Fui comprar uns legumes no mercadorama e a menina no caixa era pequenininha. A cabeça de alho que eu queria era leve demais pra balança. Então percebi-me completamente adulto —
October 2005
Fri 28 Oct 2005
Thu 27 Oct 2005
Enterrado em mais tarefas do que sou capaz de cumprir, observei algumas coisas úteis para a eterna luta contra a procrastinação. São táticas bem pessoais e que talvez não sirvam pra mais ninguém, mas em todo caso decidi registrá-las.
(E não estou jogando tempo fora =D saí de casa pegar um livro de C++ e fiquei subitamente preso na faculdade por uma chuva repentina.)
Tue 25 Oct 2005
Pra todo mundo que está (em vão) esperando coisas de mim, a desculpa: estou completamente soterrado por coisas atrasadas da faculdade. Preciso me isolar do mundo por um tempo.
Fri 21 Oct 2005
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p>Vinte e dois. Ficássemos mais dezenove dias juntos, e teria sido meu quinto sexto aniversário contigo. Mas, ao mesmo tempo, não seria. (more…)
Thu 20 Oct 2005
Excelente, Enviro. Muito vivo, e parecido comigo também. Quando (ou se) eu desenhar assim fico feliz. Estou grato; foi um belo presente de aniversário.
Em tempo: o desenho é de autoria do Enviromental. Nanquim 0.6, 0.3 e pincel, mais lápis 6B.
Thu 20 Oct 2005
- Ter a matéria em dia: você aprende a matéria no mesmo dia da prova (tipicamente entre meia-noite e seis da manhã). “Ter” aqui vem de “obter”, não de “manter”.
- On-demand topic learning: técnica aplicada em matérias nas quais o professor baseia a prova numa lista de exercícios. Você anota todas as palavras que não conhece usadas na lista, e pesquisa-as na biblioteca ou na wikipedia. Pode ser combinada com “ter a matéria em dia”.
- Curva (exponencial, assintótica) de esforço: modelo gráfico que descreve a quantidade de esforço aplicado para terminar um trabalho ou tese, com tempo decorrido no eixo x.
- Prova com emoção: sem emoção é quando você acompanhou a matéria. Estudantes blasé fazem provas sempre com emoção.
- Tive que passar a noite/fim de semana estudando: eufemismo para “passei todo o resto do tempo sem fazer nada”.
- Coruja, zumbi: descrições gráficas de quem teve que passar a noite estudando.
Referentes ao dia-a-dia:
- Just-in-time dishwashing: técnica na qual você deixa a louça suja na pia e só lava algo quando for usar. Pronunciado com ênfase nos “sh”.
- Plantação de cogumelos: a louça, quando dos fungos já começam a brotar cogumelos.¹
- Perguntar pro alface lá em casa: o alface está há tanto tempo na geladeira que tornou-se um oráculo sábio.
- Mar da podridão (ja. 腐海 fukai): a cozinha com louça suja, fogão sujo, chão sem limpar e montes de sacos de lixo e caixas de pizza. Expressão original de Nausicaä, parodiada pela primeira vez no Furuba.
- Os quatro grupos alimentares: piadinha batida que cada um enuncia de um jeito. Variações típicas são “salgadinhos, chocolate, refrigerante e sorvete” ou “x-salada, café, pizza e pão de queijo”
- Os três alimentos: pizza para o corpo, café para a mente e sushi para a alma.
- Dois lados da cueca: técnica de economia de esforço. “Sua cueca tem dois lados. Use-os.”
- Beber do mesmo copo de requeijão: receber uma menina em casa. Você usa um copo só para ser romântico e não sujar muita louça.
- Não-dinheiro: sua conta corrente caiu para baixo de zero, mas você continua comprando coisas com seu não-dinheiro (de cheque especial ou crediário).
[1] Situação cuja possibilidade confirmo por experiência própria.
Thu 20 Oct 2005
A catequese ensina a Bíblia do jeito errado. Cortam fora todas as partes legais. Estava fuçando por aí e encontrei um monte de coisa interessante, como romance… e sexo.
Wed 19 Oct 2005
Não, não faz isso, rapaz. Não pára. Não descansa. Tu não o podes. Tens para ti as provas e os trabalhos e as obrigações — não dá espaço para lembranças entrarem, não agora. Não, pára com isso, não fica com vontade de desenhá-la — é vontade obscena, errada, não a tenha, não queira ouvir aquela música, mexer naquelas fotos — fica longe das fotos! Ocupa tua mente, trabalha, trabalha sem parar, não pensa —
Tue 18 Oct 2005
Se não sou ao quadrado,
sou metade.
(Da série: quem souber ler, que leia)
Tue 18 Oct 2005
Você é como eu e se intimida quando tenta desenhar? Até consegue copiar bem à mão livre, mas tudo o que tenta fazer parece pálido, chato, sem graça, sem vida? Você invariavelmente se frustra e, antes de terminar, amassa o papel e joga fora?
