A: Olha só que legal: esse cara inventou um tipo de cerâmica, shichirin, para se fazer num braseiro qualquer em poucas horas. E fica de uma textura bonita.
B: Ahn.
A: Normalmente você precisa de um forno grande e várias semanas. Os mestres ceramistas japoneses chegam a passar as últimas noites em claro, controlando o fogo…
B: Puxa.
A: (entusiasmado) …Eu vou aprender isso e fazer minhas próprias tigelas e xícaras! E com a carpintaria meus próprios móveis, e vou escrever meus próprios programas, e cozinhar minha comida, e bordar e costurar e pintar minhas roupas, e sobreviver por mim mesmo acampando, e…
B: Nossa, que menino independente. (risos)
A: Hm… não, não é isso. Não é por um desejo de independência, os impulsos são outros. Primeiro, tem a vontade pura de criar; fazer com as próprias mãos é legal, divertido, dá barato de poder. Segundo, tem o desejo de conhecer. A maioria das coisas não dá pra entender de verdade antes de você mesmo tentar fazer. Posso não ter aprendido a desenhar, por exemplo, mas todo o tempo que gastei com isso não foi jogado fora; só comecei a entender as artes visuais de verdade, só fui entender o valor de um Picasso e o não-valor de um quadro “abstrato” da feirinha do Largo, depois que eu mesmo estudei desenho. Pelo desejo de criar seu mundo se expande. Há seis meses um móvel era um móvel; mas hoje, quando olho para um objeto de madeira, imediatamente já vou vendo como as tábuas foram unidas, que tipo de acabamento deram, essas coisas.
B: Entendi.
A: (pensativo) Desde pequeno eu adorava revistas. Entrava numa banca e ficava um tempão olhando aqueles assuntos todos que não entendia. Meu objetivo de vida é fazer com que todas as revistas de uma banquinha me sejam interessantes.