Estudo publicado na Scientific American prova que Naruto Uzumaki e Rock Lee estavam certos, e Neji Hyūga errado.
Não fale para seu filho “você é inteligente”. Essa palavrinha “é” é perigosa: se ele achar que inteligência é uma característica inata, vai desistir ao primeiro obstáculo desafiador. Ao invés disso, elogie esforço e dedicação.
Do artigo:
How do we transmit a growth mind-set to our children? One way is by telling stories about achievements that result from hard work. For instance, talking about math geniuses who were more or less born that way puts students in a fixed mind-set, but descriptions of great mathematicians who fell in love with math and developed amazing skills engenders a growth mind-set, our studies have shown.
Outra maneira é expor crianças a desenhos japoneses e jogos de RPG =)
Humm… talvez eu tenha visto esse artigo na ultima revista, mas enfim, não concordo muito com algumas coisas.
“suddenly lost interest in school, refusing to do homework or study for tests. As a consequence, his grades plummeted” “Schoolwork, their son maintained, was boring and pointless.”
Isso está parecendo muito exagerado… Ele passou ou não?? Ele parecia inteligente, deve ter passado. E pois é, muito ’schoolwork’ é chato e sem sentido. E realmente é difícil você achar interesse num negócio que você olha e resolve em segundos, não oferece desafios, etc, etc. Essa filosofia de ‘nivelar por baixo’ é foda!
“Our society worships talent” nem vou discutir… tanto que ‘talent’ já virou sinônimo de ‘artista famoso’.
“making striving to learn seem far less important than being (or looking) smart”
Pois é. Vontade e esforço são muito importantes. Mas por mais que eu me esforce, nunca vou ser um pianista bom, ou um jogador de tênis conhecido. Sim, se eu me esforçar vou avancar com uma certa velocidade, e muito provavelmente, atingir um ‘muro’ mais pra frente.
Tenho a impressão que o ’se exceder’ em uma área (até, sei lá, chegar na genialidade) involve muito mais do que esforço. Envolve uma capacidade de entendimento das ‘coisinhas’ que o envolvem, criando novos passos e atalhos, descobertas, etc.
Não existe um manual de como pilotar um carro de corrida (ou, pelo menos, nada além do básico), mas M. Schumacher, ao sentar num carro pela primeira vez foi descobrindo e acumulando novas regrinhas, até chegar onde chegou. Nem todo mundo (mesmo na F1, digamos) teve capacidade de descobrir todas essas regrinhas e de aplicá-las… Mesma coisa para o tênis e o piano (que, diga-se de passagem, ‘em teoria’ são fáceis, afinal, é só correr atrás da bola e apertar as teclas no tempo correto - embora haja a necessidade de um desenvolvimento físico da habilidade também, mas bom…)
E tem um artigo no JoelonSoftware sobre um professor prevendo as notas dos alunos baseado no tempo que eles demoravam para resolver um problema simples de matemática.
“In particular, attributing poor performance to a lack of ability depresses motivation more than does the belief that lack of effort is to blame.”
Com certeza :)
“the two general classes of learners—helpless versus mastery-oriented”
Eu diria que o própria atitude de ‘encarar o desafio’ faz parte da inteligência, e conseguir ultrapassar os desafios também é um grande incentivo.
E quantas pessoas se esforçam tanto e não vão muito longe… a coisa é complicada.
Fora que o artigo parece muito ‘pensamento positivo’
Comment by Tabgal — 2007-12-14 15:25:47
Parecendo pensamento positivo ou não, isso é um estudo em ampla escala de mais de 30 anos com resultados não-ambígüos e duplicados por outros pesquisadores. Além disso, como o artigo comenta, os resultados têm correspondência neurológica direta.
É óbvio que todo mundo tem limites, e que eles são diferentes pra cada pessoa. A questão é que nossa sociedade enfatiza o que você consegue fazer como parte do que você é, não do que você está. Aí quando você não consegue fazer algo, você leva um golpe no ego e desiste, porque aprendeu a ver sua incapacidade como imutável.
