Mon 17 Jan 2005
“Era uma tarde quente em Manaus, como todas as outras. As nuvens carregadas escureciam o dia e a lâmpada fluorescente iluminava mal o quarto, projetando sombras nas paredes. Evitei a tentação da cama, o lençol branco confortavelmente sujo e a minha blusa de moletom cor de carvão jogada na cabeceira.
Parecia ser uma daquelas tardes em que nada iria acontecer.
Alcancei o jornal, uma lapiseira, terminei as palavras cruzadas. Horóscopo: fique em casa, não faça nada, descanse. Com um suspiro, levantei e fui tomar café sem açúcar, já um pouco frio. A blusa na cama estava convidativa. Havia perdido meu travesseiro no hotel e comecei a usá-la para quebrar o galho, mas acabara me acostumando.
Evitei pensar nisso, sentei segurando o café e pus os pés sobre a mesa. Os livros me fitaram rancorosos, sabendo de antemão que eu não leria nenhum agora. O jornal estava aberto por acaso na seção policial. Minha atenção foi atraída por uma chamada, mas mudou de idéia e perdeu o interesse.
De repente, algo atingiu o chão com um baque. Era a saboneteira com ‘ventosas infalíveis’ caindo de novo. Praguejei e decidi jogá-la fora depois. Nada como abrir buracos na parede com uma boa e velha furadeira.
Quando voltei o rosto para o jornal, aconteceu. O nada, quero dizer. O dia estava no fim e nada tinha acontecido. Levantei, as mãos no bolso, olhei ao redor e, por puro tédio, comecei a narrar em voz alta no estilo de uma história de detetive:
“Era uma tarde quente em Manaus, como todas as outras. As nuvens carregadas escureciam o dia….
January 17th, 2005 at 17:48:24
Aaaarrrrghhhhh!!! Um loop infinito!!! Ainda bem que consegui dar Ctrl-C ^^;;
January 18th, 2005 at 10:38:10
:)
January 22nd, 2005 at 22:18:48
Hum, tardes quentes são terríveis. Mas ao meu ver noites quentes são piores, você senta na frente do monitor para enveredar pelo mundo da cultura japonesa enquanto toda uma cultura de insetos retira o sangue das suas pernas. Troco suas formigas pelos meus pernilongos. Que tal?
January 24th, 2005 at 11:11:27
Aqui também tem carapanãs, digo, pernilongos. Não muitas, mas não me deixam em paz. O que posso fazer, elas me adoram :)