Wed 22 Mar 2006
A: Olha só que legal: esse cara inventou um tipo de cerâmica, shichirin, para se fazer num braseiro qualquer em poucas horas. E fica de uma textura bonita.
B: Ahn.
A: Normalmente você precisa de um forno grande e várias semanas. Os mestres ceramistas japoneses chegam a passar as últimas noites em claro, controlando o fogo…
B: Puxa.
A: (entusiasmado) …Eu vou aprender isso e fazer minhas próprias tigelas e xícaras! E com a carpintaria meus próprios móveis, e vou escrever meus próprios programas, e cozinhar minha comida, e bordar e costurar e pintar minhas roupas, e sobreviver por mim mesmo acampando, e…
B: Nossa, que menino independente. (risos)
A: Hm… não, não é isso. Não é por um desejo de independência, os impulsos são outros. Primeiro, tem a vontade pura de criar; fazer com as próprias mãos é legal, divertido, dá barato de poder. Segundo, tem o desejo de conhecer. A maioria das coisas não dá pra entender de verdade antes de você mesmo tentar fazer. Posso não ter aprendido a desenhar, por exemplo, mas todo o tempo que gastei com isso não foi jogado fora; só comecei a entender as artes visuais de verdade, só fui entender o valor de um Picasso e o não-valor de um quadro “abstrato” da feirinha do Largo, depois que eu mesmo estudei desenho. Pelo desejo de criar seu mundo se expande. Há seis meses um móvel era um móvel; mas hoje, quando olho para um objeto de madeira, imediatamente já vou vendo como as tábuas foram unidas, que tipo de acabamento deram, essas coisas.
B: Entendi.
A: (pensativo) Desde pequeno eu adorava revistas. Entrava numa banca e ficava um tempão olhando aqueles assuntos todos que não entendia. Meu objetivo de vida é fazer com que todas as revistas de uma banquinha me sejam interessantes.
March 22nd, 2006 at 18:54:54
Faltou o link para o cara da cerâmica shichirin.
E eu também sempre fui fascinado por bancas de revistas. Tem algo de magnético entre elas e eu…
March 23rd, 2006 at 11:45:08
Não pesquisei ainda, mas uma googlada rápida me levou a isto. A fonte original onde descobri o assunto foi um artigo de meia página da revista Nipponia.
March 27th, 2006 at 23:31:14
Tem tanta coisa que às vezes dá pra explodir de vontade.
March 28th, 2006 at 07:43:16
Nãaaaao, por favor. Fale do filme, não dos que o odiaram. Sabe, depois de ler algumas explicações, etc, eu até entendi o objetivo do filme (objetivo = lógica nesse contexto). Mas não gostei. E aumentou mais ainda o desgosto depois de ler pessoas que gostaram, dando uma de esnobes, como se quem não tivesse gostado fosse necessariamente quem não tivesse entedido, portanto idiotas. O problema não é apenas o fato de não entender, o problema é que mesmo depois de entender continuei odiando por achar “diferentinha e modernex” demais. inté.
March 29th, 2006 at 10:23:12
Depois de escrever este post descobri que o Feynman — físico dos mais importantes e famoso diletante, tendo estudado coisas como pintura, samba e hieróglifos maias, além de ser sexualmente promíscuo — deixou a seguinte frase no quadro-negro antes de morrer:
“O que eu não sei criar eu não compreendo.”