No filme 2001: Uma Odisséia no Espaço, o astronauta Dave involuntariamente viaja através de um artefato alienígena. A experiência é estranha e terrível, a ponto de embranquecer os cabelos do pobre humano. Finalmente chegando ao destino desconhecido, o diretor Kubrik coloca nos confins do Universo o que ninguém esperaria: o familiar. Dave, como um animal em um zoológico, fora lançado por “eles” em uma miniatura de seu habitat na sociedade terrestre.

Senti-me Dave quando cheguei em São Paulo. Também eu esperava tudo, menos o familiar. Minha reação emocional ao, ainda meio adormecido, observar a cidade pela janela, foi “ah, estamos em casa”. Só então lembrei que estávamos chegando, e não retornando.

Que seja preconceito de interiorano, mas será que todos os centros urbanos são assim tão… iguais? São Paulo é a mesma coisa que Curitiba, só que mais: mais prédios, mais ruas, mais pessoas, mais carros. A única diferença é o onipresente mau gosto (Narciso acha feio…)

O campeonato foi muito interessante. Nós iniciantes ficamos só assistindo, lógico. O pessoal do dojo foi bem, quase todos passaram nos exames. Senpai Zé Augusto, infelizmente, não conseguiu seu yondan, mas o teste para esse nível é arcano.

Fiquei bastante orgulhoso da correção técnica de nosso grupo, e um pouco decepcionado com muitos kenshi que pareciam mais preocupados em ganhar títulos do que em executar os movimentos corretamente.

Nas competições, dois em nosso grupo que se destacaram foram Aline-chan e Bogdan-senpai, este em seu primeiro campeonato, creio eu. Bogdan foi registrado erroneamente com o nome “Bogorn”, e como resultado ganhou um novo apelido (”Bogorn, o bárbaro”; “Bogorn, o conquistador”; “Bogorn, filho de Arathorn”, etc.). Já a Aline venceu a evil Aline: uma menina de mesma altura, com o mesmo modelo de bogu vermelho sobre o kendogi azul desbotado nos mesmos lugares, e com estilo de luta parecido. A outra Aline era morena, e a nossa loira. Lia foi notavelmente correta em seu exame de gradução, pena que ela ainda é nova demais para o campeonato adulto.

Os pontos altos, além dos exames e competições de níveis elevados, foram as apresentações dos professores japoneses de oitavo dan. Os dez kata de kendô e os doze de iaidô (Seitei) estavam de prender o fôlego.

Viagens em grupo são interessantes porque intensificam os laços. Saímos todos dispostos a treinar muito para poder participar em 2005. Vamos comemorar as graduações no mochiyori quarta e manter o kendô correto.