2007-07-16

OH HAI I HAS A FEMINIZM NOW

Sempre tive um desinteresse polido por feminismo. Não que eu seja crítico, longe de mim, pessoas como eu devem muito à contracultura toda e a liberação feminina foi parte importante disso — as feministas não livraram só as mulheres do pesadelo que era o casamento tradicional, livraram nós também. Mas, com tanta coisa pra ler, dou preferência ao que me diz respeito mais diretamente; e, se for pra escolher entre “Gênero e Identidade Cultural no Romance Modernista” ou “Origem e Desenvolvimento do Mangá Yaoi”, acabo lendo “Origem e Desenvolvimento do Mangá Yaoi”.

(Sim, isso é o título de um artigo real, aqui da USP. Uma boa ilustração de por que eu queria migrar pra esta área.)

Como eu não sou mulher, eu não tive que enfrentar o que quer que a sociedade joga contra as mulheres, mas como tenho uma filha agora, acho que vou ter que enfrentar essas coisas por tabela. Já comentei antes que estou atrás de versões originais de contos de fadas pra ela — não estou falando dos livros dos Grimm mas das versões antigas mesmo, com todo o sangue, erotismo e crueldade que foram sendo tirados fora. Minha idéia é tipo “Papai vai te contar uma história” — conto a história na versão atual — “mas essa versão foi censurada; você quer ouvir a original?” — e daí a história sem cortes. Assim ela aprende desde cedo o significado da palavra “censura”.

Porém.

Estou me convencendo que só isso não é suficiente para a educação subversiva que quero dar. Você pode narrar a Chapeuzinho Vermelho original que tinha canibalismo & striptease, mas a moral da história não muda muito, i.e., meninas desobedientes se dão mal; o contrário do que quero. Procurando histórias com protagonistas mulheres, comecei a sentir o mesmo tipo de alienação que sempre senti quando lia romances e parecia que todos os casais do mundo eram monogâmicos heterossexuais felizes para sempre. Considere damsel-in-distress, por exemplo. Não me oponho a histórias de heroísmo nas quais uma pessoa forte e corajosa enfrenta grandes perigos para ajudar alguém querido — mas por que a pessoa forte e corajosa sempre tem que ser o homem, e a refém tem que ser a mulher? Cadê minhas histórias de bravas guerreiras que resgatam príncipes gentis & indefesos?

O resultado é que me peguei secando livros tipo “Heroines in Folktales from Around the World” ou “Don’t Bet on the Prince”. É um começo? Daqui a pouco estou pegando os “gênero e identidade”…

4 comments

  1. Conheço bem esta história. Infelizmente não tenho muitas sugestões, mas ta aí uma ideia para um forum. Enquanto isto, pelo menos uma dica eu tenho para te dar: quer saber uma outra versão para a história do Rei Arthur, contada pela Bruxa Morgana? Leia As Brumas de Avalon. Se você gostar de magia, é um motivo a mais.

    Comment by Sulamita Garcia2007-07-16 19:59:26

  2. Eu já li o Avalon, e outras coisas da MZB também; adoro ela. Eu era até wiccano quando adolescente (*vergonhinha*). Meus autores também não me deixam na mão — tem a Coraline do Gaiman, tem a Molly do Books of Magic (dez a zero na Hermione, diga-se de passagem), tem a Sakura e a Hikaru e as outras heroínas do CLAMP, tem todos os trabalhos do Miyazaki… mas ainda assim é pouco, muito pouco.

    Isso é um trabalho para o clube de exploração da biblioteca!

    Comment by leoboiko2007-07-16 20:03:17

  3. um fórum?

    e por que não botar a mão na massa e montar um grupo de autores de histórias infantis subversivas?

    eu só preciso encontrar alguém a fim de ilustrar as minhas…

    Comment by leoboiko2007-07-16 20:09:16

  4. ora, qualé, kats & kittens? ninguém pra dar a réplica óbvia? eu estava tão ansioso esperando por um “NOW WHAT I DO WIT IT?”…

    Comment by leoboiko2007-07-19 19:08:32

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