January 2005


Caso alguém esteja interessado e não tenha notado, estou deixando mais fotos em http://namakajiri.net/old/photos, enquanto não encontro ou construo um software legal para catalogá-las. As de 29 de Janeiro incluem algumas de meu quarto.

Atualização: agora deixo as fotos no http://namakajiri.net/old/gallery.

Comprei uma câmera. Canon Powershot A85, quatro megapixels. Ela tem dois pontos fortes. O principal é não te prender em sistemas “fáceis de usar” de calibragem automática; é possível brincar com foco manual, abertura, tempo de exposição, etc. O outro é o bom suporte a fotos macro (isto é, fotos bem de perto), que agüenta até 5cm. Gosto muito de macro.

Coloquei algumas fotos de teste aqui. As cores poderiam ter sido melhoradas, mas como é para mostrar a câmera não mexi em nada no Gimp (exceto redimensionar, girar e cortar). As versões de tamanho inteiro estão na pasta “full”. São as primeiras fotos que tiro na vida, então perdoem a falta de habilidade ^.~

Atualização: as fotos agora ficam em http://namakajiri.net/old/gallery.

“Era uma tarde quente em Manaus, como todas as outras. As nuvens carregadas escureciam o dia e a lâmpada fluorescente iluminava mal o quarto, projetando sombras nas paredes. Evitei a tentação da cama, o lençol branco confortavelmente sujo e a minha blusa de moletom cor de carvão jogada na cabeceira.

Parecia ser uma daquelas tardes em que nada iria acontecer.

Alcancei o jornal, uma lapiseira, terminei as palavras cruzadas. Horóscopo: fique em casa, não faça nada, descanse. Com um suspiro, levantei e fui tomar café sem açúcar, já um pouco frio. A blusa na cama estava convidativa. Havia perdido meu travesseiro no hotel e comecei a usá-la para quebrar o galho, mas acabara me acostumando.

Evitei pensar nisso, sentei segurando o café e pus os pés sobre a mesa. Os livros me fitaram rancorosos, sabendo de antemão que eu não leria nenhum agora. O jornal estava aberto por acaso na seção policial. Minha atenção foi atraída por uma chamada, mas mudou de idéia e perdeu o interesse.

De repente, algo atingiu o chão com um baque. Era a saboneteira com ‘ventosas infalíveis’ caindo de novo. Praguejei e decidi jogá-la fora depois. Nada como abrir buracos na parede com uma boa e velha furadeira.

Quando voltei o rosto para o jornal, aconteceu. O nada, quero dizer. O dia estava no fim e nada tinha acontecido. Levantei, as mãos no bolso, olhei ao redor e, por puro tédio, comecei a narrar em voz alta no estilo de uma história de detetive:

“Era uma tarde quente em Manaus, como todas as outras. As nuvens carregadas escureciam o dia….

O diário está fora de controle! Subitamente um monte de posts antigos pularam para a página principal e para os feeds. Não fiz nada de especial e não sei como isso pode ter acontecido. Alguém já viu o wordpress fazer dessas, sabe como lidar com? Pensei até que fosse delírio por conta da febre…

Ingredientes: uma máquina de café da Nestlé na empresa.

Modo de preparo:

  1. Aperte o botão “sem açúcar”.
  2. Aperte o botão de capuccino. Tire o copinho de baixo no fim do processo, quando a máquina joga água.
  3. Tome metade do copinho.
  4. Novamente aperte o botão “sem açúcar”.
  5. Aperte o botão de expresso. Mais uma vez, tire o copinho quando começar a sair água.
  6. Relaxe e aproveite.

Nota: pode causar tremedeiras, insônia e vício em cafeína.

Comentário aleatório.

  • Estava testando ROMs de GBA pra gravar no cartucho flash e a introdução de Sister Princess praticamente me obrigou a escolhê-lo. Doze menininhas fofinhas chamando você de onii-chan é demais. Acho que gosto até mais de moé do que de ren’ai padrão, tinha que escrever algo sobre isso. O Sister Princess também rende um artigo legal de língua japonesa… doze variações diferentes de “irmão mais velho”!