Modelo errado: a força do Thor nasceu com o Thor e a força do Wolverine nasceu com o Wolverine. O Thor é mais forte que o Wolverine e o poder dos dois nunca muda. Modelo certo: Goku é inatamente mais forte que o Kuririn e o Kuririn nunca vai conseguir bater o Goku, mas a força de ambos não vem de graça; é uma conseqüência direta do treinamento e pode ser aumentada.
(Btw, a Mulher-Maravilha golden age era assim também: no canon, qualquer mulher que passasse pelo treinamento das amazonas teria capacidades similares às dela.)
Eu já vi muita criança castrada pelo modelo errado e já era de opinião que crianças devem ser educadas com filosofia de desenho japonês; foi legal ver confirmado por estudos sérios.
Comment by leoboiko — 2007-12-14 15:35:06
Lembrei daquele cara, Polgár, que não acreditava em genialidade inata e treinou as três filhas no xadrez; todas as três chegaram a ser campeãs mundiais.
Eu lembro também de ter visto acho que mais uns dois artigos da SciAm-BR (ou da Mente & Cérebro, não sei) com resultados similares, ou seja, que o fator “talento” é superestimado pra caramba. Infelizmente já doei minha coleção, mas depois procuro na net.
Comment by leoboiko — 2007-12-14 15:46:54
Infelizmente não posso comentar nos desenhos japoneses, pois não os conheço :P
Depois de wikipediar Polgar, bem, o pai delas acreditava que gênios eram feitos, e não criados. E com certeza, com todo o seu incentivo e conhecimento teórico de xadrez conseguiu ensinar muita coisa as 3 irmãs. E elas abraçaram isso e foram em frente.
Mas tem muito pai que faz a ‘mesma coisa’ (logico, não necessariamente com xadrez) e dá com os burros n’água. E muitos gênios não tiveram nenhum tipo de ensino (ou pelo menos, nada que os levasse ao nível que chegaram: Mozart p.ex. ou alguém consegue ensinar como ouvir uma música uma vez, daí sentar no piano e tocar? até imagino o que se passa numa situação dessas, mas fazer é bem diferente)
E não vou discordar que se deve ensinar as crianças o valor dos esforços, muito pelo contrário.
O que sou contra é incentivar o “esforço vazio”. Qual deve ser o incentivo do menino lá que vai mal nas provas (mas ao que tudo parece, passa)? Tá bom, se ele fosse tão bom, tirava 10 na prova sem pestanejar. Ou já passou desse nível e faz as questões necessárias para ter nota. E pra quê tirar 10 numa prova de escola mesmo??
Ou, o outro lado, incentivar uma pessoa (ou o prórpio auto-incentivo) a seguir algo que ela não quer (ou mesmo que ela queira), mas que por algum motivo ela não avance, e acabe perdendo tanto tempo (ou melhor dizendo, dando murro em ponta de faca), também não é legal. E acontece!
Acho que a questão é buscar um equilíbrio. Com certeza concordo com o espírito do artigo, basicamente é a famosa frase “Genius is one percent inspiration, ninety-nine percent perspiration”.
E eu também diria que o sucesso de uma criança esperta é ensiná-la coisas mais importantes do que a matéria da escola, sei lá, pode ser programação, uma outra língua, aprender a consertar tranqueiras de casa, a cuidar de plantas, culinária, etc, etc, etc
Comment by Tabgal — 2007-12-14 17:52:37
Eu não entendi; pra mim parece que você está dizendo a mesma coisa que o artigo, mas num tom como se discordasse.
A única coisa que eu discordo do que você disse é que teve muito pai que tentou fazer como o Polgár e não conseguiu. Duvido muito que um pai que incentivasse os filhos do jeito que o cara fez com as meninas não terminasse, no mínimo, com fihos no nível de grande mestre.
