Li o primeiro volume de Haiku in four volumes e gostaria de dizer que estou apaixonado por Reginald Horace Blyth. Enquanto lia, me peguei anotando citações em um caderno. Tentei lembrar há quanto tempo eu não fazia isso — e me toquei que nunca fiz isso.

Um exemplo. A tradução é minha:

Religião e poesia têm a ver com o que está realmente acontecendo no universo. A religião falsa, que nada mais é do que magia disfarçada, distorce o passado, o presente e o futuro, reconstrói-os mais próximos do que o coração deseja. A poesia falsa faz a mesma coisa, embora com resultados menos desastrosos. Ela também é um mundo de fuga, um mundo de literatura mas não de vida. Se é assim, pode parecer que a ciência é nossa única salvação das ilusões, o que é verdade até certo ponto. De fato, a ciência pode livrar-nos do irreal, mas em troca da fantasia não nos dará mais do que um universo mecanicamente correto. Ela não pode nos dizer o que é a vida, ou nos dá-la em abundância. Esta é a função da poesia, mas como visto na passagem citada acima do “Inferno” [de Dante], precisamos procurar poesia, ou seja, realidade, também nos lugares mais improváveis: na simples sonoridade das linhas, na negação obstinada da verdade, nos desejos impossíveis dos seres humanos, nos tremendos castelos de ar intelectual que erigimos, nas mentiras e sofismos que são apenas verdades invertidas.

Algumas citações e informações na rede, uma discussão crítica interessante, e citações escolhidas por mim (em formato do “fortune”).