Shaman King é um mangá que comecei a comprar a contragosto. Estava francamente cansado de shōnen, especialmente o tipo com torneio de lutas sobre-humanas. Mas foi só ler a primeira edição para ser absolutamente cativado pela personalidade de Yō. Mais algumas edições e eu me apaixonaria sucessivamente pela itako Anna e pelo Haō. Anna Kyōyama em particular ficou vívida o bastante em minha imaginação para que eu sonhasse com ela. O tema de Shaman King, representar uma moral em cada personagem e colocar essas morais em contraste e conflito, acaba ficando como pano de fundo. A característica mais atraente do mangá é que os personagens todos são extremamente carismáticos.

O momento em que o gênio narrativo de Hiroyuki fica mais aparente é quando ele recupera um personagem sem graça. Bokutō no Ryū passou de um vilão saco-de-pancadas estereotípico para um autêntico filósofo das estradas na viagem a Izumo com o Manta. Mais surpreendente pra mim foi ele ter tornado Horo-Horo atraente. Como o “cara extrovertido e barulhento” do grupo, Horo-Horo parecia um personagem irremediavelmente chato (nos dois sentidos). Contudo, no arco do urso Apolo o moleque foi plausivelmente transformado num xamã ainu cool (nos dois sentidos). Até agora estou impressionado que o Hiroyuki tenha conseguido fazer isso.

Enfim, Shaman King é um dos mangás que mais tenho gostado de ler por esses dias.

Trivia: sabiam que a mascote da província de Aomori, Anna-chan, é inspirada pela Kyōyama?