Faça o seguinte: vá à papelaria ou supermercado mais próximo e compre uma caixa de giz de cera. (more…)
Mon 17 Oct 2005
O movimento com que a criada terminou de servir o chá foi gracioso, mas os dois não o perceberam. Eles pareciam olhar para baixo, mas a criada percebeu a forma com que se fitavam. Aos mortais e espíritos é sábio não se envolver com esses assuntos, e ela retirou-se discretamente.
— Sua visita é uma honra para minha casa, Augusto Mensageiro Celestial Tianlong. De que maneira esta serva poderia atendê-lo?
— Seus modos diretos são apreciados, Augusta Senhora dos Rios Dilong, e sua hospitalidade não será esquecida. Venho em nome do Divino Imperador Celestial acompanhar o despertar do Augusto Senhor do Espírito, Shenlong.
— O Divino Imperador Celestial preocupa-se com meu filho? Mas não é possível conter a vontade de Shenlong.
— A vontade do Augusto Senhor do Espírito é absoluta, confirmou Tianlong. Mas estou encarregado de informar aos céus se o Augusto Senhor do Espírito ainda mantém as intenções do passado, e qual será o curso de suas nobres ações.
— E o que acontecerá…?
Os pequenos olhos castanhos de Dilong tremeram imperceptivelmente. Ela pareceu crescer em postura.
— Augusto Mensageiro Celestial Tianlong, o que acontecerá se meu filho repetir as ações do passado?
— Chi You será libertado do cativeiro para selar o Augusto Senhor do Espírito por mais mil anos.
“Chi You!”, pensou Dilong, mas não demonstrou nada.
(more…)
Sun 16 Oct 2005
Mas para mudar completamente de assunto…

E por esta razão ele deseja a mulher, como o brinquedo mais perigoso de todos.
Sun 16 Oct 2005
Se somos iguais somos distantes,
porque ermitões.
Mas nos olhamos
e em um instante cruzamos o infinito.
Digo teu nome e não tem mais volta.
Cientes de tudo, escolhemos
não ter escolha.
Os deuses, de tão elevados, são chatos.
Cheios de frescuras e mesquinharias,
crueldade pensada e vingança lenta.
Nós, mortais, tendo um ao outro,
livramo-nos deles num sacolejo.
orgulhosos de nossos defeitos,
nós nos amamos.
(Da série: quem souber ler, que leia)
Sat 15 Oct 2005
Não faz a barba.
Não lê jornal.
Não usa sapato.
Não toma leite desnatado.
Não gosta de crianças.
Não espera.
Não ama.
É um deus velho e terrível
que quando acorda quer sangue.
(Da série: quem souber ler, que leia)
Fri 14 Oct 2005
Manhã feliz de primavera de computeiro
Posted by leoboiko under Palavras , Computadores , Pessoal , Diário , Crônicas[3] Comments
Sexta passada eu tinha uma apresentação sobre a quantas anda meu trabalho de graduação. Segue uma representação em arte Unicode do estado atual de meu TG:
△ ┃ ┃ ┃0┃ ← posição atual (estaca) ┃ ┃ direção geral do objetivo →
Fiquei matando tempo até quinta à noite, quando comecei a estudar sobre o que falaria no dia seguinte.
Melhor dizendo, no mesmo dia, pois já era sexta. Fui dormir às quatro, acordei às nove e atravessei a rua para alcançar o Politécnico.
No fim o rapaz que apresentou seu projeto de mestrado antes de mim acabou ocupando todo o tempo, e remarcamos para hoje. Ganhei preciosos sete dias para preparar os slides.
Adivinhem quando comecei a escrevê-los? (more…)
Thu 13 Oct 2005
Uma semana e um dia do meu aniversário (dia 21, pra quem não quer fazer conta), e vou roubar a idéia de alguém e fazer uma lista de resentes.
Primeiro, presentes que custam dinheiro:
- Álcool. Vinho branco ou tinto ou rosê (Campo Largo não vale), saquê (Azuma Kirin tipo mirim não vale), vodka, qualquer bebida gostosa.
- Roupas. Pode ser tipo “fã de animê”, “intelectualóide curitibano” ou “modelo de revista G”. Coisas que ando atrás incluem uma gravata preta (prefiro falsa), chapéu antigo (feltro ou similar), camisa estilo Renato Russo, terno Mao, e sobretudo Dick Tracy. Esses últimos eu já considero um presente se você me contar um lugar onde posso encontrá-los. Atualização: Não sei como esqueci dos óculos escuros redondinhos que procuro há meses.
- Chá verde. Qualquer sencha ou gyokuro tá valendo.
- Livros. Qualquer um tá valendo.
- Música. Dá pra sacar um pouco o tipo de coisa que escuto no last.fm.
Mas eu sei que ninguém que está lendo isso vai gastar dinheiro me dando presentes de aniversário, então a segunda lista é de presentes que só custam tempo:
- Testemunhos no orkut. Não tenho nenhum.
