Uma das coisas que cavuquei nesta última viagem aos subterrâneos: prudência demais vira covardia. Você começa a se esconder das coisas só por segurança, e quando vê está supersensível, fantasiando monstros. Fácil papagaiar “seja você mesmo”, “não se importe com o que os outros pensam” e outros clichês auto-ajudísticos, mas compreender são outros seiscentos.

Então decidi parar de me esconder e publicar minhas anotações privadas. Tive um grande sentimento de poder: estava livre. Mas aí, do nada, descobri que não queria mais. Ia causar muito frisson. Pode parecer que no fim fiquei na mesma, mas a diferença é toda do mundo — estou sendo discreto porque pensei calmamente a respeito, e não por aquele temor abafado, cáustico.

De qualquer forma, lá vai um rascunho antigo, editado para eliminar detalhes.

Um toque

Caro Mundo:

Aqui estou. Podem me odiar agora, parei de me importar lá pelos dezesseis anos. Vocês que se fodam.

Atenciosamente,

L. B.