Legiões de amigos perguntaram o que significa o boikofomé, então explicarei o simbolismo. Tá, ninguém perguntou, mas a maioria dos FAQs são assim. Me processem.

Os muitos braços — um viajante de tempos idos certa vez caçoou de uma estátua de Kanon, a deusa budista da compaixão. “Como pode ela ter mil braços?”, riu ele. “É impossível”. O monge do templo respondeu, “dois braços são pouco para uma mãe cuidar de um único filho. Quantos braços não precisa Kanon, que cuida de toda a humanidade!”

Da Vinci foi arquiteto, músico, inventor, engenheiro, escultor e pintor.

A réplica do viajante ao monge foi: “segundo as pesquisas neurocientíficas correntes, seria custoso processar os dados para controlar tantas extensões biológicas. A menos que elas sejam semi-autônomas, apresentando similaridade talvez com os tentáculos octopóides.”

O rosto sombrio — está oculto em trevas. Quem consegue vê-lo?

O verde — eu combino com e camuflo-me no mato, minha origem.

A metade feminina e a metade masculina — gentil ou bravo? Servil ou ditador ou anarquista? Crente ou ateu? S ou M? Humanas ou exatas? Vento ou terra, água ou fogo, Libra ou Escorpião? Vi ou emacs? Eu sou aquele que sou, e o que quero ser.

A ampulheta — ela tem areia fina como quarks. Dez mil gerações de sábios pensaram, e mais dez mil ainda pensarão antes de desvendar a sua origem e destino. Cada grão profetiza um evento, e nela está determinado o fim inevitável de cada um de nós. É a ampulheta da Causalidade, que se vista por mentes fracas traz o desespero, mas vista por mentes fortes, a liberdade.

A maçã mordida — e são muitos os que preferiam não tê-la comido, e viveriam felizes no jardim de infância por toda a eternidade. Mas não nós; não, nós precisamos da Maçã que é → Poder. Nós não “sucumbimos” às “tentações”, nós as queremos, nós as tomamos com paixão e desejo como se toma a uma mulher. Existe apenas o poder, poder para satisfazer a vontade. Compartilhemos maçãs alegremente.

O livro — todo o conhecimento da humanidade está neste livro; através dele, aperto as mãos de homens do passado remoto, e aceno para os que virão depois de mim. Quem sabe o nome deste livro? Na sua capa está escrito Arte, Cultura e Ciência; na contracapa, Sexo, Violência, Vulgaridade, e Zorro. A orelha diz “best-seller por quatro semanas seguidas na Books’r'Us! O melhor livro do ano! — New York Times”. Maktub.

A chave — ela foi obtida pelo livro e pela maçã. O nome desta chave é Esqueleto, pois não há segredo que ela não desvende, com um teste bem-sucedido da perícia ladina Abrir Fechadura. O uso é trabalhoso & difícil.

O texto — citação de um livrinho curto, mas divertido. Bem melhor do que aquele outro carregado pelos homens de terno e gravata. Eu digo: não somos como tais homens. Excelsior, amigos! Ao übermensch! Exceed! Exceed! Para o alto e avante! Shine on your crazy diamond!

O chapéu-coco — pra ninguém levar a coisa toda a sério.