Fri 15 Jul 2005
Ela falou que me ama
mas ama só meu tornozelo;
Eles, “contamos contigo”
(só com a falange dos dedos.)
Aquele outro admira
meu cotovelo esquerdo;
Esta quer muito mudar-se
e morar junto de minhas
amídalas.
Pego o serrote e me serro
em pedacinhos, os olhos
sirvo em uma bandeja.
Tudo o que sobra, escondo
em sacos pardos de papel.
Já nem sei mais remontar-me,
o quê vai onde, o que falta:
não-único.