Um sinal óbvio que você vai odiar seu emprego
Quando comecei a escrever isto, quis imitar os ensaios do Paul Graham e encontrar sinais sutis & interessantes que você não vai gostar de seu emprego. Eu ia pegar o texto da Renata e discutir ponto por ponto como a minha muito-em-breve ex-empresa não passa no teste, mas aí eu me toquei que tinha um baita sinal óbvio na minha cara o tempo todo: todo mundo bom está saindo. Mal eu entrei e o L.(1) caiu fora. Em seguida saíram o L.(2) e o A., reduzindo a equipe Linux à metade. No dia a dia, vejo as regras progressivamente draconianas alienarem todos, linuxeiros ou não.
A empresa só perde com isso. O L.(1) mostrou muito serviço antes de começar a procrastinar por estar infeliz. O L.(2) era um DBA que sabe do que está falando, algo raro de se encontrar nessa idade das trevas e que deveria ser preservado com unhas e dentes. O A. estuda Haskell por diversão: ficamos com os programadores Java e perdemos os de Haskell (-_-). E, pelos boatos que ouvi, há uma quantidade não trivial de pessoas esperando pra sair na primeira oportunidade.
Se todos os caras bons estão pulando fora da empresa, é sinal que o ambiente de trabalho é ruim. *senta e espera os louros de seu profundo insight intelectual*
“Se todos os caras bons estão pulando fora da empresa, é sinal que o ambiente de trabalho é ruim”. Isso nem sempre é verdade. Caras bons saem por vários motivos, e em geral ambiente de trabalho ruim é a primeira motivação, não a última. Eu conheço um monte de gente boa que não se importa jamais em trabalhar em ambientes de ultra-pressão, chefes idiotas e salário mediano. Um ambiente de trabalgo detestável pra mim pode, paradoxalmente, ser um ambiente agradável pra um outro cara. Até mesmo um outro cara melhor do que eu.
Comment by caio1982 — 2007-06-12 15:25:07
ênfase em “todos”.
Comment by leoboiko — 2007-06-12 15:25:59
Obrigado por me incluir aí no ‘caras bons’!
Falando sério, manda um curriculum vitæ. Vou ver se precisam de alguém aqui. A empresa está com possibilidades reais de crescer, e fica mais perto da USP.
Só que o basicão aqui é Java. Mas continuo com meu Etch, embora com o MS WXP no VirtualBox.
Ah, correção: o L.(1) saiu antes de você, na verdade era para você substituí-lo. Não sei como não viram que ia dar na mesma. Na verdade o L.(3) é que é extraordinário, por conseguir continuar produzindo e mantendo relacionamentos mesmo nesse ambiente.
Talvez você tendo tomado decisão, acabe aparecendo algo mais são em Sampa, que te permita ou pagar uma assistência para a Valentina aqui ou sustentar as duas casas. Tem muita oportunidade nesta terra da garoa; talvez te faltem os relacionamentos na comunidade livre. Já falou com os L.([1,3]) a respeito? Já perguntou em lugares como as listas PSL, PostgreSQL-BR &c.?
Comment by Leandro Guimarães Faria Corcete DUTRA — 2007-06-12 19:58:39
Pressão e salário ruim dificilmente são problemas sérios para gente boa, mas chefes idiotas que não permite que você faça um trabalho bom (ou que te obriga a usar algo non-sense) é simplesmente blocker.
Comment by Luiz Capitulino — 2007-06-12 21:18:21
Capitulino: Matou. Quando eu falo de “ambiente de trabalho ruim”, sequer estava pensando em pressão & salário. Considero a universidade o melhor lugar em que já trabalhei, e a pressão lá era enorme (preciso falar da bolsa?). O ruim não é ter que resolver problemas difíceis, o ruim é não poder resolver problemas — ou ter que cortar tábuas com uma faca de cozinha porque o chefe tem medo de serrote.
Leandro: Valeu a oferta, mas agora que tomei a decisão acho que vou dar um tempo mesmo. Eu vim pra São Paulo totalmente de supetão e sem um centavo no banco, devia ter ficado um tempo trabalhando antes. A questão é que não quero levar a faculdade nas coxas, e não adianta eu trocar este emprego por outro similar.
Tem umas coisas pessoais também que não quero discutir em público neste momento, vou te mandar um email a respeito.
E concordo sobre o L(3). Ele não tem metade do reconhecimento que deveria ter aqui.
Comment by leoboiko — 2007-06-13 13:59:45
Bom, to vendo que nem dá pra perguntar onde vc trabalha. Parece ser 1/2 confidencial.
Manda seu CV para o jovanco ARROUBA ibm PONTO com.
Ele é o gerente do Linux Technology Center da IBM, um time de desenvolvedores Open Source, que contribui oficialmente para o Kernel, e outros projetos.