- Poesia. Manda aí um mail com algo de seu autor favorito, ou me escreve alguma coisa, mesmo que você ache que não sabe escrever “poesia de verdade”. Pode ser um haicai ou um petit poème en prose.
- Qualquer outra coisa que você faça. Desenho, foto, comentário em blog.
A terceira coisa eu desisti de conseguir e peço pro deus dos ateus¹: compreensão, aceitação e sensibilidade. Mas sei lá, estou sonhando alto. Alguns nascem póstumos.
[1] O “nenhum”. Todos os ateus acreditam que Deus Nenhum existe.
Wed 12 Oct 2005

Olhem isso aí do lado. Não, olhem bem pra isso. Sore wo mite. Sore no kao wo yo〜ku mite.
Sabem o que é isso?
Exatamente.
Eris e Crom e Mitra, são FORMIGAS! Montando colônia no meu aconchegante quarto em Curitiba! Só pode ser perseguição. Nessas horas eu tenho certeza de que não só Deus existe, mas ele é insano, sádico e extremamente vingativo com os infiéis.
Tue 11 Oct 2005
Stairway to Heaven¹, uma das músicas que todo iniciante em guitarra quer tocar, é aclamada por muitos como a melhor canção de rock de todos os tempos. Não me levem a mal, eu adoro essa música (ainda mais que ela faz referência à duas coisas que curto muito), mas se eu fosse eleger a melhor canção de rock de todos os tempos, o troféu sem dúvida iria para Shine on You Crazy Diamond². Vinte e cinco minutos de puro orgasmo progressivo. Tudo nessa música é maravilhoso, a melodia, o sentimento, a letra.
Então às vezes acontece qualquer coisa e eu fico assim, escandalosamente feliz. Expliquem-me a mim a minha cabeça, ó psicólogos, acaso portarei depressão maníaca? Conversei com uns amigos, ouço Janis e Doors e Pink Floyd, tenho um trabalho com horário flexível, tomo chá verde, fui para a prova de Redes de Petri e o professor deixou para entregarmos semana que vem, moro perto do Politécnico, a casa está cheia de biólogos para um congresso (e biólogas, adoro biólogas), comprei vinho caseiro, cigarras cantam no quintal, programo em Ruby e é tudo tão lindo que quase me afogo de tão alegre.
Estou relendo o último post e não consigo nem lembrar daquele sentimento. Flutuações de humor, bah.
[1] Nota para os brasileiros: é stairway, “escadarias”, e não starway, “caminho de estrelas”.
[2] Nota para os brasileiros: é you crazy diamond, “você, diamante louco”, e não your crazy diamond, “o seu diamante louco”.
Tue 11 Oct 2005
Às vezes quero largar mão de tudo. Ando por aí nessa cidade que detesto, pensando que outras piores me aguardam, infernos de chão cada vez mais duro e ar cada vez mais fedido. Fico largado no quarto escrevendo scripts no computador, tempesteando em copos d’água emocionais, deprimido por uma flame ou porque dois vizinhos brigaram. Às vezes tudo isso me ofende como se eu fosse não humano mas um nervo, um nervo ambulante enorme e sensível ao menor sinal de rejeição ou intolerância. Vou para a faculdade e só consigo pensar noquequeutôfazendoaqui, socorro, quero ir pra casa. Vou à cantina e quero ser simpático e educado com a atendente, sorrir, melhorar o dia dela, mas o olhar que ela devolve me destroça, diz quem é você pra achar que pode melhorar essa droga de dia nessa droga de emprego dessa droga de vida, e eu fico com medo, e falo pra dentro e tímido. Quero desistir dessas ilusões de grandeza, disso de querer-fazer livro, poesia, foto, desenho, música. Largar o curso, vender a alma seis meses pra uma multi qualquer, juntar um capital considerável e investível, voltar para o interior, montar uma empresazinha de consulturoriazinha ou um cursinho de windowzinho. Sabe, trabalhar das oito às seis, ter uma casa, um carro, móveis, aparecer na coluna social da Gazeta do Norte, comprar brinquedos bastantes para passar o domingo sem lembrar do vazio das coisas. Não ler Nietzsche nunca mais. Dar uma risada sem graça e falar que esse negócio todo de Japão foi só mania de adolescente, a gente inventa cada coisa quando é novo. Morar sozinho a vida toda. Trabalhar até a aposentadoria, como um cidadão digno e temente a Deus.
Aí olho pra mim e penso: quem cê tá tentando enganar? Não importa o quanto doa a alternativa, eu nunca vou conseguir ser assim. Então me vem à mente o Yuki: “quando tenho esse impulso de desistir, lembro que outros também tiveram mas continuaram adiante”. Isso me anima até eu perceber que minha vida realmente é guiada por mangás e videogame, e fico mais deprimido ainda.
Thu 6 Oct 2005
