Fui visitar um pesquisador que estudava o comportamento lingüístico de focas. Focas eram inteligentes e capazes de se comunicar em uma linguagem de sinais equivalente à de um humano de seis anos. Vesti um pequeno dispositivo para respirar sob a água e entrei no aquário com o pesquisador.

O objeto de estudo era uma foca fêmea com dois filhotes. Elas eram simpáticas. Como experiência, o pesquisador deu para a foca-mãe uma caixa de papelão que normalmente continha um caldo alimentício, mas desta vez estava quase vazia. A foca reclamou assim: “tem um ventinho dentro”, e o pesquisador anotou numa prancheta. Eu perguntei:

— É assim que ela expressa a noção de “vazio”, com o vento?
— Não, ela está falando da comida. Se você se alimentasse do fluido que respira, você também ia chamar comida de vento.
— Ah.

Mais tarde no sonho o projeto foi cancelado e os filhotes mortos por empresas multinacionais gananciosas e sem interesse em ciência.