Comment by Avi Alkalay — 2007-06-14 00:43:50
É complicado… Essa questão de te deixarem resolver os problemas depende, também, das prioridades da empresa. Acho que, se as prioridades ignoram situações em que se vê, claramente, que a empresa poderá ou já está afundando, aí sim, é um problema. É como ver um navio afundando e falarem: não tapem os buracos! Concentrem-se em acelerar mais, que já, já, chegamos à praia! :p
Comment by Eduardo Lisboa — 2007-06-14 15:56:11
Avi: É falta de polidez falar mal da empresa que está saindo, e o chefão aqui é do tipo que pune os funcionários se souber que estão insatisfeitos (sacanagem com quem fica, portanto). Além do quê, que diferença faz? Empresas como esta são legião.
Eduardo: De fato, nós programadores temos a tendência a querer trabalhar em problemas interessantes e bonitos, não nos necessários. Mas existem limites pra isso, e a regra geral parece ser que propostas perfeitamente técnicas, objetivas e relevantes são descartadas por politicagem e modismo. Nós analisamos sistemas; ver o sistemão em corporate death march e não poder fazer nada dá uma sensação de impotência…
Comment by leoboiko — 2007-06-14 17:31:25
Boiko: Concordo. Resumindo, falta de poder exercitar sua criatividade broxa muito o programador/analista.
Só um adendo, pra generalizar um pouco mais, eu também gostaria de citar que analisar o foco da empresa em relação ao mercado também é importante. Por exemplo, uma empresa pode ter idéias tolas, batidas ou ingênuas por simplesmente não ter tato no mercado em que atua. Isto também é um sinal de decadência da mesma, pois investimento nenhum poderá salvá-la da morte certa.
Comment by Eduardo Lisboa — 2007-06-15 10:00:54
O seu linguajar é esquisito. Você parece que está fazendo força para falar bonito pra parecer que é inteligente, mas falar de um jeito estranho não é a mesma coisa que falar bonito. Alienar com sentido de afastar é não é comum de se ouvir, ao contrário do que acontece com “alienate” em inglês. Ficar importando o jeito de falar de outro idioma faz você parecer mais colonizado do que inteligente. “Não trivial” fica estranho quando associado a “quantidade”, “significativa” seria mais claro. “Procrastinar”, apesar de estar na moda, é menos interessante que “empurrar o serviço com a barriga”. Vale a pena mesmo descaracterizar seu modo de falar só pra se mostrar ou se enquadrar no contexto? Ou vai dizer que você sempre falou assim? Ponha a mão na consciência, meu filho.
Comment by José Carvalho — 2007-12-22 12:14:45
1) Todos os termos que você citou são muito comuns no meu meio (acadêmico de ciência da computação) — meus professores usavam “não trivial” até pra receita de sopa, “procrastinar” é o idioma corrente pra não trabalhar, e assim por diante. 2) Eu falo do jeito que eu quero, e ninguém tem autoridade pra vir dar palpite. Você e os outros normativistas nacionalistas que vão se foder.
Comment by leoboiko — 2007-12-26 15:46:51
Eu sei que são, mas essa desculpa de “todo mundo no meu meio fala assim” é mesma coisa que passar atestado de falta de personalidade. Eu tive professores que falavam “assumir” no lugar de “presumir” e dentre eles um que falava “balanço” no lugar de “equilíbrio”. Isso pode não ser quase nada, já que essas cagadas não se alastraram, mas é assim que começa e daí pra frente só piora. Lembra do futuro do gerúndio? Vai dizer que não te incomodava? Precisava ser normativista ou nacionalista pra levar a mão à cara quando se ouvia aquilo?
Autoridade pra dar palpite todo mundo tem, autoridade pra mandar é que não. Os comentários servem pra isso mesmo, pra dar palpite.
Comment by José Carvalho — 2008-01-21 18:06:09
Sério? Eu chamo de “respeitar a audiência”, mas você parece ter bastante certeza das suas hipóteses psicolingüísticas tiradas do nada. Faz o seguinte: volte quando tiver terminado pelo menos uma pesquisa séria sobre o assunto (não esqueça de juntar uma amostra significativa, fazer duplo-cego e definir “personalidade” de forma objetiva e falsificável). Até lá, minha posição no Índice José Carvalho de Colonizagem e Personalidade significa exatamente porra nenhuma.
Evidentemente que não. Tenho coisa muito mais séria pra me preocupar do que o jeito que os outros falam — por exemplo, melhorar minha classificação no Guitar Hero, ler gibis, mascar matinho ou achar formas nas nuvens lá fora.
Claro que sim. Qualquer pessoa com um mínimo de conhecimento lingüístico está dando um rat’s ass pra gerundismos, estrangeirismos, barbarismos e todos esses ismos que um bando de babacas inventou pra descarregar as frustrações enchendo o saco dos outros.
