Fui hoje ao meu último treino de cerimônia do chá, despedir-me do pessoal. Ou assim pensei. O grupo já estava em férias, e encontrei uma Praça do Japão vazia.

Decidi ficar por lá mesmo, lendo no segundo andar o “History of Haiku” de Blyth. Foi minha despedida do memorial.

A policial em serviço veio conversar comigo e esqueceu sua xícara de café. Levei a xícara para a cozinha, aproveitando para roubar um cafezinho. Passava das dez, e ele estava morno. O murmúrio dos lagos era relaxante, mas os koi não estavam lá.

Manhã solitária;
bebo como fosse água
o café já frio.
Não vejo nenhuma carpa
hoje, nos lagos da praça.

Durante o inverno, gosto de me vestir preto e cinza para o treino. Além das cores sóbrias serem próprias para a estação, acredito que elas harmonizam com o carvão visível no ro (fornalha de piso). Lembrei disso enquanto observava um pardal tentando aninhar-se no telhado.

Serei um pardal?
Em tons de cinza, no ninho
acima do chão.

Na praça pessoas, cachorros, flores, o Buda, tudo em cores esmaecidas. Desejei o vermelho alaranjado dos peixes e fui atendido, mas não pela natureza.

Ah! Encontrei carpas:
Em fila, três, quatro táxis
expressos, garis.