Pessoas tentando ser cool se encontrarão em desvantagem ao procurar surpresas. Surpreender-se é estar errado. E a essência de ser cool, como qualquer adolescente de quatorze anos sabe, é nil admirari. Ao se enganar, não investigue o erro; aja como se nada tivesse acontecido e talvez ninguém note.
Uma das chaves para ser cool é evitar situações nas quais a inexperiência pode fazê-lo parecer bobo. Se você deseja surpreender-se deve fazer o contrário.

— Paul Graham, The Age of the Essay.

Na mente do principiante há muitas possibilidades, mas na do experiente há poucas.

— Shinryu Suzuki

O Paul Graham que me desculpe por ensaiar basicamente sobre a mesma coisa que ele, mas o trecho citado iluminou um antigo dilema pessoal meu. Neste texto usarei deliberadamente a palavra “cool”, em inglês.

Em filmes, romances e jogos eletrônicos, com freqüência o personagem principal é maravilhosamente eficiente. Talvez o herói não faça tudo certo, mas ele não perde a pose. De filhos de deuses a encapotados de óculos escuros, passando por galanteadores de capa-e-espada e superhumanos com roupas berrantes, nossos superegos fictícios são totalmente cool.

É razoável, então, supor que um comportamento tão cativante traga-nos reconhecimento e sucesso. Se tantos heróis vencem e são admirados mantendo uma atitude de superioridade, por que não tentar o mesmo?

Só que não funciona. Diferente dos heróis, ninguém é bom em tudo. Por mais dedicação e talento individual que se tenha, no tempo de uma vida não é possível nem arranhar o espectro de atividades humanas, muito menos alcançar performances admiráveis em tudo.

A única solução parecer sempre cool acaba sendo, consciente ou inconscientemente, mascarar a própria ineficiência. Agir como se conhecessêssemos tudo, ou pelo menos tudo o que importa. Certas pessoas parecem inclusive acreditar que assim são.

Infelizmente ser cool é sustentar uma ilusão, e toda ilusão tem seu preço. Parte dele é que você acaba evitando situações interessantes. Uma situação interessante é aquela na qual você está impressionado e fascinado, freqüentemente com algo que não conhece. Fascinar-se, não conhecer são coisas terrivemente uncool.

Para ser cool você não pode se importar com as coisas. E quem não se importa, não busca a melhor solução. O resultado é que ser cool implica em ineficiência, em tomar deliberadamente atitudes sem inteligência.

Se o documento precisa ser entregue em dez minutos, o melhor é correr por toda a empresa. Correr é uma ação útil e saudável. Mas se você quer parecer adulto, sério, profissional — se quer parecer cool — não corra nunca. Uma pequena mochila de montanhista é bem mais útil do que uma maleta de mão, mas todos os executivos usam maletas.

A promessa de que, para alcançar a eficiência, precisamos da atitude dos heróis, não é apenas uma promessa falsa: é uma mentira. A outra oferta era ganhar reconhecimento e aceitação. Mas ninguém gosta de sabe-tudos. Sendo cool, você atrairá bajuladores, invejosos e inimigos, mas não amigos.

O preço de ser cool é alto demais. O melhor é ter orgulho de ser bobo. O otário, o crianção entusiasmado é o verdadeiro esperto.