Sun 3 Apr 2005
Zanza daqui, zanza pra acolá
Fim de feira, periferia afora
A cidade não mora mais em mim
Francisco, Serafim, vamos embora
Não é perfeito o terceiro verso? Transmite claramente a sensação peculiar de nostalgia adiantada, tão familiar para nós quase-nômades.
Pois é, ignorei o ditado do jaraqui (”quem come não sai daqui”), não me calei com feijão nenhum, mandei a “vida pra levar” à PQP e ao meio-dia disse “não”. Agora sinto-me em paz, como um soldado que lutou muito e retorna com cicatrizes.
Este é meu penúltimo dia em Manaus. Seria mais dramático escrever amanhã, mas temo que não terei tempo de vir à lan. Já antevejo o que vão me perguntar: viu a mata? O rio Amazonas? Selvagens primitivos? Animais? Natureza?
As respostas, respectivas: só terrenos baldios. Todo dia, da janela multinacional do escritório. Muitos, no trânsito, no cinema e nos balcões. Cães vira-latas, mendigos e gatos mortos. A minha própria.
Voltemos à cidade pretensa-européia onde até as árvores fazem de conta que existe outono. Lá se pode ser polido e distante e as pessoas retribuem — maravilha das maravilhas! — sendo polidas e distantes. A tranqüilidade de se estar a milhas e milhas de todo mundo. Mas primeiro à minha terra, onde não há nada de interessante e nunca acontece coisa alguma. Um mês no interior, pure bliss. E de frutas vermelhas no copinho.
Manaus foi uma experiência boa, a Conectiva foi uma experiência boa, mas sou pássaro em gaiola. Sayounara bye-bye.