Tue 29 Nov 2005
Uns tempos atrás alguém me perguntou o que eu não comia, e a única coisa que consegui responder foi “carne de porco”. Fiquei encucado, porque sabia que não como mais uma porção de coisas, mas na hora não lembrava (talvez porque nossa discussão era sobre legumes, e vegetais eu como todos). Depois pensei melhor e consegui mapear direito o que eu não como. Toda comida que eu evito cai em uma de duas categorias: comida gordurosa e comida açucarada. Por exemplo,
- Comida gordurosa
- Carnes gordas (porco, costelinha, torresmo, etc.)
- Embutidos (salsicha, lingüiça, salame, mortadela)
- Maionese (aka óleo de soja batido)
- Frituras mal preparadas
- Comida açucarada
- Certas classes de doces com muito açúcar (e.g. doce de leite)
- Bebidas doces
- Refrigerantes, especialmente refrigerantes extremamente doces como Coca-Cola
- Sucos com açúcar
- Café e chá adoçados
Pensando nesta lista, logo fiquei intrigado com as causas. Por que eu adoro, digamos, míudos de frango, mas não suporto presunto picado? Concluí que o hábito que me ensinou a gostar de quase tudo (de kon’yaku japonês quase sem gosto a tacos mexicanos extremamente picantes, de cebola no espeto a doce indiano de ricota banhado em cardomomo e água de rosas), pelo seu próprio mecanismo, me ensinou paralelamente a repudiar açúcar e gordura. Estou falando da “aceitação da realidade”, a mesma técnica que uso para aprender a gostar de música: aproximar-se da sensação conscientemente disposto a vencer a estranheza, tomando cuidado no gosto, na textura, buscando se adaptar à comida e não o contrário. Em duas palavras, prestar atenção. Quando presto atenção e tento aceitar a mistura de doce e salgado de um prato chinês, descubro um sabor novo e maravilhoso — mas quando presto atenção numa comida gordurosa ou numa bebida doce, meu corpo rejeita fortemente.