December 2005


Quem olhou a galeria nesse meio-tempo notou que as fotos novas já estão no ar. Tive tempo de carregá-las antes de viajar, mas não de escrever a respeito. Muitas também não pude editar como gostaria, porque só tinha um Picasa disponível e nenhum Gimp. Também entraram sem querer algumas repetidas (não-editadas) e faltaram algumas — como as do torneio de kendô em São Paulo, as que o André tirou de mim e da Aline fazendo cerimônia do chá e a melhor que já tirei dela. Fico devendo tudo para depois das férias. But enough talk. Have at you!

Paródia para pessoas que gostam de HTML de verdade. Música: Metal is the Law, Massacration.

(Note to English readers: if the lyrics below seem weird, you’re right. This is a parody of a song by Massacration, a Brazilian pastiche metal band, and just like the original, it uses a variant of Broken English which probably makes sense only to Portuguese speakers.)

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É véspera de Litha, o meio-de-verão (que não vou passar em Wenceslau porque a sociedade deslocou o feriado para o dia 25), e pensei em rever meu ano — mas me recuso a usar a palavra “retrospectiva”.

Serei fatalmente tendencioso para o final do ano, porque como comentei antes, gosto de muita coisa e tenho memória curta; não sei dizer meus dez melhores isso ou aquilo. A intenção é ser um passeio, um olhar para trás sem compromisso. Comecemos por fotografia.

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Preciso parar com o reddit; ultimamente estou spameando o diário com páginas que acho lá. Deveria era fazer mais propaganda dele. Já falei que adoro o reddit?

Tá, a página de hoje: “provas” da existência de Deus, um estudo fascinante sobre a elasticidade da mente humana. Tenho certeza que todo ateu que se preze já encontrou metade dessas linhas de raciocínio, se não mais. Exemplos:

12. ARGUMENT FROM FEAR
(1) If there is no God then we’re all going to die.
(2) Therefore, God exists.
25. ARGUMENT FROM INTERNET AUTHORITY
(1) There is a website that successfully argues for the existence of God.
(2) Here is the URL.
(3) Therefore, God exists.
82. ARGUMENT FROM “THE MATRIX”
(1) We cannot prove that we don’t live in a Matrix-like world.
(2) Therefore we cannot know reality.
(3) If reality is contingent, then everything is possible.
(4) Therefore, God exists.
220. ARGUMENT FROM TRAUMATIC EXPERIENCES
(1) One time, I was in deep emotional pain.
(2) I prayed to God, and felt His presence.
(3) You aren’t going to deny my emotional pain, are you?
(4) Therefore, God exists.
227. ARGUMENT FROM THE BIBLE (II)
(1) The Bible says the Bible is true.
(2) Therefore the Bible is true.
(3) The Bible says God exists.
(4) Therefore, God exist.

Para ser honesto, alguns são repetidos, mas mesmo assim interessantes.

Eu odeio voz passiva, primeira pessoa no plural e firulas pra mostrar “erudição” (ou: “consideramos que o uso de dispositivos lingüísticos para a abstinência de pessoalidade é desaconselhável”). Preciso me divertir um pouco enquanto escrevo esses textos acadêmicos. Por que não se inspirar em um especialista no assunto, como Zippy the Pinhead?

Raramente você tem à mão todas as referências que precisa quando está escrevendo seu artigo ou tese. Ao invés de deixar um comentário ou to-do, peguei o hábito de inserir texto falso em maiúsculas. Eis um exemplo típico. E, claro, os leitores do bash.org sabem que só existe um texto possível para a chatérrima mas obrigatória seção de conclusões.

Sim, eu sei que estou me arriscando à catástrofe se um desses pedacinhos de caos sobreviver à minha revisão. Mas o risco torna a coisa ainda mais divertida.

Mais um texto interessante com dicas para candidatos a doutorado que achei legais para a vida acadêmica toda. Este tem inclusive uma maldição que eu sei que vai voltar me morder, mas fazer o quê:

3. Pick a place where you and your family want to live and which matches your lifestyle. City people are not happy in isolated college towns and small city people have a hard time adjusting to a megalopolis

Isso é tão verdade :( mas o currículo da USP é tão gordinho

O cara que teve esta idéia pode se aposentar. Sério. Ele alcançou o apíce do design e marketing. Hello Kitty sempre foi sobre adicionar fofura em todo lugar, mas ninguém nunca tinha feito com uma legítima Fender Stratocaster:

Tive este meses atrás e esqueci de contar.

Eu estava na sala dos fundos (mizu-ya) do espaço para cerimônia do chá na Praça do Japão, em Curitiba mesmo (só este ano comecei a sonhar em Curitiba; até recentemente, todos os meus sonhos eram em uma Wenceslau com pedaços de outras cidades costurados). Notei um brilho no armário, do tipo de brilho que se vê nos armários de RPGs de console. Claro que “mexi” lá, onde “mexer” é a ação completamente abstrata que só os jogadores de RPGs de console conhecem. A interação disparou uma conversa com ninguém menos que o Diabo em pessoa.

Ele tinha uma voz grossa, máscula, um tanto sarcástica e desdenhosa. Disse que eu era muito fresco e chorão e xingou um monte, mas naquele tom de um amigo bravo que não quer mostrar que está preocupado. Não tive nenhum medo, mas por alguma razão inexplicada respondia a tudo com humildade e me referia a ele como “Lorde Lúcifer”. No fim da conversa ganhei um item: um diamantinho que realiza três desejos. Antes de ir embora, ele ainda falou pra eu tomar cuidado e só desejar coisas que realmente quisesse. Então acordei.

Não, não tinha nenhum diamantinho debaixo do travesseiro.

