Tive este meses atrás e esqueci de contar.

Eu estava na sala dos fundos (mizu-ya) do espaço para cerimônia do chá na Praça do Japão, em Curitiba mesmo (só este ano comecei a sonhar em Curitiba; até recentemente, todos os meus sonhos eram em uma Wenceslau com pedaços de outras cidades costurados). Notei um brilho no armário, do tipo de brilho que se vê nos armários de RPGs de console. Claro que “mexi” lá, onde “mexer” é a ação completamente abstrata que só os jogadores de RPGs de console conhecem. A interação disparou uma conversa com ninguém menos que o Diabo em pessoa.

Ele tinha uma voz grossa, máscula, um tanto sarcástica e desdenhosa. Disse que eu era muito fresco e chorão e xingou um monte, mas naquele tom de um amigo bravo que não quer mostrar que está preocupado. Não tive nenhum medo, mas por alguma razão inexplicada respondia a tudo com humildade e me referia a ele como “Lorde Lúcifer”. No fim da conversa ganhei um item: um diamantinho que realiza três desejos. Antes de ir embora, ele ainda falou pra eu tomar cuidado e só desejar coisas que realmente quisesse. Então acordei.

Não, não tinha nenhum diamantinho debaixo do travesseiro.