February 2006
Monthly Archive
Mon 27 Feb 2006
Posted by leoboiko under
Palavras ,
Pessoal[3] Comments
Acho que não sirvo pra nerd mesmo. Me alimento bem, faço exercício. Gosto de moda. Gosto de coisas agressivamente fofinhas. E não odeio o carnaval.
Não que morra de amores por ele, vejam bem. Minha idéia de “programa legal” envolve eu, meu quarto e eu mesmo. O barzinho típico já é agitado demais para o meu gosto, e o único tipo de ambiente noturno que me agrada é o canto escuro com jazz e tranqüilidade. Mas, para se apropriar das palavras de outro nerd, não consigo odiar um festival “pagão, sem simbologia cristã visível” em que “milhares de bêbados se reúnem nas ruas em pleno calor” e dançam, e riem, e fazem orgias, e são felizes por motivo nenhum. Bom pra eles. Estou convencido que se mais países realizassem festivais extáticos regularmente, a quantidade de guerras e terrorismo cairia drasticamente.
Então, desde que não me venham tocar axé na minha rua, feliz carnaval pra quem gosta. Esquindô, esquindô.
Sat 25 Feb 2006
Posted by leoboiko under
Pessoal ,
Diário ,
Cultura ,
HQs1 Comment
Terça-feira eu li The Design of Everyday Things, que achei na biblioteca de Humanas. Queria mesmo era o Emotional Design, mas até que foi bom conhecer o predecessor. Quarta fui na Gibiteca e, além da dúzia obrigatória de edições de Books of Magic, li o Understanding Comics e comecei o Mangá: o poder dos quadrinhos japoneses. Descobri ainda que eles tem uma quantidade maior do que imaginava de Sin City e Sandman.
Eu queria muito ler tudo isso. Cada livro desses já me deixou com coceira para dar meu cartão de crédito para a Amazon, e agora li sem gastar um dólar. Tudo bem, ainda não achei o Emotional Design, e fui obrigado a ler o McCloud em português (levante a mão quem não agüenta mais ver “comprehensive” traduzido como “compreensível”). Mas foi de graça. É uma instituição maravilhosa, a biblioteca.
É por essas e outras que eu não entendo quando as pessoas não entendem porque dôo minhas HQs e mangás para a Gibiteca. Com tanta coisa pra ler, pra que deixar o que eu já li juntando poeira na estante? Para fazer um statement sobre meus gostos quando alguém vem visitar meu quarto? Se eu gosto tanto de quadrinhos nada é mais natural do que querer que os outros também leiam, e a melhor maneira de expor minhas revistas ao público é deixá-las na Gibiteca.
Pena que nesse país ninguém respeita quadrinhos e o Solar do Barão até hoje não tem um sistema de segurança decente. As revistas vivem sumindo; recentemente levaram quase toda a coleção do Calvin & Hobbes.
Wed 22 Feb 2006
Posted by leoboiko under
Cultura ,
HQs ,
Humor[4] Comments
Wed 22 Feb 2006
Posted by leoboiko under
Palavras[3] Comments
ou para o diabo, quem quer que esteja disponível
Não sou do tipo que faz negócio diariamente com os Bancos Celestiais S. A., não peço empréstimos e não pago adoração. Vivo por mim mesmo. Mas me ocorreu um desejo que só os Céus ou os infernos podem atender, e decidi propor este acordo.
(more…)
Mon 20 Feb 2006
Posted by leoboiko under
Computadores[2] Comments
After three days of fun (and, in the first of them, a personal record of 17h straight in front of a computer), I kind of managed to install Debian in my Thinkpad 560 using a PLIP cable. This post is mostly a reminder to myself, but since it may be useful to someone, I’ll exceptionally do some English. Excuse me for the repetitive subtitles, but they’re Google-friendly.
(more…)
Thu 16 Feb 2006
Só pra avisar, hoje abre o open beta do MMORPG baseado na série Tales Of: o Tales of Eternia Online. O período gratuito não dura muito, então aproveitem para testar agora.