A seguir: como, quando e por que eu decidi que vou seguir carreira acadêmica, e não profissional; que não pretendo dedicar-me ao software livre como planejava antigamente; e que humanas é mais minha praia que exatas.

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Artigo britânico interessante, extraído de um livro, sobre mal-entendidos e armadilhas no processo de se obter um PhD. Muito também se aplica a toda a pesquisa acadêmica, de forma que é leitura recomendada para todos nós que optamos por este caminho. Alguns extratos:

PhDs are given for a particular form of research activity and if you do not wish to carry out this form of work then you effectively do not want to do a PhD. (more…)

Gostaria de anunciar que, após seis semestres fazendo a mesma matéria, após ler livros velhos e novos e na rede e na biblioteca, após assistir aulas do MIT com carrascos segurando machados, após decidir não faltar nenhuma aula e acabar faltando em 50% delas, e após uma final sofrida, finalmente passei em Álgebra Linear!

\(^o^)/ Banzai! \(^O^)/ Banzai! \(^o^)/

Contexto: a maioria dos alunos de meu curso reprova em matérias como Matemática Discreta, Projetos Digitais e Teoria da Computação. Eu não só passei direto como fiz as optativas relacionadas a esses assuntos, além de pegar admiração pelos professores. Porém, desde o segundo período, por uma mistura de inaptidão, inadimplência e arrogância, tenho reprovado consistentemente em uma materiazinha que ninguém presta atenção, Álgebra Linear. Como vingança cósmica, neste semestre estou estudando um formalismo matemático chamado redes de Petri, que é analisado através de matrizes (e portanto álgebra linear); Tópicos em Teoria dos Grafos tratou de representação matricial de grafos e tópicos avançados de álgebra linear; meu trabalho de graduação é em redes de Petri, e portanto fundamentado em álgebra linear; e até em Língüística fizemos (ou melhor, o Boto fez) um chart parser representado por uma matriz. Além disso, se eu reprovasse mais uma vez, minha formatura atrasaria. Ufa.

Quando precisei de uma linha ADSL para meu computador novo, a GVT, única concorrente, não tinha nenhuma disponível (infelizmente), devido à grande demanda. Apesar das más experiências no passado, eu estava ansioso pelo acesso à Internet e decidi adqüirir uma linha da Brasil Telecom mesmo, na esperança de que o atendimento tivesse melhorado com o tempo.

Foi a pior decisão que poderia ter tomado.

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No estilo do prof. Dijkstra.

  • A maior parte dos problemas com a educação de hoje não é causada por professores ruins, alunos ruins, falta de verba, situação social ou cultura mercantilista, mas simplesmente por turmas muito grandes. A “turma” ideal é a de uma pessoa — notem a grande eficiência da educação de aprendizes pré–Revolução Industrial. Dependendo do caso, é possível lidar com turmas de umas cinco a dez pessoas no máximo.

    É fundamental que o professor tenha uma relação pessoal com cada um dos alunos, que saiba suas preferências, seu jeito favorito de aprender, e — muito importante — o seu nível exato de compreensão da matéria. Problemas como cópia de tarefas, conversa, tédio com a aula estilo “palestrante” e gente se graduando indevidamente simplesmente não acontecem em turmas suficientemente pequenas.

    Corolário: em uma turma de vinte, trinta ou cinqüenta alunos, o professor acaba ensinando de verdade um pequeno grupo de cinco a dez.

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A tragédia do fã de animê é a seguinte: ele, sendo de tendência nerd, sente-se desconectado, isolado de um grupo. Entra em contato com cultura pop japonesa — mangá, animê, jogos — e fica imediatamente fascinado pela mensagem de grupo dessas mídias. Atraído pelos mundos de fantasia de amizade inesgotável e sacrifício mútuo, ele acaba convencido da moral subjacente e disposto a doar-se para o grupo — para logo em seguida espatifar sua boa vontade no chão de concreto da Vida Real. O primeiro estágio então é o de dedicação ingênua, e o segundo, o de angústia pela discrepância entre animê e realidade.

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Já que falei em lobisomem, vamos contar história de lobisomem. Esta é do delegado de Tomazina — cidade que, aliás, é famosa pela abundância de causos sobrenaturais.

Conta o delegado que certa vez uma mulher apareceu exigindo que seu vizinho fosse preso. A acusação: licantropia. O delegado pacientemente explicou que o Código Penal brasileiro não prevê pena para lobisomens, e além do quê ele não podia prender ninguém sem provas.

— Mas tenho provas! Confirmei eu mesma que ele é lobisomem.
— Explique, minha senhora.
— Bom, todo mundo sabe que tem lobisomem lá no bairro, né? E quando ele apareceu, eu fui lá e falei pra ele: passa lá em casa pedir sal amanhã. E no outro dia o vizinho foi lá em casa pedir sal! Está provado que ele que é o lobisomem!

Caracas. Caracas!

A gente aprende uma coisa nova todo dia (o_O)

92. Figurehead Rule
Whenever someone asks you a question to decide what to do, it’s just to be polite. He or she will ask the question again and again until you answer “correctly.”

Conhecimento vital para nossa sobrevivência em Eternia ou Midgard ou Shinra ou Hyrule ou…

Um estudo de caso fascinante sobre livros infantis politicamente corrigidos.

Lady: “gosto de saber que não importa a hora em que me bata o desejo raro de Fazer Alguma Coisa, vai ter sempre Algo Pra Se Fazer por aí”.

Pois eu sinto falta justamente do contrário. Gosto de acordar e saber que não importa a hora, vai ter sempre Nada Pra Se Fazer. E isso é algo que a cidade não pode te dar, a ausência de tarefas.

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Olhem isso.

Acho que encontrei meu fazedor de avatares.

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