Era uma vez um viajante que andava pelo mundo todo. Um dia, enquanto atravessava certa cidade, uma pequena menina começou a apontar para ele, rindo e caçoando de sua barriguinha. O homem, que se considerava atlético e tinha nojo de barriguinhas, notou que de fato uma saliência com dobras de gordura despontava sob sua camiseta. Tomando coragem, levantou-a e descobriu um pequeno porquinho vestindo fralda, babador e chapéu de nenê. O porquinho sugava seu sangue e o encarava com uma expressão chorosa, angustiada, enraivecida. Quando o viajante tentava puxar, ele mordia com mais força e grunhia como se o acusasse. Sem alternativa, acabou indo até o hospital mais próximo. O médico se prontificou a ajudá-lo e, suando pela dificuldade da operação, extraiu o porquinho, que foi jogado no lixo. Quando teve alta, para sua surpresa, o viajante descobriu que agora era moda na cidade carregar um porquinho parasita no ventre, e embora eles fossem dolorosos, incômodos, feios e ingratos, todos andavam por aí com seus porquinhos. O viajante seguiu viagem e passou dez anos longe. Quando voltou, os porquinhos haviam crescido e se tornado suínos gigantescos, obesos, ainda vestidos com roupas de bebê. Em uma manobra combinada, desgrudaram-se de seus hospedeiros, rolaram pela cidade e destruíram tudo, enquanto o viajante observava refugiado em uma montanha. Moral da história: não tenha dó de porquinhos parasitas.