Fiquei em dúvida se publicava isto ou não, foi escrito ontem à noite sem cuidado… é poesia adolescente sem valor. Mas ficou bonitinho, até. Digamos que psicografei de um moleque português, pintor e discípulo do Caeiro.

Coisas

Gosto do meu quarto
porque ele está aqui.

Estava deitado de costas
olhando as tábuas do teto
e me senti satisfeito.

Não tenho tevê, rádio ou internet,
não sei guardar dinheiro e não sou bom em nada.
Estou sozinho agora, e que me importa?
Meu quarto vazio é um desenho bonito,
e minha solidão eu bebo aos poucos.

Ah,
as capas coloridas de livros não lidos,
a garrafa térmica, escura e redonda,
as manchas pardas no lençol velho.

Estou enamorado do imediato.
Dispenso os sonhos e responsabilidades:
a mim me bastam as coisas.