Mozart era acima da média, mas se ele tivesse sentado nisso não teria sido ninguém. O pai dele era professor de música e treinou ele desde os três anos, assim que reconheceu o potencial (até porque ele meio que usava o moleque de macaco de circo). Se ele tivesse dito “ooh, você é inteligente” ao invés de “você tem que treinar”, com certeza Mozart teria sido um músico médio, e olhe lá . Da Vinci foi, IMHO, o cara mais talentoso da história, mas pegue um caderno de rascunhos dele pra ver o quanto ele sofreu até chegar onde chegou.
Quanto à escola vs. programacão, etc.: é a mesma coisa. O artigo até comenta como os mesmos resultados aparecem em áreas nada a ver, como atletismo. O tipo de dedicacão que você tem que ter pra ser um bom pianista é o mesmo tipo que pra ser um bom físico nuclear. Tanto o psicólogo Polgár quanto os caras do estudo da SciAm explicaram que escolheram as áreas que escolheram (xadrez e notas escolares) porque elas já tinham um sistema de medicão embutido e muito estudado; tanto um quanto o outro estavam querendo provar uma abordagem pedagócica geral, não um método de ensinar aquele campo em particular. Tem um ditado japonês que diz “se você quer ser um ladrão, seja bom em ladroagem”; isso resume minha filosofia.
“Quer dizer que eu não tenho que ser burro?” — a frase do garoto problemático do artigo resume o que eu acho que a mentalidade inteligência-talento faz com as criancas (”Quer dizer que eu não tenho que ficar nesse nível de inteligência?” é só marginalmente melhor. Eu sei; sempre me disseram que eu era superinteligente, e sofri um grande choque emocional quando não conseguia resolver as coisas na universidade sem estudar. Eu sou um “Jhonatan”. Depois que aprendi a me dedicar, depois de suar muitas noites em claro debrucado em uma, duas páginas de livros difíceis, consegui finalmente brincar com problemas matemáticos avancados — eu, que pensava que “sou” ruim em matemática.)
Comment by Leonardo Boiko — 2007-12-14 18:16:07
Outro estudo. Comentário:
Comment by Leonardo Boiko — 2007-12-14 18:28:24
“Eu não entendi; pra mim parece que você está dizendo a mesma coisa que o artigo, mas num tom como se discordasse.”
Aah, só estou jogando papo fora :) e incentivando a discussão.
E bom, todo mundo sofre um baque na faculdade. Também já passei (especificamente) uma noite estudando uma matéria. Mas no meu caso, passei a noite estudando (coffcoff* 60% do tempo foi scriptando as etapas de resolução na HP, mas bom) e tirei uma nota ruim (ainda assim, considerando-se o resto da turma foi uma nota boa). Ah, mas também, estava me lixando para a matéria (e a final foi praticamente dada, então…)
Comment by Tabgal — 2007-12-14 18:38:24
Outra forma de resumir meu ponto no post original:
A nocão de que um nível pontual e fixo esteja associado ao “ser” é errada, apesar de embutida na língua. O modelo que deveríamos ensinar, que é um modelo mais próximo da realidade, é o de que o ser possui uma faixa de nível muito ampla, e o nível atual é um “estar”. Dizer “você é burro” valida o modelo fixo, mas dizer “você é inteligente” também.
Comment by Leonardo Boiko — 2007-12-14 18:40:47
Boiko
Engraçado que eu havia lido o artigo faz umas 2 semanas (se não me falha a memória, saiu no slashdot) e achei muito bom mesmo.
Me lembrei do que acontecia na minha casa, sempre que alguém (tio/tia/vizinho/etc) elogiava a mim ou meu irmão dizendo que éramos inteligentes, minha mãe sempre respondia: ” _ Eu descordo, eles somente são esforçados.”
Este é um valor que tento passar para minha filha de 6 anos, estimulando-a a continuar tentando quando eventualmente ela acha algum jogo do Nintendo DS difícil.
Atenciosamente
Adenilson
Comment by Adenilson Cavalcanti — 2007-12-14 23:34:15