Com mesóclises e a letra “t”. Maldade tua, pedir para que eu não te dissesse obrigado. E como poderia? Meu “obrigado” não foi voluntário mas causado, revelando a origem da palavra. Como não dizer obrigado quando tudo o que sou é alívio, alívio depois de uma tempestade varrer todo o entulho?

Sou grato por teu jeito nobre, por tua indiferença, por tuas flutuações de humor. Por teu narcisismo, teu riso e aquela tua expressão estranha e perdida. Grato por te ver às vezes assim, às vezes assado, ondulando, por teus sonhos e frustrações, teus ódios. Grato pelos livros, por seres profissional no que sou amador — demonstrando assim até onde posso chegar. Grato por tuas pintinhas, teus pêlos do braço, teus óculos tortos, e principalmente por aceitares estas & outras coisas de ti mesma, por surpreender, por provar que eu estava errado sobre o que não queria estar certo, por poder te olhar nos olhos, enfim, porque tu és tão livre.

Maldade tua, pedir para eu não dizer obrigado. Não te agradeci por suportar minha presença fastidiosa (cof); não sou tão bobo assim, ó dama. Sei que endorfinado & dopaminado sob teu glamour não sou capaz de mais do que balbuciar alguns clichês, mas também sei bem que “os pássaros calar-se-ão na primavera, as cigarras no verão, e um cão arcadiano tornará suas costas a uma lebre antes que uma mulher recuse as palavras elogiosas de um jovem”. Não, não é por sacrifícios que te agradeço, mas por existência. Agradeço como agradeço à chuva, como agradeço às coisas, às carpas: agradeço por um pedaço tão interessante de realidade & humanidade.

Ah, livros & marcadores de tempo eu deixarei com ele.