Iscas das américas
- Phoenix é larga e plana e baixa, o que convém a uma cidade do deserto. Há poucos prédios altos, e o hotel que estou mesmo consiste de vários predinhos largos de três andares com uma área ao ar livre no centro. A sensação é de espaço, bem diferente de uma metrópole brasileira. Eu pensaria que era essa nova tendência à “horizontalidade” na arquitetura, mas tudo parece bem antigo.
- Falando nisso, a decoração em geral é sóbria, quente, com texturas irregulares e ambientes acolhedores. Se os EUA são assim, de onde afinal o Brasil está copiando essa moda de ambientes plásticos simétricos que eu odeio tanto?
- O deserto é menos plano que pensei: tem um monte de montanhas, queria ter mais tempo pra explorar. Aliás o Grande Cânion é por aqui e eu nem sabia.
- As pessoas são polidas (exceto agentes da TSA) e os motoristas respeitam os pedrestes, como em Curitiba e ao contrário de São Paulo e Belo Horizonte. Estou entendendo melhor por que falam tanto que Curitiba “parece primeiro mundo”.
- Os funcionários ficam surpresos quando você trata eles bem, o que quer dizer que devem ser ignorados a maior parte do tempo. Mas se quiser interagir com pessoal de limpeza, melhor conseguir um livrinho de frases em espanhol.
- O “quarto” do hotel é tipo cinco vezes maior que meu apartamento. O guarda-roupa é maior que meu banheiro (ele é tipo uma salinha: a tábua de passar fica dentro do guarda-roupa).
Acabei de voltar de um Whole Foods. Eles só tinham comida orgânica e eu não acredito em comida orgânica, mas estava sem comer à quarenta horas (por causa do lag) e era a grocery store mais próxima. Era tudo tão caaaro! Talvez comida em geral seja cara: como livros e eletrônicos são muito mais baratos que a gente está acostumado, eu estava em shopping spree. Pensei que finalmente ia comer montes de blueberries e blackberries e pistachios, mas eram tão caros quanto no Brasil. Mas comprei uma grapefruit. Tantos caras falam mal de grapefruit que fiquei curioso.
Eles tinham bastante coisas locais, o que achei legal (ao contrário de orgânica, comida local realmente ajuda a biosfera). Mas era tudo cheio de açúcar ou corn syrup, e eu fiquei com dó dos gordos que faziam compras lá. Gordos, não adianta ter uma dieta vegan orgânica integral localívora se cada porção tem mil e uma calorias! Acredite se quiser, não achei um cereal não adoçado.
Btw, Whole Foods, eliminar sacolas de plástico não serve pra porcaria nenhuma se vocês deixam um puta ar-condicionado ligado o dia inteiro! E isso vale pra você também, Belo Horizonte!
E é verdade: as porções são enormes. De tudo.
Menos blackberries e blueberries, que vêm naqueles mesmos potinhos sem graça do Carrefour.
- Se você joga WoW e está com jet lag, não jogue WoW enquanto está com jet lag. Mas eu sei que não vai me ouvir =)
- Globalização: todo lugar fica tentando me empurrar artesanato da África, comida do Japão, roupas da Índia, bananas da América do Sul.
- Aquelas loirinhas americanas de filme de escola existem mesmo! Igual àquelas loiras paulistas de entonação engraçada, que também existem mesmo!
Filme pornô na TV do hotel (praticamente só hétero) = US$15/cada. Internet = US$10/dia. Xtube/porntube/yuvutu = grátis.
Aliás por que quarto de hotel faz a gente pensar em sexo? Ou sou só eu?
- A TV do hotel tem um menu de jogos de gamecube, mas não achei controle. Será que é pra jogar no controle remoto?
- Se alguns dos meus colegas viajantes está lendo isto: a amazon tá oferendo um mês trial do serviço que entrega livros em dois dias úteis, frete grátis. Só tem que lembrar de fazer um opt-out antes do prazo acabar.
Na europa costuma ser tudo baixo também, o Claudio uma vez comentou que em alguns lugares as construções não podiam ser maior que a catedral da cidade (algo assim, não lembro muito bem).
