Mon 6 Feb 2006
A cena se passa numa lanchonetezinha anônima nos Estados Unidos, com poltronas baixas de estofado vermelho circundando mesinhas. A pessoa entra e vai direto para certa mesinha onde alguém a estava esperando. Ela senta e imediatamente vem uma garçonete. É uma mocinha loirinha bonitinha e cabeça-de-vento, ou então uma loura gorda cínica e antipática, mas em todo caso veste um uniforme listrado verticalmente em branco e rosa-pálido. Ela exibe um crachá sobre o seio e pergunta se a pessoa vai querer comer algo. O recém-chegado responde que não, obrigado, só um café. A garçonete sai, os dois encaram-se por um momento e começam a conversa.
Sério: em quantos filmes você já viu esta cena? Meia dúzia? Uma, duas?
Eu não tenho muito interesse em visitar os Estados Unidos. Não por anti-americanismo, mas por não ter muita curiosidade sobre o mundo neste lado do meridiano de Greenwich. Ou melhor, sobre a parte do mundo que fala idiomas indo-europeus. Mas se um dia eu fosse para a América, tem duas coisas que gostaria muito de fazer: conhecer o deserto, e chamar um amigo para viver esta cena numa lanchonetezinha anônima com poltronas vermelhas.
March 28th, 2006 at 11:04:58
[…] Mais um pouco da trama e vamos para um diálogo entre dois homens no café no bar de mesinhas baixas com a garçonete loira de nome no crachá. Um deles parece ser um detetive ou psicólogo e interroga o outro, que é um tanto excêntrico. O outro fala que viu o que está acontecendo e o que vai acontecer num sonho. O sonho premonitório, sinistro, é sobre um homem fora do prédio. A descrição aviva, o suspense cresce. Eles saem do prédio para ver o homem. Close no rosto do sonhador; ele está “coberto de suor, com dificuldade para respirar”. O outro também consegue “sentir” alguma coisa. Devagar, devagar, eles viram a esquina de tijolos vermelhos, chegam perto, chegam perto.. PAM! De repente, surge o homem, rosto escuro, feio, olhando direto para o sonhador. Ele cai aterrorizado, os olhos abertos de terror. O interrogador olha para cima e o homem feio sumiu; olha para baixo, e seu amigo está morto. […]