Fri 1 Apr 2005
Talvez os amigos lembrem, meses atrás, de quando uma modelo aqui de Manaus me parou no shopping, declarando entusiasticamente que gostou de meu perfil e me convidando para ir à agência e tal. À época pensei ser alguma “empresa” dedicada a tirar dinheiro de narcisistas inocentes. Concordei com tudo o que ela pediu e nunca mais liguei, saboreando em casa a ego-massagem e ignorando meu cinismo.
Hoje é meu primeiro como desempregado, e de manhã eu andava à toa pelo shopping (a fim de comprar uns CDs) quando fui abordado novamente. A mesma moça. Ela me reconheceu, depois de tanto tempo. Lembrava o meu nome. Mais uma vez fez-me prometer ligar, falou que era só me identificar como “o Leonardo do shopping” que o chefe sabia quem era e estava entusiasmado.
Ainda cético, mas com a vaidade atiçada demais para recusar, liguei e marquei hora. A agência era grande e luxuosa, bem diferente do que pensei. Expliquei que sou computeiro e geek, sigo carreira acadêmica, leio montes de livros por semana e coisa e tal, e que definitivamente não me via como modelo. Pensei que ao saber disso o chefe desistiria. Mas qual! Ele ficou completamente fascinado. Falou que o mercado está precisando justamente causar identificação no segmento culto da comunidade. “As pessoas estão saturadas de modelinho boba, salvem-as-baleias. Precisamos de gente que, quando entrevistada na Vogue, fale sobre Dostoevsky e semiótica.”
Tanto disse que acabei cedendo. Eu dou um belo modelo, afinal. Rostinho de anjo e corpo maleável, que reage rápido a uma boa malhação com fins estéticos. Psicologicamente, tenho todos os traços de personalidade necessários para o trabalho (vaidade, arrogância, narcisismo, estoicismo, excentricidade, exibicionismo). O valor da proposta também foi deveras convincente.
Então, estou abandonando a academia e entrando no mundo de fama e glamour da alta sociedade. A data de hoje ficará marcada no calendário como o começo de uma nova fase em minha vida.
Atualização: caso alguém tenha acreditado, primeiro de abril! ;) O mais incrível é que a história é verdadeira até o segundo parágrafo. A moça de fato me reencontrou e disse tudo aquilo.
April 1st, 2005 at 18:10:48
quando você fizer um calendário, eu quero uma cópia autografada das páginas brilhantes contendo seu corpo, hm, maleável.
April 4th, 2005 at 11:09:31
Suspeita para comentar. Narcisismo beira mais a neurose, psicose? Vou pesquisar…
April 20th, 2005 at 12:05:17
È da pra acreditar…
Se essa foto for verdadeira da pra entender o que ela sentiu!