  • Estou muito frustrado com a página. Quero deixar o blog multilíngua e separar algumas seções em blogs próprios. Um pra anime, mangá, RPG e jogos. Um pra língua e cultura japonesa, cerimônia do chá e artes marciais. Um pra ensaios e poesias, e um pra diário e lixo. O Wordpress não faz multilíngua legal, só tem um plugin pra isso e não funciona como eu quero. Reimplementar todas as funcionalidades do Wordpress em software próprio seria um trabalho enorme, mas ficaria do meu jeito, e em Ruby. Mas sem um PC com net não tenho onde desenvolver coisas web decentemente. A Hostsul é evil, não encontro um provedor legal brasileiro, não consigo um cartão de crédito internacional para pagar um estrangeiro, e estou até agora sem usar o leoboiko.org que comprei . Raios. Raios duplos.

http://namakajiri.net/old/pics/geekxmas/

Não, não é cena de mangá yaoi, e sim a ceia de Natal dos nerds em Manaus. Pizza do supermercado e lasanha congelada. Não deu pra tomar aquele vinho porque não tínhamos abridor. Foi divertido 8)

É o segundo dia do ano, domingo, supermercado. Tá rolando de fundo uma música calminha, assim tipo Ed Motta. Ando e a música é trilha sonora, estou num filme, talvez um desses do Jorge Furtado, narrado pelo personagem principal, aquela menina é carioca e não convence como manauara, mas não, não pode ser um filme do Jorge Furtado porque não faço propaganda do Terra. Estou de calção e camiseta velha e me sinto um rei. Lembro daquele artigo no everything2 “walk like a sex god”, e por alguma razão lembro do Cazuza, ando como se fosse o Cazuza, mas não, também não dá certo, porque estou comprando indiscriminadamente no paraíso do consumismo e isso não combina com o Cazuza. Não faz mal, olho para as coisas e tudo parece bom, mesmo a falta de estética, as cores destoantes, o vermelho-amarelo berrante das promoções, o branco e prateado de ano novo, o azulzinho das fraldas e comida diet, o verde-claro de alguma coisa de maçã verde — sempre me pegam, as maçãs verdes.

Ando pelos corredores feliz por nada, e não resisto à tentação de tocar as coisas, penso que o sentido do toque é o mais reprimido mas não estou nem aí, sinto as caixas, os ângulos, as temperaturas, se eu estivesse em São Paulo alguém ia me xingar porque peguei num carrinho.

Evito o caixa-rápido que sempre está cheio. O segredo para pegar filas curtas é procurar um casal — sempre tem um, o homem com cara de conformado, a mulher de olhar inteligente, mas que se preocupa muito com coisas sem importância. Ela acha lugares bons e eles ainda revezam para acompanhar o fluxo, o cara fica guardando lugar e a mulher sai vendo se tem alguma fila menor. É só grudar atrás de um casal desses.

Na fila tem um bando de adolescentes com camisetas de uma dessas bandas novas de metal que nem sabem fazer um solo de guitarra decente. Estão fazendo bagunça e tirando fotos. De vez em quando espiam com o canto do olho para conferir se estou prestando atenção. Retribuo os olhares, não custa nada e eles precisam de platéia. Meu olhar é preso pela camiseta de um surfista, tem uns kanji nela, estão um pouco estranhos mas consigo identificá-los: ryuu, onna, chikara, kaze, ten, mizu. Dragão mulher força vento céu água. Não faz sentido, provavelmente é só um amontoado de caracteres populares. Um cara tirou foto do rosto do outro de perto, o flash cegou o fotografado. A força da mulher dragão é o vento celestial sobre a água. Olhares de reprovação. A força da mulher é um dragão do vento que movimenta céu e água. A caixa atende sem pressa, demonstrando na prática a leseira baré, a indiferença vingativa dos amazonenses.

Supermercado.