Wed 15 Feb 2006
Ué, Boiko, você parou de trabalhar na página? Perdeu a inscrição para o japonês? Não pagou as contas? Não fez almoço? Parou de ler os livros do Blyth? O que aconteceu?
Explico: esta semana é a <Expletivo> Semana da Konami 2006 no insertcredit. Estou comemorando com Castlevania: Harmony of Dissonance, Aria of Sorrow, Simon’s Quest e o primeiro Boku Dracula-kun. Pra quebrar o clima estou também explorando alguns Twinbee.
Então esqueça sua vida, saque seus jogos favoritos da Konami e depois invente teorias sobre eles nos fóruns!
Tue 14 Feb 2006
Posted by leoboiko under
Cultura ,
Cinema[2] Comments
Ontem assisti ao Koyaanisqatsi (Hopi: “vida fora de equilíbrio”, ou melhor ainda, “vida que torna desejável um outro estilo de vida”), documentário sem palavras de 1983. É muito bonito e eu recomendo para todos que se interessam pelo tema da (falta de) qualidade de vida no ambiente urbano.
Fri 10 Feb 2006
O prazo típico para entrega de produtos da play-asia é cinco a catorze dias. Exatamente no décimo quarto dia, meu DS “pure white” chegou. Agora é tentar vender o GBA para cobrir o buraco.
(more…)
Tue 7 Feb 2006
Posted by leoboiko under
Pessoal ,
Diário ,
Humor[2] Comments
Eu: Depois dessa experiência, fiquei convencido. Agora tenho pelo menos uma causa política que acho que merece suporte. Vou votar no candidato que disser que vai baixar os impostos.
M.: E se for o Garotinho?
Eu: Vou votar no candidato que disser que vai baixar os impostos, menos se for o Garotinho.
M.: E se for o Lula?
Eu: …Pensando bem, deixa pra lá.
Tue 7 Feb 2006
Novidades sobre tópicos passados:
(more…)
Mon 6 Feb 2006
Posted by leoboiko under
Palavras ,
Pessoal1 Comment
A cena se passa numa lanchonetezinha anônima nos Estados Unidos, com poltronas baixas de estofado vermelho circundando mesinhas. A pessoa entra e vai direto para certa mesinha onde alguém a estava esperando. Ela senta e imediatamente vem uma garçonete. É uma mocinha loirinha bonitinha e cabeça-de-vento, ou então uma loura gorda cínica e antipática, mas em todo caso veste um uniforme listrado verticalmente em branco e rosa-pálido. Ela exibe um crachá sobre o seio e pergunta se a pessoa vai querer comer algo. O recém-chegado responde que não, obrigado, só um café. A garçonete sai, os dois encaram-se por um momento e começam a conversa.
(more…)
Sat 4 Feb 2006
Posted by leoboiko under
Pessoal ,
Chorinhos[3] Comments
O pior de tudo é ficar triste em dias bonitos. Quando está cinza e chuvoso você se sente consolado, como se o mundo inanimado respeitasse o seu estado emocional. Você foi segregado, mas tem a companhia da chuva para chorar, do vento para se perder, das nuvens para ensombrecer. Mas o pior de tudo é quando faz um dia ensolarado, e a natureza inteira parece feliz, e você, apenas você, é aquele ponto apagado, estranho —
Women seem wicked
when you’re unwanted
streets are uneven
when you’re down
Fri 3 Feb 2006
Depois de dez anos de espera e boatos, Mother 3 (talvez “Earthbound 2″ para quem joga em inglês) será lançado em 20 de abril. O mundo não está nem aí.
(more…)
Thu 2 Feb 2006
Estou há algum tempo pensando sobre por que sou tão completamente avesso à idéia de ter uma máquina de fazer pão, mas amo minha panela de arroz. E não, não é “porque ela é japonesa”.
