November 2006


Quando você acha que o dia foi um lixo, alguém faz uma dessas pra salvá-lo.

(referência cultural para quem não entendeu)

Saiu no Lambda the Ultimate: cheatsheet de ciência da computação . Tá, agora que estou me formando eles fazem isso *amargo*

(muito bom, por sinal)

Como chefes na última fase de um Megaman, parece que no final tudo volta. Aqui estou eu em um quarto que é praticamente uma miniatura de meu retiro em Manaus (branco, chão de azulejos, , cheio de insetos, banheirinho elevado sem box). Sem grana, alimento-me de miojo e Neston, como nos meus primeiros anos em Curitiba quando sobrevivia com bolsa-trabalho. Estudar sistemas operacionais e redes e C para os testes do Google me fez lembrar de quando meu sonho de carreira era ser um guru Unix. Fazer uma montanha de matérias e mais uns bicos me lembrou minha fase ruim no sexto período, e estudar para o vestibular foi como reviver meus dezesseis anos (até com os mesmos livros).

Ora, vejam só o Sinfest de hoje:

Mas esta foi precisamente a hipótese que levantei com três anos de idade! Baseado em minhas observações cuidadosas, concluí que no final de cada dia o sol explode em inúmeros pedacinhos, as estrelas. O colorido fantástico que eu via lá nas montanhas era causado pela explosão. Os pedacinhos de sol ainda brilhavam por algum tempo, enquanto estavam quentes, e justo quando começavam a apagar um sol novo nascia.

Confesso que na época meu método científico ainda não era muito rigoroso, então quando minha teoria foi confirmada por uma autoridade competente (minha vó), convenci-me de que estava certo.

Vestibular é fácil. Eu sempre insisto que vestibular é fácil, porque é mesmo. Boa parte da nota você consegue sem nem estudar nada, só sabendo pensar. Não entendo por que a molecada faz tanto drama com vestibular. Acho que é por dois motivos: 1) eles estudam em cursinhos, e cursinhos mais desensinam que ensinam; 2) eles não se tocaram ainda que as provas do primeiro ano na faculdade serão bem mais difíceis que o vestibular, e as do segundo ano que as do primeiro, e as do mestrado que as da graduação, e a tese de doutorado será impossivelmente mais difícil do que qualquer tipo de prova.

Passar no vestibular da Fuvest não é nenhum grande feito. Afinal, eu passei no da UFPR com dezessete anos, e naquele eram vinte e três candidatos por vaga; neste, seis. Das três coisas que estou tentando ao mesmo tempo — me formar, entrar na USP, entrar no Google — o vestibular é de longe a mais fácil. Minha pontuação ficou bem perto do que eu estimava (61/90: fui pior do esperava em matemática e melhor em biologia, então equilibrou). Tudo bem que não estudei direito e que três matérias inteiras eu vi só na última semana e que coisas como química orgânica eu vi só na véspera, mas mesmo assim ser aprovado pra Letras não é nada impressionante.

Então por que estou feliz como um moleque bobo?

Por que eu não fiquei feliz assim quando passei em Ciência da Computação?

Aliás, já que tocamos no assunto, por que é que, depois de cinco anos estudando matemática pesada de nível superior, eu fui tão mal em matemática quanto tinha ido no outro vestibular? Por que minha nota em português manteve-se acima de 90%, se em todo esse tempo eu sequer encostei num livro de português de segundo grau?

Pra dar uma idéia de como vão as coisas: em minha vida de estudante, várias vezes eu vi fungos brotarem da louça suja. Já cheguei até a ver cogumelos. Mas esta foi a primeira vez em que surgiram lesmas.

O interessante é que, embora espalhadas por toda a pia, as bichinhas geraram-se espontaneamente na esponja. Aparentemente o material úmido e poroso serviu muito bem como berço para jovens lesmas. Claro que eu a joguei fora, mas aí fiquei com um problema: com o que lavar o resto da louça?

As pessoas que me conhecem estão perguntando o que aconteceu comigo. Seguinte. Sabe aquele seu amigo que está quase terminando a faculdade, e precisa fazer o trabalho de graduação e O(10) provas em cima da hora? Sabe aquele seu amigo que vai prestar vestibular e a duas semanas da prova ainda está zerado em matérias inteiras? E sabe aquele seu outro amigo que está tentando entrar em uma empresa multinacional famosa pelo processo seletivo insanamente exigente? Pois é. Imagine alguém fazendo as três coisas ao mesmo tempo, com os deadlines todos pra agora. Soy yo.

(O quê, você não tem nenhum amigo tentando entrar em uma empresa multinacional famosa pelo processo seletivo insanamente exigente? Agora tem.)

(more…)

Microsoft fechou acordo com a Novell. É o começo da colaboração entre MS e software livre, graças ao altruísmo e pragmatismo dos Zusas? Vão sonhando. É o começo do DoS de “propriedade intelectual” Microsoft, à la SCO, e a Novell escolheu pagar o pedágio do troll na ponte.

Sim, crianças, a Microsoft está afirmando ter “propriedade intelectual” no Linux, e a Novell pagou pra tirar o dela da reta. Não estou especulando. Vão lá ler o que o Ballmer disse.

Quando a MS furtivamente doou dinheiro para a causa da SCO, os que notaram o fato foram taxados de paranóicos. Só que não é paranóia quando eles realmente estão atrás de você.

* * *

Enfim o Java será aberto. Isso significa que a Sun abriu os olhos e viu a Luz do Software Livre? Nah, só quer dizer que a vaca da Sun parou de dar leite. Java será lentamente abandonada. Felizmente. Um item a menos na lista de coisas que já morreram e não sabem.

Conseqüências práticas? Nenhuma. Usuários de Debian vão poder visitar páginas com applets sem ter que acrescentar repositórios no sources.list, talvez. No mais, Java vai continuar com sua queda inexorável ao mesmo nível do inferno onde habitam PL/I, Cobol, Clipper e VB. Felizmente.

Esta propaganda do Wii que o pessoal do ukresistance encontrou em uma revista feminina é o resumo mais perfeito que eu vi da direção que a Nintendo está tomando. Especialmente recomendada para o povo “OMG o nome sucks! Deveria se chamar X-Revolution 720e!”

Sonhado com febre.

Minha tia morreu e deixou como herança duas espadas, uma delas para mim. Minha espada onírica não parecia muito com uma. Era um objeto mais ou menos esférico, irregular, de material vítreo, com incrustrações pontudas na forma de barbatanas. As incrustrações eram de metal ou cristal azul e uma delas era bem pontuda, servindo como punho.

Mais tarde fui para Marte, porque queria ficar sozinho, e olhando minha espada de perto notei que ela era na verdade uma mini-colônia cheia de túneis, buracos, tubos, pontes, e habitada por minúsculas e frenéticas aranhas. Decidindo libertá-las, quebrei a casca exterior. As aranhas saíram voando num fluxo contínuo e ficaram gigantes.

Um narrador diz: “e foi assim que Marte tornou-se o planeta das aranhas”.