Você é como eu e se intimida quando tenta desenhar? Até consegue copiar bem à mão livre, mas tudo o que tenta fazer parece pálido, chato, sem graça, sem vida? Você invariavelmente se frustra e, antes de terminar, amassa o papel e joga fora?

Detalhe de rascunho em giz de cera de personagem de mangá.

Faça o seguinte: vá à papelaria ou supermercado mais próximo e compre uma caixa de giz de cera. Não muito; pode ser o de quinze cores. É importante que você compre o giz mais furreca que tiver, de má qualidade, grosso, infantil mesmo.

Pegue uma folha e, antes de começar, escolha um giz, deite-o e passe ele pela folha toda (ou quase). Isso serve para lutar contra o efeito bloqueante do papel em branco. Demonstrar seu poder sobre ele. Lembre-se, ele é que é o objeto aqui¹.

Então desenhe assim:

  • A espessura do traço não deixa fazer detalhes. Não ligue pros detalhes.
  • A espessura do traço significa que o desenho tem de ser grande. Tente fazê-lo grande. Você verá que o próprio formato do giz leva a isso.
  • Pinte fora das áreas de propósito. Não é impossível pintar bonitinho, mas a idéia aqui é liberdade. Se alguém reclamar diga que é “artístico”.
  • Se você tentar fazer alguns detalhes estilizados, pode ser que acabe ficando uma zona, como o terno do novelista no desenho acima. Não ligue. Desde que você esteja realmente desenhando e não tirando rabiscos da cartola, qualquer coisa vagamente reconhecível tá valendo.

Pare e note como isso é extremamente divertido. Giz de cera ruleia. Em seguida, fique orgulhoso de seus rabiscos feitos em dez minutos e comece a exibí-los na Internet:

[1] A propósito, essa técnica também é usada em desenho “de verdade”. Por exemplo, passe um bastão de carvão (ou lápis 6B esfumado) por todo o papel, e depois apague a área na qual vai desenhar.