Fri 10 Jun 2005
1. É só isso
No começo você não tem escolha. Eles te mandam passar o dia em um lugar seguro, porque eles estão ocupados e não podem tomar conta. O lugar seguro é controlado, mas muito chato; você fica horas sentado sem fazer nada. A maioria das pessoas é estúpida e entende essa chatice como uma propriedade inerente à vida. Elas continuam sentadas, “envelhecem, trabalham, e morrem. Antes de morrer têm filhos, que envelhecem, trabalham, e morrem, e antes de morrer têm outros filhos.”
É diferente quando você é curioso. Você começa a estudar as engrenagens e mecanismozinhos da máquina. Nadar dentro do labirinto. Tem todo um jogo gigante de interesses e poderes, com células de vários níveis competindo ou cooperando e alianças e inimizades mudando o tempo todo. Tem um zilhão de coisas para ocupar a mente, algumas mais cativantes, outras tediosas. Dependendo dos seus interesses eles te pegam pra dedicar atenção em algumas das coisas tediosas, e com isso você ganha sua própria fatia de torta. Bilhetinhos de parques de diversões. Você anda por aí sem rumo, pelas ruas, compra brinquedos caros e esquece deles no dia seguinte, come em restaurantes por falta do que fazer. O dinheiro nunca acaba, sempre tem alguma máquina para ser engrenagem, algum diabinho pra negociar. Você não se interessa realmente em jogar a sério e anda por aí sem rumo, living lavishly pelas ruas, deitando com uma prostituta de cada vez. Somos escravos da preguiça e tédio, não suportamos ficar sem fazer nada e não queremos fazer coisa alguma. E daí você morre.
2. Paradise lost
Eu olho para nossos velhos grilhões, para as coisas das quais nos livramos com tanto esforço e sangue — família, papéis sexuais, trabalho, religião, repressão, censura, reasons why — e penso que qualquer coisa importante ficou para trás e está fazendo falta. Algo que estava onde ninguém reparou, nem as pessoas de antigamente, nem a révolution. Não, senhores anacrônicos, não estava naquilo que os antigos achavam importante — nem na fé, nem nas explicações cosmológicas, nem no medo do diferente, e definitivamente nem um pouco na moralidade. Estava justamente nas coisas que eles consideravam supérfluas: as imagens e os rituais. Descobrimos que o conteúdo do presente era uma bomba e o jogamos fora, mas a embalagem era puro ouro.
(É por isso que os evangélicos não têm alma. A coisa mais importante que os católicos fizeram foram as estátuas, os vitrais, os sacramentos. Camponeses que não conhecem arte, os evangélicos nos dão só a parte inútil.)
“Torne-se você mesmo”. Então eu devo ser um arqueólogo e fuçar as ruínas do mundo que acabou.
June 11th, 2005 at 08:03:36
alguns tipos de rituais se perpetuam de uma forma ou de outra, mas perderam o sentido iniciático ou transformador, você entra e sai praticamente igual, é só o momento dos gestos & cenas, o ato, aqueles instantes que ressoam. e só por instantes, também.
você já leu camille paglia? ela fala um pouco de como mitos, personas & ritos vão se transformando e como remontam e por que ressoam. mas não conta, não, isso ela não diz, que os vitrais têm uma luz linda mas que se apaga quando você vira as costas.
July 3rd, 2005 at 13:21:42
HÁ PARA TODAS AS COISAS UM TEMPO DETERMINADO POR DEUS!!!
EM DEUS Ñ HÁ SOMBRA DE MUDANÇAS………
OPTE POR JESUS CRISTO