O que Schopenhauer disse pra Wittgenstein?
O mundo é tudo o que é ocaso.
Tue 30 Aug 2005
O que Schopenhauer disse pra Wittgenstein?
O mundo é tudo o que é ocaso.
Thu 25 Aug 2005
Um resultado da aula de hoje em Redes de Petri:
A vivacidade não é monótona!
Há quem considere as aulas de Redes de Petri uma seqüência infinitamente repetitiva e monótona, mas tal implicação é falaciosa. As aulas possuem vivacidade e portanto não são monótonas.
(A piada de hoje foi orgulhosamente compreensível apenas para estudantes de Redes de Petri e formalismos matemáticos similares).
Wed 24 Aug 2005
Inspirado pelo hábito do boto de guardar registros de conversas por IRC e IM, comecei a selecionar algumas citações interessantes. Estou deixando-as aqui, e vocês podem saber se tem algo novo olhando a data de modificação dos arquivos (acrescentarei coisas ao final deles).
Tue 23 Aug 2005
Uma das coisas que cavuquei nesta última viagem aos subterrâneos: prudência demais vira covardia. Você começa a se esconder das coisas só por segurança, e quando vê está supersensível, fantasiando monstros. (more…)
Fri 19 Aug 2005
Era uma vez um viajante que andava pelo mundo todo. Um dia, enquanto atravessava certa cidade, uma pequena menina começou a apontar para ele, rindo e caçoando de sua barriguinha. O homem, que se considerava atlético e tinha nojo de barriguinhas, notou que de fato uma saliência com dobras de gordura despontava sob sua camiseta. Tomando coragem, levantou-a e descobriu um pequeno porquinho vestindo fralda, babador e chapéu de nenê. O porquinho sugava seu sangue e o encarava com uma expressão chorosa, angustiada, enraivecida. Quando o viajante tentava puxar, ele mordia com mais força e grunhia como se o acusasse. Sem alternativa, acabou indo até o hospital mais próximo. O médico se prontificou a ajudá-lo e, suando pela dificuldade da operação, extraiu o porquinho, que foi jogado no lixo. Quando teve alta, para sua surpresa, o viajante descobriu que agora era moda na cidade carregar um porquinho parasita no ventre, e embora eles fossem dolorosos, incômodos, feios e ingratos, todos andavam por aí com seus porquinhos. O viajante seguiu viagem e passou dez anos longe. Quando voltou, os porquinhos haviam crescido e se tornado suínos gigantescos, obesos, ainda vestidos com roupas de bebê. Em uma manobra combinada, desgrudaram-se de seus hospedeiros, rolaram pela cidade e destruíram tudo, enquanto o viajante observava refugiado em uma montanha. Moral da história: não tenha dó de porquinhos parasitas.
Thu 18 Aug 2005
Tue 16 Aug 2005
omg rofl!!1!1 (Sheldon, grato pela referência)
Mon 15 Aug 2005
Com mesóclises e a letra “t”. (more…)
Fri 12 Aug 2005
Para os amigos que vivem dizendo que eu preciso economizar, que se cuidasse do meu dinheiro já estaria bem de vida e tal:
Se eu não pudar gastar meu salário com leitura, gastronomia e mulheres, vou me retirar do mundo e virar monge budista, passando os dias calmamente em contemplação. Essas coisas são meus únicos três vínculos com a sociedade. Por elas é que suporto todo esse ruído visual, auditivo, olfativo, tátil.
Thu 11 Aug 2005
É verdade que quase nunca vou lá. Não gosto de shopping. O Estação é meu cinema-hollywoodiano padrão, o chocolate da Kauf é ótimo, o sorvete da D’Vicz também, o fast-food italiano é excelente, e o japonês, suficientemente bom, mas continuo não gostando de lá. De outros shoppings, então, tenho aversão. O Curitiba só se salva pelo italiano faça-você-mesmo e o nikuman.
