboiko> legal, já vem benta
<leoboiko> isso é outra coisa que eu prefiro muito mais os católicos
que os evangélicos:
<leoboiko> os padres têm poderes especiais
<leoboiko> os pastores não fazem nada de mais
<leoboiko> mas os padres, só por serem ordenados sacerdotes pela Igreja
(não por treinamento ou habilidade), podem fazer coisas como
transformar itens comuns em bentos, vinho em sangue, unir
casais perante Deus, des-paganizar bebês, nulificar pecados,
etc.
<ehabkost_> por que prefere isso?
<ehabkost_> quero dizer, se é mentira mas pessoas levam a sério, acho
uma merda
<leoboiko> é mais interessante
<leoboiko> idealmente eu preferia um mundo de ateus
<leoboiko> mas se for pra escolher entre um mundo de pessoas que
acreditam em estátuas mágicas e rezas milagrosas ou um mundo
de pessoas que acreditam na força da humildade e do trabalho
duro, escolho o primeiro
<leoboiko> tudo bem, nem os evangélicos conseguem ficar muito tempo
longe da magia
<leoboiko> mas eles são muito iniciantes. quando vão fazer magia fazem
de um jeito grosseiro, povão
<leoboiko> os católicos têm latim e vitrais e incensos e rituais de
exorcismo e cânticos gregorianos. a arte deles é melhor.
<leoboiko> por exemplo, imagine trocar o padre do filme do zé do caixão
por um pastor
<leoboiko> ou o delegado católico “eu sou idólatra mesmo” por um
delegado evangélico
<leoboiko> é mais legal lutar contra um inimigo mais interessante
<ehabkost_> então, acho isso legal só quando é arte
<ehabkost_> quando levam a sério deixa de ser arte, aí eu não gosto
<leoboiko> o que estou dizendo é que imho jeito que padre engana o
povo > jeito que pastor engana o povo
<leoboiko> se tivesse, por exemplo, igrejas wiccas, eu acharia as
igrejas wiccas mais legais que as católicas
<leoboiko> meu ranking de mentiras seria aproximadamente
{neo-pagãos,ocultistas,independentes} > cultos tribais e
pagãos (de verdade) > hindus > cristãos ortodoxos > cristãos
católicos > cristãos protestantes > muçulmanos
<ehabkost_> então, eu acho que eu gosto menos dos ortodoxos justamente
porque levam a ficção deles ainda mais a sério
<leoboiko> eu acho que isso torna eles mais interessantes
<ehabkost_> interessantes de olhar, só
<ehabkost_> mas não pra conviver
<leoboiko> evangélicos são CHATOS
<leoboiko> são agentes do chato chateando o mundo
<leoboiko> por isso que quero ter muitos filhos
<leoboiko> não dá pra diminuir a quantidade de pessoas chatas, então
quero aumentar a quantidade de pessoas não-chatas
(editado saudavelmente)
2008-09-08
praised be Allah who put two sides in my head
I hate computers. I will sell my computer and buy a guitar. I’m getting outa this bland purgatorium of a city this week and I will be back to the study of art and literature and comic books. I will be a scholar and travel the world and buy a house in Kyōto and have ten boyfriends and ten girlfriends of all colors and sizes and tongues. I will sow the seed of dissent right in the middle of society and watch smiling as my cute spawn disrupts patriarchy from the inside.
I am 0% Pill Leoboiko, and am about to stop existing.
I become fully manifested two or three days after my body goes clean of antidepressants. Once the harshest pains of withdrawal are appeased - once the dizziness and nausea and brain jolts are tolerable enough for me to think - I wake up and look around, take a deep breath and shake my wings only to find I no longer have any. Then I’m overwhelmed by despair so strong I can’t even go through the motions of the basest vital needs, say feeding or getting up. They call it “depression”, this glass cage, this chained blood –I call it insight. I call it reality. I cannot handle it at all.
So I suicide softly with the magic potions, and suddenly the pain is gone and a strange spirit possess this abandoned body. I call him, I call this entity the 100% Pill Leoboiko. 100% Pill Leoboiko doesn’t care much about love or sex or the madness and beauty of art and life, and while he’s not exactly content with selling himself to the corporate religion he’s at least resigned –“have to do it for my family”, he says (myself, I’d be ashamed of presenting such a boring failure of a figure as the model of a family). He’s not “happy” (if such a thing even exists), but he kind of enjoy going home after a day of hard work and watch in silent contemplation as time drips by.
* * *
If I close my eyes, even for minutes, the night-mares catch up with me, rendering me terrified and paralysed and hallucinating alone in the dark.
The Other has no such problems. He’s unable to dream.
* * *
I’m throwing the drugs away, I’m thinking of myself now, I’m taking my life back. Only I’m not, of course. I feel too old to even fantasize about that —thirty years aged in two —I’m swallowing my dearest serotonin-norepinephrine reuptake inhibitor this very moment. There, good boy, well-behaved boy. I’ll be gone in a few minutes now. Hope you do well, Other; as a last jest, this clown sings for you to remember that—
if the dam breaks open many years too soon
and if there is no room upon the hill
and if your head explodes with dark forebodings too
I’ll see you in the dark side of the moon




