Pobrematizando
Uma frase que gosto muito é “seus pobremas acabaram!”. Muita gente acha que é apenas uma homenagem ao renomado lingüista da TV, mas não é. Parece que a riqueza semiótica da palavra “pobrema” passa despercebida pela classe média gramaticalmente normativista.
De onde venho, diz-se que “ricos têm problemas, mas pobres têm é pobremas”. Vejam a poética. Se a unidade de som é o fonema, se a unidade de forma é o morfema, se a unidade semântica é o semema, nada mais natural que a unidade de pobreza seja o pobrema. A enunciação é uma seqüência de fonemas, o sentido é uma composição de sememas, e a condição do pobre uma sucessão de pobremas.
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