Fri 9 Dec 2005
Lamento sobre jogos
Posted by leoboiko under Pessoal , Chorinhos , Cultura Pop Japonesa , Jogos eletrônicosRecentemente coloquei ali do lado uma caixinha com os jogos que estão recebendo minha atenção. Estão listados agora dois jogos da série de RPGs Tales of, uma de minhas favoritas (se não a favorita). Mas estou triste porque não tenho ninguém para contar a respeito.
Já comentei que sou meio como um agregador. Me atraio por incontáveis coisas diferentes, mas não me satisfaço simplesmente com acesso: eu preciso mostrar para o mundo como aquilo é bacana. É por isso que não tenho ciúmes de livros, é por isso que dôo meus mangás pra Gibiteca, e é por isso que falo sem parar o tempo todo, geralmente elogiando coisas (e quando critico algo, quase sempre é pra elogiar outra coisa por contraste).
Gosto de jogos eletrônicos. Eles provavelmente ocuparam uma parcela de minha vida maior do que qualquer outra atividade, desde os seis anos (quando ganhei meu primeiro Atari) até hoje. Mas não gosto de jogos como Doom, GTA ou Half-Life. Gosto de jogos como Final Fantasy, Mario e Harvest Moon. Existe algo de completamente diferente entre esses dois estilos, a tal ponto que acho errado usar a mesma palavra para falar de ambos. De um lado temos foco na simulação, no realismo e na liberdade do jogador, e de outro, na fantasia, na arte estilizada e na antecipação da experiência, pagando alegremente o preço da linearidade para se obter uma experiência perfeita. Neverwinter Nights tem mais em comum com Flight Simulator do que com Final Fantasy. Advance Wars tem mais em comum com um desenho animado do que com Command & Conquer. Eu não gosto de liberdade nem de realismo. Meu ideal de jogabilidade é “ande para a direita até salvar a princesa”, ou “faça X1 para abrir a área 1 para poder fazer X2 para abrir a área 2 (…) para abrir a área N, que termina o jogo”. Meu ideal de arte é arte colorida, desenhada, estilizada, com músicas animadas e dublagem marcante.
Não é preciso ser um especialista para entender que os jogos do tipo que eu gosto são quase todos feitos no Japão, e quase todos para console (com exceção dos jogos amadores (doujin) e dos de romance (ren’ai)). E, lógico, os que eu não gosto são quase todos americanos ou europeus, e lançados para PC.
Quando eu era pequeno, queria muito jogar “aqueles jogos complicados” cheios de texto, e acabei aprendendo meu inglês na base do dicionário. Hoje ele é fluente o bastante para ler livros acadêmicos com facilidade, e portanto entender o último Parasite Eve não dá trabalho algum. Infelizmente, meu nível de exigência subiu e não consigo mais tolerar as traduções porcas, a dublagem horrível, as adaptações culturais nojentas e as censuras dos americanos. Meu japonês ainda está no mesmo nível de meu inglês de quando eu tinha dez anos, mas quebra o galho. Jogar a versão americana passou a ser como assistir filme dublado; não dá mais.
O problema é que não existe em torno de mim uma cultura de fãs de jogos japoneses. A maioria das pessoas que cresceu jogando Zelda comigo migrou pro Counter-Strike e não olhou para trás. Os poucos amigos que sabem o que é um “Tales Of” só conheceriam meu “Tales of Eternia” como “Tales of Destiny 2″. Fico deprimido ao pensar que nunca vou poder fazer uma piada com ikeru, ikeru. As revistas da área só tratam de jogos americanos, lançamentos no mercado americano, notícias americanas (aliás, a maior delas é americana). As lojas só importam jogos em inglês, tanto as oficiais (da Nintendo) quanto os camelôs de Playstation. Até na rede está difícil achar os jogos originais (consegui o Ghost in the Shell, mas era americano e dublado; o Valkyrie Profile original não encontro em lugar algum).
Mais uma vez a roda gira e as frustrações do passado retornam. Antes o que eu mais fazia era jogar videogame, e ninguém sabia o que era isso. Hoje todos sabem o que é videogame, mas só do tipo que eu não jogo, e não tenho ninguém para conversar a respeito dos jogos que eu jogo. Sinto como se fosse explodir.
