January 2006


Quem me conhece sabe que um texto que venho cozinhando há meses é uma análise sobre por que gosto de jogos estilo console e não de jogos estilo PC. Um dos itens de minha lista é: jogos de PC tentam ser realistas, jogos de console tentam criar um mundo próprio com arte estilizada, e eu gosto mais de arte estilizada. Prefiro mil vezes olhar os desenhos coloridos de Yoshi’s Island do que as tentativas americanas de parecer “adulto e macho” em GTA.

Bem, alguém fez uma campanha sobre este ponto: céu azul nos jogos! “Nós queremos juntar bananas em castelos mágicos, e não adqüirir respeito de chefões de gangues fictícias!”

O que você faz quando está sem grana, devendo centenas de reais para operadoras telefônicas, precisando urgente juntar dinheiro para um computador para poder trabalhar melhor, e sem perspectiva de renda extra para sair do buraco?

Você compra um Nintendo DS.

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Dia 5 de janeiro, a duas semanas de completar 81 anos e hospitalizada há vários meses, faleceu dona Teruko Iwakami Beltrão.

Uma semana depois, o grupo de cerimônia do chá de Curitiba se reuniu para decidir o que fazer sem a professora. Sentado na sala de chá esperando os outros chegarem, finalmente começo a entender o que isso significa. Significa que sensei nunca mais estará ensinando aqui neste tatami, aparentemente distraída (ou até dormindo) mas sempre rápida para corrigir o menor deslize nos procedimentos. Que nunca mais vou ouvir aquela risada de criança, aquela voz distante de alguém preocupado com coisas secretas. Teruko-sensei, como se diz em japonês, não é mais.

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Depois de meses de tentativas, finalmente consegui Por Aí o Valkyrie Profile em japonês.

Indo direto ao que interessa: o que mudou na dublagem? Não muito, pra ser honesto. Jogando em japonês eu confirmei o que sempre suspeitei, que a dublagem americana de VP é um caso raro de adaptação boa. A maioria das vozes ficou bem parecida, e a maioria dos gritos de batalha foi traduzida diretamente. Mas só poder ouvir o povo gritando “oougi” ao invés de “Finishing Strike” já valeu a busca pelo original. A voz do Jun é mais fria, menos arrogante, e tem um pouco mais de texto: antes do senko-jin ele diz “Mugen no kensen… kisama ga mieru ka” (”o brilho da não-espada… será que você poderá vê-lo?”), e ainda anuncia o nome do estilo (Shinto-ryuu ken ou shingo-ryuu ken, acho). O Aluze (Arngrim) diz “cansei da sua cara” (”Temee no kao wo miekita ze“) ao invés de “cansei de você”, e o nome do ougi é Finality Blast e não Final Blast. Frey e Freya tiveram os nomes trocados. Os Einherjar são chamados Inferians. Pequenas diferenças assim, nada que mereça choro.

O que me surpreendeu foi a quantidade de inglês no jogo original — não katakana como de costume, mas inglês com letras latinas mesmo. Os nomes das skills são todos em inglês, as estatísticas de batalha estão em inglês por trás dos kanji, e até os itens do menu principal tornam-se temporariariamente inglês quando você os seleciona. Suponho que isso seja feito pra dar uma sensação mais “ocidental” ao jogo, que afinal de contas é sobre mitologia nórdica.

Ahaha, há muito tempo que eu não ficava doente de verdade. A fada verde bateu em minha nuca dez mil vezes com um martelo, esquentou meu corpo como uma brasa que não apagasse, espremeu meus ossos com rolos de macarrão, torceu meus instestinos como se fossem panos de chão, acertou um chutão na minha coluna, sugou minha vitalidade & força para trabalhar.

Já é o segundo day after e ainda tenho febre, garganta inflamada e fraqueza.

Vídeo promocional de Valkyrie Profile: Lenneth, o primeiro jogo de PSP que eu fico triste por não poder jogar. O vídeo inclui cosplay, FMV e cenas do jogo. Por aqui, continuo procurando sem sucesso o Valkyrie Profile original em japonês.

Ultimamente tenho escrito bastante sobre campo vs. cidade, provavelmente porque estou de saco cheio de tudo (como todo mundo fica no fim da faculdade). Esses dias alguém me perguntou se acho a cidade corrompida.

Nem. A cidade não é corrompida, ela é feia.

Mais: eu seria mais feliz morando em um lugar imoral e bonito do que em um lugar feio.

Okay, so I don’t usually post in English, and I dislike cheap stereotypical jokes, but here’s an exception: this joke about blondes is very funny.

Sábado de madrugada

— Nóis acostuma com a cidade, depois vorta pra cá e acha uma tranqüilidade…

A frase foi dita pelo homem que sentou à minha frente no táxi. Ao meu lado, a Márcia e outra mulher, talvez irmã ou esposa do homem. Havíamos decidido compartilhar o mesmo táxi, apesar de não nos conhecermos e dos destinos serem bem diferentes. Mais tarde encontraríamos o mesmo homem na rodoviária duas vezes. É o interior.

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Número um — foi preciso tanta explicação, teorização, racionalização, justificação? Claro que foi; tudo é necessário, as pessoas são causadas. Mas agora, contar menos e mostrar mais.

Número dois — você não pode realmente esperar coisas das pessoas. Eu treinei meu corpo, e ele ficou forte; treinei minha mente, e ela ficou forte. É a hora e a vez do coração.