Achei em algum lugar uma lista de “boas qualidades” de programas educativos, uma coleção de clichês e preconceitos morais. O tipo de pessoa formada pela “boa educação” é, previsivelmente, o cidadão passivo, inculto, tributável.

Eu quero é um mundo com mais Vincis, mais Sagans, Caetanos, Leminskys. Como seria uma educação voltada não para o enfraquecimento, mas para o crescimento do ser humano? Pensei em fazer uma anti-lista de boas qualidades. Um programa para meu filho:

  1. É interessante. É pura crueldade com as crianças forçá-las a assistir programas chatos, como a maioria dos desenhos educativos. Serve para os pais se sentirem com boa consciência, mas não serve para educar.
  2. Mostra violência e sexo de forma educativa. Não aceito essa obsessão em manter as crianças isoladas de violência e sexo — são partes da vida com as quais todos temos que lidar. A incompetência do povo para controlar e saber viver com seus instintos é resultado de uma educação deficiente. Um bom exemplo de um trabalho que ensina sobre sexo é a Turma da Mônica; um mau exemplo, Disney. Sobre o uso educativo de violência, basta analisar qualquer desenho japonês shounen de luta.
  3. Não esconde a realidade. Qualquer tipo de mentira é nociva e indefensável, não importa o quão bonitinha. Exemplos de mentiras incluem Papai Noel, eufemismos sobre a morte, montros que castigam crianças desobedientes e estão sempre vigiando, e explicações simples mas não científicas para perguntas sobre o mundo.
  4. Ensina a tolerância. A criança deve, desde pequena, aprender a respeitar as diferenças entre culturas e indivíduos. Colocar um negro e um oriental todo mundo faz, mas é preciso cuidado com os grupos que ainda sofrem preconceito, como homossexuais, seguidores de religiões menores e ateus. O fato de que desenhos que mostram gays ou crenças buditas serem censurados em nosso país é bastante revelador sobre o tipo de educação que damos.
  5. Estimula a mente. Um desenho ou filme para crianças não deve ser bobo; deve estar no limite do que elas podem compreender, e ocasionalmente ultrapassá-lo. Crianças são seres humanos, não idiotas.
  6. Ensina o respeito à inteligência. É preciso acabar completamente com a ideologia da ignorância, uma afetação tanto da direita quanto da esquerda.

Ha ha, estou só falando sério.