Pois que venha o sofrimento.
Tem de haver choro e ranger de dentes, lógico, senão não é sofrimento de verdade. Tem de haver posts hiena-Hardy-Har-Har destruindo qualquer pretensão de qualidade no weblog, tem de haver apatia e solidão e tristeza profunda. Não fui eu mesmo quem preferiu assim? Desde o momento em que optei pela verdade, sabia que assumia a responsabilidade pelo sofrimento. A verdade! Não a Verdade — como diria Érico Veríssimo — mas a verdade mesmo, com “v” minúsculo. Doa a quem doer, e “sabemos bem como dói, sacrificando crença após crença no altar da verdade”. Agora estou longe demais para voltar, e também não quero mais voltar, obrigado. Antes a angústia, antes o desespero ocasional do que o suicídio progressivo que é uma vida enganando a si mesmo. Negar meus impulsos, reprimir minha vontade, cegar-me à minha natureza, atentar contra a própria vida — não eu! Torna-te quem tu és, torna-te quem tu és, não existe outro mandamento. A verdade dói mas liberta, e eu já voei tão longe.
É um sentimento propício à estação, de qualquer forma. Não dá para aproveitar uma tarde cinza e chuvosa do inverno curitibano sendo feliz em tempo integral. Não dá para curtir de verdade um blues ou um enka sem conhecer as lágrimas da vida.
Venha então, dor, que te espero de braços abertos. Dormirei contigo quantas noites forem necessárias, mas farei questão de cobrar cada minuto em deleite, e com juros de agiota! Com fúria de amante vingativo! Venha com seu melhor golpe, que não cairei facilmente! E mais frases melodramáticas com pontos de exclamação e tudo o mais.