December 10th, 2005 at 12:09:11
GTA, Counter-Strike… Blerrgghh >
December 10th, 2005 at 13:09:20
Tenho em minha estante Tales of Phantasia e Breath of Fire IV, mas infelizmente não posso dedicar-me totalmente a eles pq o tempo, desde q me entendo por ‘adulto’ ou seja lá o q for, tornou-se meu pior inimigo!
Um q da pra jogar sem muito compromisso é Guilty Gear, é muito linda a arte e o estilo desse jogo principalmente o esquentado Sol Badguy e o Gear mais über-Style em design q jah vi, Justice! Ateh cabelo o robozão tem! Muito Legal! Lembra ateh o ‘MAGMA’ (ñ lembro o nome original dele)!
Seria muito legal poder compartilhar informações sobre tais jogos com você. Temos visões diferentes e tb, pelo q li ai em cima, muitas semelhantes!
Espero q eu ñ tenho dito nada fora do contexto, com minha pressa de sempre…
December 10th, 2005 at 13:18:59
Guilty Gear ocupou bem mais tempo meu do que Tales ou BoF, e ainda estou mais ou menos. Fazendo time com os chineses do fliperama no GG Isuka, por exemplo, meu Anji continua atrás do Sol deles.
O problema com Guilty Gear é que é bom demais. Depois de viciar nele não consigo mais jogar SF ou KOF. Até o Last Blade, que sempre achei que tinha ótima arte e música, ficou meio sem graça.
December 10th, 2005 at 13:39:33
Mas minha coisa favorita pra fazer com o Anji é: S, S, 632146H, 263H, 236H, P. Leque, leque, Issei ougi: sai, On quando o oponente sair voando, Fuujin quando ele tocar o chão, e um Shin: Ichishiki de brinde para fazer pressão. Nunca me canso disso. Pura poesia em movimento 8)
Ah, seria possível jogar mais coisas no combo (como um 2P antes dos S iniciais, ou um 632146H depois do primeiro ou depois do On), mas devido ao algoritmo de dano do Guilty Gear (que reduz drasticamente o dano em combos grandes), esta seqüência parece ser a mais eficiente.
Toda essa conversa sobre Guilty Gear me lembrou que o jogo apareceu em algumas tirinhas recentes do Megatokyo, e com o retorno de ninguém menos do que o grande l33t d00d:
http://www.megatokyo.com/index.php?strip_id=770
http://www.megatokyo.com/index.php?strip_id=771
http://www.megatokyo.com/index.php?strip_id=772
http://www.megatokyo.com/index.php?strip_id=773
December 12th, 2005 at 08:11:56
E depois de toda essa conversa com o Enviro, anteontem estava saindo da última aula de japonês e descobri por acaso que o Ângelo, engenheiro em fim de curso que nem tem cara de jogador, é um fã hardcore de Guilty Gear. E o que é melhor, ele nem é jogador de algum personagem principal padrão, e sim do Faust — caracas, existem jogadores do Faust!
É, peça e lhe será dado e tal. Essa é a vida: é só você reclamar publicamente de algo que tudo dá certo, só pra te contrariar =)
December 12th, 2005 at 20:35:43
Tô falando! Tá chovendo jogador de Guilty Gear.
December 13th, 2005 at 08:11:44
Let´s Rock!
Faust?!
Se em minha cidade eu encontra-se alguém que usasse esse cara, ai ao menos eu teria um rival. Não há mais rivalidade de nada por aq, e de GG principalmente! Não existe uma migalha dos velhos confrontos que rolavam aos montes por aq: KoF, SF, Toshinden, SoulBlade, NADA!
Lanhouse tem aos montes, repletos de discipulos Counterstrakernianos!! E nem os amigos mais próximos são capazes de me enfrentar, pois consideram os comandos do jogo complexos demais! E eu nem sou tão bom assim!
É uma pena, pois o jogo fica lá estocado esperando apenas os meus comandos, triste solidão, bits estabilizados! :(