Tue 24 Oct 2006
Esta notícia é uma boa demonstração dos problemas com o livre mercado: as corporações defendem o liberalismo para os outros, mas no quintal de casa são todas protecionistas e monopolistas. Quando a mão do mercado beneficiaria o consumidor elas vão lá e fecham.
O Lik-sang exportava jogos em um sistema de distribuição mais eficiente do que os canais “oficiais” artificialmente caros da Sony, e permitia a você conseguir jogos de fora da sua “região”. Foram destruídos. Espero que meu play-asia não seja o próximo, senão vou comprar jogos onde? Não há distribuição “oficial” de jogos japoneses no Brasil…
October 24th, 2006 at 21:26:29
Eu não vejo isso como um problema do livre mercado, mas sim como ausência de livre mercado. Afinal quemno final das contas decidiu que o modelo de venda é ilegal foi o Estado (representado pelo London High Court Judge).
October 24th, 2006 at 21:27:17
s/quemno/quem no/
October 24th, 2006 at 22:23:12
[…] Saiu em tudo que é lugar, é o papo da blogosfera gamer: a Lik-Sang foi obrigada a fechar as portas depois de sofrer um, digamos, “ataque judicial de negação de serviço” - um temporal de ações judiciais. Óbvio que a Sony negou, mas não tem como esconder, é batom na cueca. Ah sim. Observem na nota de fechamento da Lik-Sang e vejam o número de executivos da Sony Europa que compraram seus PSP com eles. […]
October 25th, 2006 at 08:31:46
Eu concordo. É o que eu disse: não teve mercado livre o bastante. A questão é que quem forçou o fechamento do mercado não foi o Estado (ou “os Estados”, no caso, porque a Sony processou em vários lugares simultaneamente); quem forçou o fechamento foi a Sony, flexionando os músculos de seu poder superior. Mesmo que não houvessem Estados, algum outro grupo tomaria o seu papel (i.e. regulamentação através da violência), e esse outro grupo seria tão comprável quanto o Estado é.
Em outras palavras: quando você é pequeno você adora livre competição, mas quando é grande vai mexer seus pauzinhos para acabar com ela. Who watches the watchmen?
October 25th, 2006 at 09:27:20
Pensar a respeito disso me fez detalhar melhor o meu modelo de mundo. Acabo de perceber que no meu modelo, o Estado é realmente necessário pelo menos para garantir o livre mercado.
Sim, temos o problema de como garantir que o Estado realmente cumpra o seu papel, e impedir que ele possa ser comprado e subvertido, mas isso é outra história, eu nem estava pensando nisso quando escrevi o outro comentário.
Um Estado que possa ser subvertido desse modo precisa ser consertado. Mas não me pergunte que mecanismo utilizar para tentar garantido. Eu não sei. Sugestões? 8)
October 25th, 2006 at 09:53:43
Nenhuma boa, e eu acho que esse é exatamente o grande problema político não resolvido. Aqueles que têm o poder de manter as regras também têm o poder de quebrá-las.
O Douglas Adams tem uma sugestão (spoilers!): o Universo é governado por um tiozinho que mora numa cabana e 1) não quer governar o Universo, 2) é solipsista e 3) só acredita no que está percebendo neste exato momento, duvidando de tudo o que está fora de sua cabana e até do passado. Tudo somado, ele é completamente desinteressado em aumentar o próprio poder e governa com imparcialidade perfeita.
Na falta de um tiozinho morando em uma cabana, minha sugestão mais próxima é inventar IA verdadeira e transformar o governo em programas e a polícia em robôs.