Só que eu tenho medo do shopping Curitiba. Eu sei que aqueles murinhos são seguros e que ninguém pisa em falso. Mas quando eu olho para o abismo do terceiro ou quarto nível as lojas giram em vertigem com todos aqueles cartazes de pessoas-falsas-felizes, e famílias de lindos filhinhos loiros de olhos azuis, e manequins sem cabeça, e dentes brancos brilhantes, e plástico e metal precioso, tudo é um rodamoinho e eu quero pular, me jogar de cabeça, nem sei se pra protestar ou pra finalmente me render ao marketing e pousar num colchão macio de cartões de crédito.
Wed 10 Aug 2005
No dia 29 de julho a tripulação da nave espacial Discovery acordou com o tema de Meu Vizinho Totoro (Tonari no Totoro), um dos mais famosos desenhos de Hayao Miyazaki. Preparando-se para a sua caminhada lunar neste dia, o astronauta Soichi Noguchi, de 40 anos, tocou a gravação que fez de sua filha cantando Sanpo (Caminhada), o tema de Meu Vizinho Totoro.
(Herói)
Uma de minhas músicas favoritas, tocada em um momento bastante propício no espaço. A vida dessas pessoas deve ser plena.
Enquanto isso, milhares de quilômetros abaixo, não há um cinema em Curitiba exibindo “Howl’s Moving Castle” legendado…
Wed 10 Aug 2005
O Shigure é o personagem mais tridimensional de Fruits Basket. Todos os outros são superplanos, puros personagens de animê mesmo, arquétipos psicológicos tornados desenho. Ver o romance entre Tōru e Kyo é curioso, um affair entre deuses, não entre pessoas. Hiro tem uma personalidade realista, mas seu tipo de confusão infantil é facilmente dramatizável e não muito profunda. Não que haja algo errado com isso, lógico. Adoro personagens de animê.
Shigure “água-viva” seria um personagem típico mesmo sem o seu lado secreto (de fato, ele é retratado assim no animê) . Mas sua personalidade no mangá é humana, aproximando-se da classificação Natureza/Comportamento dos jogos da linha Storyteller. Admito que virei fã do Shigure como personagem de animê mesmo (um escritor japonês boa-vida e meio pervertido que fica de quimono o tempo todo? Onde é o fã-clube?). Mas foi uma surpresa agradável vê-lo mais desenvolvido.
Tue 9 Aug 2005
Curitiba é fria e úmida, o elemento água do naturalismo antigo: inverno, fleuma, calma, apatia. Sabemos que o sol se foi quando as nuvens apagam e os postes acendem, há uma orgia de chuva com luz amarela. A cidade toda torna-se uma foto sépia de Dali, escorrendo. (more…)
Tue 9 Aug 2005
Exame de nivelamento de japonês do Celin. Duas pessoas na sala. Uma, Teruko-sensei. Outra, este humilde servo, surpreso pelo teste ser com Teruko-sensei.
— Examine este livro com atenção e descubra onde você está. Eu vou ao banheiro.
(Que teste. Folheio o livro. Não consigo ler facilmente o texto do capítulo 15. O do capítulo 10, sim. Fuço um pouco e concluo que estou por volta do 13. Então devo cursar o Básico III, que engloba os capítulos 10~15.)
— E então?
— Acredito que é bom eu fazer o Básico III.
— Tudo bem, então você vai fazer o Básico IV pra ir mais rápido. Consegue?
— Hai, ganbarimasu.
Thu 4 Aug 2005
Copiar-e-colar na veia! Declaro hoje o Dia do Pós-Modernismo no diário. Os meus leitores (cof, cof) com certeza vão achar isto familiar:
Strangest of all, they have a religion with lots of rituals but no god! Western people would say ‘Where’s the beef? How can you sustain a belief system without providing some ultimate justifying content like an unseen, all-powerful creator?’ The answer is that, in Japan, god is in the details, in the yakimono teacup and the way you turn its rim three times before sipping the powdery green matcha. Form itself is god.
Thu 4 Aug 2005
E dá-lhe bloco de notas.
