Mon 15 Aug 2005
Com mesóclises e a letra “t”. Maldade tua, pedir para que eu não te dissesse obrigado. E como poderia? Meu “obrigado” não foi voluntário mas causado, revelando a origem da palavra. Como não dizer obrigado quando tudo o que sou é alívio, alívio depois de uma tempestade varrer todo o entulho?
Sou grato por teu jeito nobre, por tua indiferença, por tuas flutuações de humor. Por teu narcisismo, teu riso e aquela tua expressão estranha e perdida. Grato por te ver às vezes assim, às vezes assado, ondulando, por teus sonhos e frustrações, teus ódios. Grato pelos livros, por seres profissional no que sou amador — demonstrando assim até onde posso chegar. Grato por tuas pintinhas, teus pêlos do braço, teus óculos tortos, e principalmente por aceitares estas & outras coisas de ti mesma, por surpreender, por provar que eu estava errado sobre o que não queria estar certo, por poder te olhar nos olhos, enfim, porque tu és tão livre.
Maldade tua, pedir para eu não dizer obrigado. Não te agradeci por suportar minha presença fastidiosa (cof); não sou tão bobo assim, ó dama. Sei que endorfinado & dopaminado sob teu glamour não sou capaz de mais do que balbuciar alguns clichês, mas também sei bem que “os pássaros calar-se-ão na primavera, as cigarras no verão, e um cão arcadiano tornará suas costas a uma lebre antes que uma mulher recuse as palavras elogiosas de um jovem”. Não, não é por sacrifícios que te agradeço, mas por existência. Agradeço como agradeço à chuva, como agradeço às coisas, às carpas: agradeço por um pedaço tão interessante de realidade & humanidade.
Ah, livros & marcadores de tempo eu deixarei com ele.
August 16th, 2005 at 09:27:07
nosso amor é impossível, porque você é do Caeiro e eu sou do Campos. não vejo como agradecer às coisas por serem coisas, ou vejo, mas não eu sendo coisa - maçã só casca -, par de passos e lábios. rrrrrr, sob a luz amarela das lâmpadas elétricas, eu existo e tenho febre.
e duh, eu posso pegar os items supracitados com você mesmo, na quarta-feira, se dessa vez não foi a overdose final de todas do mundo.
August 16th, 2005 at 10:10:48
Completamente impossível, é verdade. Mas só vou me overdosar quando morrer sorrindo¹, ó patrícia romana impossivelmente nobre e nefasta (sou seguidor do Caeiro mesmo, porém tenho admiração profunda por “Tabacaria” e tais delírios sartreanos).
1) tipo o cara de “As Invasões Bárbaras”
August 16th, 2005 at 10:11:08
Comentário com nota de rodapé é o fim.