Minha primeira tese foi que fazer pão é um processo complexo, artesanal, e cozinhar arroz só mecânica, mas não é verdade. Fazer um bom arroz japonês sem tempero é uma arte tanto quanto fazer um bom pão, começando por saber escolher bem os grãos. Depois lave-os com cuidado. Meça bem a água. Deixe meia-uma hora em repouso para já inflar. Ferva na panela tampada em fogo alto. Assim que ferver, abaixe o fogo no mínimo e cozinhe até secar. Quando estiver quase secando, aumente para o máximo por uns trinta segundos e desligue. Deixe tampado quinze minutos para não perder a umidade.
E nós nem começamos a lidar com kombu e vinagre para arroz de sushi. Não, fazer arroz não é simples.
A resposta para minha dúvida veio num comentário da Márcia, quando preparávamos macarrão:
— É por isso que eu gosto de cozinhar com você. Você se diverte cozinhando.
Pensei um monte sobre isso e acho que ela está certa. Cozinhar é divertido pacas. A única coisa chata é cozinhar só para você. Eu gosto mesmo é de preparar comida para os outros. Já comentei como cozinha é a única coisa que consigo fazer não-narcisisticamente.
Então. Mas fazer arroz, mesmo arroz do bom, é chato. É tedioso e 90% das pessoas por aí nem vão notar todo o seu esforço (raios, 90% das pessoas por aí vão dizer “mas tá sem sal”). Fazer pão, por outro lado, é uma das atividades mais divertidas que os seres humanos inventaram. Metade cozinha, metade Pokémon. Coloque os seus funguinhos (do biológico congelado, lógico) no leite morno e cubra, que eles gostam de calor e escuridão. Deixe que cresçam. O leite deve criar uma camada de espuma viscosa, com o cheiro característico de fermento, e se não der, eles morreram na geladeira :( . Misture a farinha e as coisas, tomando o cuidado de não colocar muito sal, para não matar os fungos.
Aí vem a parte mais divertida: amassar. Derrame farinha sem dó em cima de uma mesa limpa. Jogue a massa grudenta, amasse para deixá-la mais ou menos plana, vire, jogue farinha por cima, dobre no meio, amasse para deixá-la mais ou menos plana, vire… A textura é deliciosa. Parece que você está brincando com massinha, só que é um monte de massinha. Pare quando a textura estiver parecida com o lóbulo de sua orelha. Coloque de volta na bacia e deixe os fungos crescerem mais um pouco. Eu faço como minha mãe: enrolo a bacia numa manta e deixo sob o sol (quanto tem sol nessa cidade esquecida por Deus). Vá lavar a farinha no lóbulo de sua orelha.
Quando a massa dobrar de tamanho, enrole os pães e deixe os fungos crescerem mais uma vez. E depois de tanto cuidado, asse-os e coma-os.
Pro inferno que eu vou deixar uma máquina fazer tudo isso em meu lugar. Seria o mesmo que comprar uma máquina de jogar videogame, ou uma máquina de ouvir música.
* * *
Quando olho para minhas panquecas de beterraba com recheio de carne de soja, ou para meu coração de boi refogado com legumes (refogado na água, lógico, que óleo só de oliva), ou para meu penne ao molho, penso sempre a mesma coisa: se você quer comida decente, faça você mesmo.
Cozinhar como diversão é uma idéia meio estranha. Minha mãe não estava exatamente se divertindo nas duas horas diárias em que ela precisava pilotar o fogão. Talvez seja pra isso que a comida instantânea exista: para nos ensinar o valor daquelas duas horas, para que a gente perceba o que perdemos quando abrimos mão delas. Talvez as laranjas insossas do supermercado existam para que a gente saiba o que é ter uma laranjeira no quintal, os ovos de granja sem gosto para que a gente não esqueça como era ter um galinheiro. A vida-corrida em cubículos toda como uma experiência habitacional fracassada.