Mas hey, onde em Curitiba os motoristas respeitam os pedestres? Estou aqui a mais de dois anos e nunca vi isso.
Diga-se de passagem que o que se diz por aí é que o motorista Curitibano (em média), é um dos piores do Brasil…
Comment by Luiz Fernando — 2008-03-16 22:32:15
A estatistica que eu tinha visto era que eles sao a capital que dirige mais devagar, portanto com mais seguranca? Eu fiquei francamente chocado quando vi a velocidade que os paulistas e os mineiros vao. E em Curitiba nao avancam em cima de voce na faixa de pedestres que nem fazem no sudeste. E os motoristas curitibanos sabem o que e’ seta. E apesar de nao saberem direito que bicicleta e’ veiculo, pelo menos e’ possivel usar bicleta em Curitiba, ao contrario de Sao Paulo e BHZ onde os motoristas te jogam pra fora da rua *de proposito*. E os motoristas de onibus nao fecham a porta na sua cara — pelo menos nao com a frequencia que fazem nas outras capitais. Que praticamente nao tem onibus pra cadeirantes, alias, nem caminhos com rampas. Em BHZ cheguei a ver uma rua que tem rampas na primeira parte, e nao na segunda; o coitado do cadeirante fica preso no meio…
O transito de Curitiba nao e’ a oitava maravilha do mundo, mas depois que vi como era o transito no resto do pais passei a respeita-lo.
Comment by leoboiko — 2008-03-16 22:45:58
Com relação a avançar em cima do pedestre achei Curitiba a mesma coisa que em todas as cidades que já passei, embora minhas piores experiências tenham sido aqui por causa do meu filho.
A seta acho uma piada, talvez não você não acredite, mas praticamente todo dia eu costumo contar quantos motoristas não dão seta quando entram nas travessas que tenho que atravessar (elas não tem semáfaro, e tenho que me basear na seta). Eles entram na travessa apartir da avenida, então não há desculpa para não usar a seta. É falta de competência mesmo.
O transporte público de Curitiba é realmente bom, até hoje não fui em alguma cidade com um sistema tão bom. Em Berlim é bom também, mas andei de onibus apenas uma vez lá então não serve de referência.
Mas o Metrô de São Paulo bate qualquer sistema de transporte que já vi, até o famoso Metró de Paris. Talvez apenas quando estou em um aeroporto me sinto seguro, e tenho prazer em usar o transporte como o do Metrô (seguro, limpo, eficiênte etc).
O transinto em Curitiba está piorando a cada dia. Nenhuma cidade bate São Paulo em transito ruim, mas se Curitiba não se cuidar vai ficar tão ruim quanto nas próximas décadas.
Em resumo, com relação ao trânsito, acho que o sistema de ônibus é que Curitiba tem de diferencial, o resto parece ser o mesmo lixo (ok, talvez sejam bom para os ciclistas também, mas quero ver como isso vai ficar na medida em que a cidade cresce).
O que digo não é baseado em pesquisa, é opnião de um pedestre que já viveu em 4 cidades diferentes, e já visitou várias das grandes capitais do país.
Comment by Luiz Fernando — 2008-03-16 23:52:06
U$15 cada filme? E só hetero? Acho que por este valor é possível encontrar coisas mais divertidas em algum sex shop. heh
Comment by Felipe — 2008-03-17 21:47:28
Adicionando alguns comentários na discussão:
trânsito que respeita o pedestre: acho que dos lugares que visitei, o que mais se aproxima é Brasília;
trânsito mais louco: o de Manaus, sem dúvida;
Adenilson
Comment by Adenilson Cavalcanti — 2008-03-19 22:55:04
Maringá. Parece que miram nos carrinhos de bebê na faixa de pedestre, principalmente das rotatórias.
E ao entrar no Amazon Prime, dá para configurar para só ter o mês introdutório, sem necessidade de pular fora antes.
Comment by leandro — 2008-04-19 22:03:16
Ah, Capitulino, aqui no Brasil também não havia prédios mais altos que a torre da sé. A diferença é que, depois, seguimos o ritmo estadunidense, enquanto na Europa decidiram que a idéia não era tão ruim aßim.
Comment by leandro — 2008-04-22 10:04:38