Murakami first arrived at the concept of superflat as it pertained to his own art. “I’d been thinking about the reality of Japanese drawing and painting and how it is different from Western art. What is important in Japanese art is the feeling of flatness. Our culture doesn’t have 3-D,” he says. “Even Nintendo, when it uses 3-D, the Japanese version looks different from the U.S. version. Mortal Combat in the U.S comes out as Virtual Fighter in Japan and it’s different.”
Superflat (contém pornografia)
Thu 4 Aug 2005
Wittgenstein: “We must do away with all explanation, and description alone must take its place.“
Engraçado. Eu já vi pensadores independentes afirmando precisamente isso como o segredo da boa poesia, o segredo da boa prosa, o segredo da boa pintura, o segredo do bom código-fonte, o segredo da boa interface…
Wed 3 Aug 2005
Ultimamente estou usando o weblog como bloco de notas. Talvez devesse colocar essas coisas no meu del.icio.us, mas vá lá. A citação de hoje tem a ver com um problema que encontro com freqüência. Místicos e religiosos, ao se depararem com sistemas de pensamentos diferentes dos seus, tendem a cair em uma de duas atitudes: rejeição violenta, ou aceitação superficial. Os que se dão conta de como doutrinas diferentes são perigosas umas para as outras — cada uma “puxa” o praticante para um lado — simplesmente agarram-se à sua própria e recusam-se a admitir o valor de qualquer outra. Outros percebem a irracionalidade de tal reação, mas não querem renunciar a suas crenças particulares; então, apelam pra cegueira voluntária. Com doublethinking pode-se ignorar as diferenças gritantes na essência de cada ensinamento, pode-se enxergar apenas as superficialíssimas semelhanças e chegar a uma conclusão nova-era: “todos os caminhos levam pro mesmo lugar”.
Tipo, não levam. Está errado. Parem de dizer isso. Ficar repetindo uma mentira não a tornará realidade.
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Existem muitas maneiras de dividir e classificar sistemas de pensamento, mas a minha favorita é em “do céu” e “da terra”. Religiões e doutrinas “do céu” desprezam a vida do dia-a-dia; elas são a fonte da conotação pejorativa que existe em “mundano”, “terreno”, “material”. Elas buscam escapar da realidade através do “céu”, de paraísos, conhecimentos ocultos, coisas invisíveis, astral, magia, salvadores, redenção, ideais — em uma palavra, fantasias. Já as “da terra” fazem precisamente o contrário: encorajam o seguidor a vencer o próprio receio, tomar coragem e mergulhar na realidade até a cabeça.
De um lado do ringue, temos cristianismo, judaísmo, islamismo, esoterismo moderno, grupos salvacionistas, ascetas, hindus, Platão, Kant. De outro, budismo, taoísmo, ateísmo, Epicuro, Nietzsche. A divisão não é completamente acurada, e os integrantes de cada grupo são tão diferentes entre si quanto feijão e aveia, mas ainda assim a idéia serve para ilustrar algumas diferenças importantes.
Por exemplo, quase sempre as doutrinas “do céu” chegam a uma lei moral bem definida, com bem e mal absolutos. E quase sempre as doutrinas “da terra” reconhecem a relatividade, transitoriedade e inadequação de rótulos morais. O exemplo abaixo é um ponto de vista muito bonito do Crowley. Quem disser que é a mesma coisa que cristianismo leva uma bicuda.
There is beauty in every incident of life; the true and the false, the wise and the foolish, are all one in the eye that beholds all without passion or prejudice: and the secret appears to lie not in the retirement from the world, but in keeping a part of oneself Vestal, sacred, intact, aloof from that self which makes contact with the external universe. In other words, in a separation of that which is and perceives from that which acts and suffers. And the art of doing this is really the art of being an artist. As a rule, it is a birthright; it may perhaps be attained by prayer and fasting; most surely, it can never be bought. But if you have it not. This will be the best way to get it — or something like it. Give up your life completely to the task; sit daily for six hours in the Old Absinthe House, and sip the icy opal; endure till all things change insensibly before your eyes, you changing with them; till you become as gods, knowing good and evil, and that they are not two but one.