Mon 27 Dec 2004
Achei em algum lugar uma lista de “boas qualidades” de programas educativos, uma coleção de clichês e preconceitos morais. O tipo de pessoa formada pela “boa educação” é, previsivelmente, o cidadão passivo, inculto, tributável.
Eu quero é um mundo com mais Vincis, mais Sagans, Caetanos, Leminskys. Como seria uma educação voltada não para o enfraquecimento, mas para o crescimento do ser humano? Pensei em fazer uma anti-lista de boas qualidades. Um programa para meu filho:
- É interessante. É pura crueldade com as crianças forçá-las a assistir programas chatos, como a maioria dos desenhos educativos. Serve para os pais se sentirem com boa consciência, mas não serve para educar.
- Mostra violência e sexo de forma educativa. Não aceito essa obsessão em manter as crianças isoladas de violência e sexo — são partes da vida com as quais todos temos que lidar. A incompetência do povo para controlar e saber viver com seus instintos é resultado de uma educação deficiente. Um bom exemplo de um trabalho que ensina sobre sexo é a Turma da Mônica; um mau exemplo, Disney. Sobre o uso educativo de violência, basta analisar qualquer desenho japonês shounen de luta.
- Não esconde a realidade. Qualquer tipo de mentira é nociva e indefensável, não importa o quão bonitinha. Exemplos de mentiras incluem Papai Noel, eufemismos sobre a morte, montros que castigam crianças desobedientes e estão sempre vigiando, e explicações simples mas não científicas para perguntas sobre o mundo.
- Ensina a tolerância. A criança deve, desde pequena, aprender a respeitar as diferenças entre culturas e indivíduos. Colocar um negro e um oriental todo mundo faz, mas é preciso cuidado com os grupos que ainda sofrem preconceito, como homossexuais, seguidores de religiões menores e ateus. O fato de que desenhos que mostram gays ou crenças buditas serem censurados em nosso país é bastante revelador sobre o tipo de educação que damos.
- Estimula a mente. Um desenho ou filme para crianças não deve ser bobo; deve estar no limite do que elas podem compreender, e ocasionalmente ultrapassá-lo. Crianças são seres humanos, não idiotas.
- Ensina o respeito à inteligência. É preciso acabar completamente com a ideologia da ignorância, uma afetação tanto da direita quanto da esquerda.
Ha ha, estou só falando sério.
December 27th, 2004 at 22:02:32
Estou de acordo com sua observação, acho que há hoje em dia uma neurose em relação aos cuidados com os filhos, principalmente em relação ao sexo. Pô, a criança já busca pelo prazer desde quando ela é amamentada e vai crescer assim em função do seu corpo, seus genitais existem e não tem essa de pai e mãe ficar falando: -Tira a mão daí menino! Isto, definitivamente, não é erotização é auto-connhecimento.