2007-06-15

Deadlines

Gerente de projeto: Mas o que falta pra você fazer isso?
Estagiário: Er, começar?
Gerente: Quanto tempo você estima?
Estagiário: Não sei! Como vou saber? Nunca fiz isso antes!
Eu: Vai se acostumando.
  Silêncio.
Eu: Nossa área é assim mesmo. Todo projeto é novo, e nunca é possível dar uma estimativa real. Você vai passar a vida chutando prazos, e se matando para cumprí-los depois. A idéia toda de deadlines foi importada artificialmente de outros ramos, e não funciona para coisas criativas como programação.
Técnicos, simpatizando: É, meu, chuta! É assim mesmo! Você não comprou sua bola de cristal ainda?
Gerente: Claro, nunca dá pra prever os acidentes…
Eu: Não, o buraco é mais embaixo. São sistemas complexos demais, caóticos, imprevisíveis e não-mensuráveis mesmo, ainda que não aconteça nenhum acidente.
  Silêncio desconfortável.

* * *

O bom de estar saindo é que você pode se dar ao luxo de ser honesto. Foi uma sensação gostosa interromper uma sessão de descarregar-as-frustrações-no-estagiário e efetivamente ajudar na educação dele, que é o que deveria estar acontecendo aqui. Sei que estou projetando minhas experiências pessoais recentes na empresa, mas não consigo deixar de perguntar: o que aconteceria se jogássemos fora todas as mentiras, todo o doublethink, toda a obsessão por controle que passa por “trabalho” em tecnologia da informação?

(Incidentalmente, não consigo mais odiar as pessoas por fazer coisas como descontar as frustrações no estagiário, desde quando me enxerguei e vi que faço isso também; diabos, eu provavelmente teria feito o mesmo há muito pouco tempo, se estivesse numa posição de poder. Mó pose de mestre zen, heim, Boiko? Mas são só penas coladas na bunda…)

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