Vejam só, agora além de fazer pão eu acertei o pão. Ficou com cara de pão mesmo. Ficou bom, até.

O que estava faltando era sovar. Sovar bastante. As instruções do Bread-HOWTO são ambíguas: ele diz para sovar “vinte vezes, para cerca de um milhão de camadas” (220 = 1048576), mas também diz para “parar de sovar quando a massa não grudar mais ao dobrar”. Um dos comentários dá a explicação científica sobre o efeito de sovar, e fala que não tem como sovar demais na mão, mas fala também para parar quando a massa estiver com a textura do lóbulo da orelha. Acontece que, pelo menos pra mim, a massa está lisa, não-grudenta e com a textura de orelha já na quinta ou sexta sovada.

Eu achava que estava bom porque parecia bom, e tinha a impressão de ter sovado já umas vinte vezes, mas na verdade não estava nem na metade. Agora estou me forçando a vinte sovadas, o que leva bem mais tempo do que imaginei. Depois de certo ponto a massa fica mais dura do que massinha de modelar, então não dá para brincar o tempo todo. Você começa a sentir o trabalho como exercício, mesmo. Dobrar a massa ao meio, de alguma forma apertá-la até ela ficar fina e espalhada, dobrar ao meio de novo, apertar e repetir.

Apertar. Espremer. Amassar bastante. Amassar uma superfície grossa, resistente, que absorve qualquer impacto sem muito choque. Uma vez, duas, três, quatro… omg, mas isso É Treino™!

Nessas horas é que paga ser um diletante. A maior parte dos artistas marciais nunca fez pão. Uma porcentagem maior ainda das pessoas-que-fazem-pão não estudam artes marciais. Quão poucas pessoas podem apreciar plenamente a oportunidade de golpear um pão! Ele é simplesmente perfeito: muito mais resistente que uma almofada, aproximando-se de tecido humano mesmo, mas ao mesmo tempo é macio e machuca bem menos que saco de pancadas. Quarenta minutos mais tarde minha massa estava boa e eu exausto, os nós dos dedos vermelhos, suando em bicas.

E feliz.