2007-07-19

Nacional-ateu

Disse a mim mesmo que não escreveria nenhum post relacionado ao tal acidente de avião em Congonhas, mas não deu pra segurar:

Vários conhecidos meus têm falado coisas como “olha só como brasileiros são incompetentes, tenho vergonha de ser brasileiro”. Outros, “apesar de tudo, amo meu país e tenho orgulho dele”. Parece que sou o único nacional-ateu aqui?

Eu não tenho orgulho de ser brasileiro. Não tenho vergonha de ser brasileiro, também. Na verdade, estou pouco me lixando para o fato de ser brasileiro, ou de forma geral para o de que qualquer pessoa X seja da nacionalidade Y. Acho muito mais importante saber se o cara, digamos, é fã de mangá, gosta de ir em festas ou curte sadomasoquismo do que saber se ele nasceu pra lá ou pra cá de uma linha imaginária arbitrária. O próprio conceito de nação pra mim é uma mentira irracional criada pra manipular pessoas, ou seja, uma religião, e não tem utilidade nenhuma — nem sempre o mundo se dividiu em nações, e eu acho que essa divisão é um dinossauro histórico fadado a morrer com a globalização — já vai tarde, aliás.

Sim, existe algo como “cultura local”, mas isso de cultura é fuzzy, gradual e não-coincidente com a idéia de nação; minha cultura sulina está muito mais próxima da paraguaia e argentina que da amazonense — e, como bicho do mato, estou muito mais próximo de texanos caipiras que dos urbanitas paulistas.

Caiu o avião? Talvez uma ou várias pessoas tenham sido incompetentes, eu não sei — não procurei me informar, porque sinceramente não estou interessado. Caiu o avião, explodiu a nave da Nasa porque esqueceram de converter imperial pra métrico, milhares morrem envenenados por poluição na China e ninguém liga, milhões morrem de AIDS na África enquanto um bando de imbecis assassinos demoniza camisinhas — o mundo inteiro está cheio de ignorância. Mas seja quem for o culpado deste acidente (se é que existe um), pra mim “os brasileiros” ou “o Brasil” não têm nada a ver com a história, porque pra começo de conversa — Brasil? Isso non ecziste!