*suspiro* e é assim que o bom-senso e a polidez vão desaparecendo do mundo. Olha. Imagine um cara na Avenida Paulista reclamando do mau gosto para se vestir de todos os transeuntes — “Ei, você, verde não combina com roxo! Mocinha, onde já se viu salto alto com jeans?” O que você acharia de um cara desses? Um imbecil mal-educado que não pode reclamar se acabar levando uns tapas? Pois você está fazendo o mesmo.
Não, os comentários servem para manter discussões interessantes sobre o assunto em questão — no caso, como está bem claro, sinais que uma empresa de computação é um lugar ruim pra trabalhar. Invadir o espaço com outros assuntos, tipo preconceitos lingüísticos do século 17, é o que chamamos de “off-topic”, e se eu tivesse ligado um sistema de moderação aqui seria downmodded até o inferno. Além disso, o tom inflamatório das suas mensagens (“Ponha a mão na consciência”? Então língua é questão moral, agora? Eu falo “três pãozinho” e não “três pãezinhos”; quantas ave-marias preciso pagar, padre?) classifica-as como flamebait, e você como troll.
Comment by leoboiko — 2008-01-22 08:32:44
“Três pãozinho” é o jeito que o povo fala e não tem problema nenhum, nunca teve. “Dez real” nasceu sem influência externa. O problema é o “inflamatório”, que foi chupado descaradamente sem pensar do “inflamatory” em inglês e que em português normalmente só se usa para se referir a algo relacionado à inflamação de alguma parte do corpo, e quase nunca pra se referir a alguma coisa que põe fogo em outra. Não é o “idioma corrente” para se referir a uma mensagem que tem o propósito de provocar alguém. E idioma do jeito que vc está usando é outra chupação do inglês, e dessa vez o problema nem é o uso costumeiro. Tá errado mesmo. Idioma é sinônimo de língua, e nada mais.
Cara, mil vezes um barbarismo e um estrangeirismo do que usar uma palavra do português com o significado do seu falso cognato do inglês. Pelo menos o barbarismo é honesto, o cidadão reconhece que não sabe traduzir um termo e por isso nem tenta, em vez corromper um termo parecido na língua destino.
Ué, você tinha dito que eu não tinha autoridade pra dar palpite no jeito que você fala. Ora, palpite é por definição a opinião de quem não tem autoridade. Logo, todo mundo tem autoridade.
Isto não é grupo de discussões, isto é um blog. Comentário é para comentar o post. Eu comentei o post. O fato do comentário não ter sido sobre o conteúdo do post é irrelevante.
Comment by José Carvalho — 2008-01-22 18:18:39
E quem decide isso, você? Se qualquer um pode vir e decidir o que está certo e o que está errado, eu vou fazer também e acabo de decretar que está tudo certo! Viu como é fácil puxar assertivas da bunda? Aliás, eu acabo de decretar também que toda forma que transmita a intenção do autor com a conotação emocional desejada para a audiência que ele quer está certa, e portanto o post inteiro tá certo.
Inflamatório eu chupei do inglês, e alface chuparam do árabe, e default o inglês chupou do francês e jibon o japonês do português. De novo, E O QUICO? O quiqueutenhoavercomisso? Por que deveria sentir peso na consciência de usar palavras de outros idiomas? É proibido chupar? Deus mata um gatinho toda vez que alguém chupa? A julgar pela opinião de meus últimos namorados e namoradas, eu chupo muito bem.
Você reclama do meu uso de “inflamatório”, e no entanto ele é comum em tudo que é fórum; você reclama do meu uso de “idioma”, e no entanto meus professores de lingüística usam assim (não tenho certeza porque deixei os livros em casa, mas estou quase certo que usam no texto escrito, também). Este é um post para programadores e nenhum dos meus colegas teve problema em entendê-lo. Você quer controlar pessoalmente a evolução da língua? Boa sorte. Mas vá fazer isso em outro lugar.
Btw: se você não percebeu até agora que estou usando expressões do inglês de propósito pra te provocar, eu jogo minhas mãos para cima.
Olha, se você não consegue entender isso você não entende os princípios mais básicos de educação e respeito, e eu estou perdendo meu tempo aqui. Tenho que ir jogar Guitar Hero.
Além de não saber respeitar os outros na vida real, você precisa de umas aulinhas de netiqueta. Mas já vi que nem adianta eu te mandar alguma coisa pra ler, então vou simplesmente apagar seus offtopic daqui em diante. Volte pra baixo da ponte, troll.
Este é um post sobre empresas de computação, não sobre língua. Até porque eu não gosto de discutir na Internet sobre língua; sempre aparece um mané que não sabe nem o que é teoria x-barra mas se julga no direito de controlar a língua dos outros.
Comment by leoboiko — 2008-01-23 08:15:16
[Trolls they were, but filled with the evil will of their master: a fell race…]
Comment by José Carvalho — 2008-01-23 18:21:00
[Trolls they were, but filled with the evil will of their master: a fell race…]
Comment by José Carvalho — 2008-01-24 09:41:24