Mon 27 Nov 2006
Vestibular é fácil. Eu sempre insisto que vestibular é fácil, porque é mesmo. Boa parte da nota você consegue sem nem estudar nada, só sabendo pensar. Não entendo por que a molecada faz tanto drama com vestibular. Acho que é por dois motivos: 1) eles estudam em cursinhos, e cursinhos mais desensinam que ensinam; 2) eles não se tocaram ainda que as provas do primeiro ano na faculdade serão bem mais difíceis que o vestibular, e as do segundo ano que as do primeiro, e as do mestrado que as da graduação, e a tese de doutorado será impossivelmente mais difícil do que qualquer tipo de prova.
Passar no vestibular da Fuvest não é nenhum grande feito. Afinal, eu passei no da UFPR com dezessete anos, e naquele eram vinte e três candidatos por vaga; neste, seis. Das três coisas que estou tentando ao mesmo tempo — me formar, entrar na USP, entrar no Google — o vestibular é de longe a mais fácil. Minha pontuação ficou bem perto do que eu estimava (61/90: fui pior do esperava em matemática e melhor em biologia, então equilibrou). Tudo bem que não estudei direito e que três matérias inteiras eu vi só na última semana e que coisas como química orgânica eu vi só na véspera, mas mesmo assim ser aprovado pra Letras não é nada impressionante.
Então por que estou feliz como um moleque bobo?
Por que eu não fiquei feliz assim quando passei em Ciência da Computação?
Aliás, já que tocamos no assunto, por que é que, depois de cinco anos estudando matemática pesada de nível superior, eu fui tão mal em matemática quanto tinha ido no outro vestibular? Por que minha nota em português manteve-se acima de 90%, se em todo esse tempo eu sequer encostei num livro de português de segundo grau?
November 27th, 2006 at 09:09:51
Ei, agora caiu a ficha: você tá prestando letras na usp… então você é rival da minha irmã! :-)
[pena que, pra ela, não foi tão fácil assim… deu “branco total” em física e matemática, talvez ela tenha um bloqueio por não ser “matematiqueira” como eu e meu irmão]
November 27th, 2006 at 09:42:04
Vou dar meu pitaco
99% dos xóvens que prestam vestibular só querem saber de praia, futebol, catar as gatas, etc e não conseguem se concentrar no mínimo que o vestibular pede. Haja vista a qualtidade de gente que zera em Maths
Realmente tem cursinhos e cursinhos. E, bem, concordo quando dizem que 90% do que se aprende é inútil, além de ser simplificado retardadamente para o vestibular, etc…
Ah sim, eu passei na UFPR com 16 anos
November 27th, 2006 at 09:47:11
Já que é pra se exibir, eu fui expulso da unB (Universidade de Brasília, federal) por ter estudado 2 dos 5 semestres em que estive matriculado em Computação (licenciatura). Odeio cálculo e acho que mais da metade do que se ensina por lá é inútil.
November 27th, 2006 at 09:48:05
E eu entrei na UnB com 17 anos. Devia ter gastado meu tempo andando de skate ao invés de estudar.
November 27th, 2006 at 11:23:24
eu, ao contrário, não detesto cálculo nem nenhuma matéria de matemática. o que eu detesto profundamente é administração, contabilidade, engenharia de software e outras bobeiras “empresariais”; toda vez que fui obrigado a fazer essas matérias fiquei o tempo todo pensando “eu podia estar estudando cálculo lambda e tenho que ficar aqui desenhando UML um semestre inteiro”. não queria ter gastado meses de minha vida com… com isso. mas, enfim, cada um com seus gostos.
quando, depois de muito suor e noites mal dormidas, eu consegui entender os conceitos e resolver os problemas de matemática “da boa” — discreta, teoria dos grafos em nível de mestrado, a matéria que estou fazendo agora sobre algoritmos probabilísticos — a sensação foi maravilhosa. foi com certeza o de mais interessante que me aconteceu na universidade. ciência da computação é matemática. o resto é engenharia, e engenharia não é ciência da computação.
matemática é uma coisa linda, pena que seja tão pouco acessível para o leigo. a beleza que eu encontrei enterrada num Art of Computer Programming eu não espero encontrar de novo em lugar nenhum.
então não é que eu odeie ciência da computação. eu gosto. trabalharia com isso numa boa (desde que na academia, ou num lugar livre como o google). a questão é que eu gosto mais ainda de lingüística, e literatura, e cultura japonesa, e os caras têm um curso com as três coisas. é vitória por nocaute.
November 27th, 2006 at 12:30:28
você só passou na primeira fase porque comprei pães mágicos pra te alimentar, e fim.
November 27th, 2006 at 12:56:16
no teste tem vários tipos de provas diferentes, pra evitar cola. eu só passei porque peguei a prova tipo k!
e a propósito, eu não passei só na primeira fase, eu passei na USP =) a segunda fase só tem matérias nas quais eu sou forte (minhas três melhores matérias, na verdade), e ainda por cima vou ter o luxo de um mês inteirinho para estudar só pro vestibular, sem as matérias da faculdade ou as entrevistas do google. eu até achei o livro de português ontem! como diria o L, kanarazu kachimasu *contando vantagem antes da hora*
November 27th, 2006 at 14:17:44
Estranho… meu ano de cursinho foi um dos que mais aprendi na minha vida, e achei as provas do primeiro ano da faculdade ridiculamente fáceis, comparadas com o vestibular. Talvez porque CC seja realmente a minha área… =)
November 27th, 2006 at 17:47:17
Nunca vi um cursinho que ensinasse. Todos os cursinhos que vi — no interior do Paraná, na capital, em Manaus — tratam o processo de aprender como acumular fatos; como se o conhecimento humano pudesse ser codificado em respostas de palavras cruzadas. Se existe algum cursinho que ensina eu peço desculpas, mas é algo raro o bastante pra permitir minha generalização. O pior é que no cursinho o professor transforma-se num simples facilitador do processo de acumular fatos, e aí dá-lhe macetinho, riminha, musiquinha.
Imagine o Stephen Hawking usando macetinho pra lembrar uma fórmula de física. Imagine o Saramago decorando lista de autores simbolistas. Imagine Matisse fazendo riminha pra saber a ordem das cores do espectro. Simplesmente não é assim que funciona.
O que é aprender? É o que transforma uma pessoa num Hawking, num Saramago, num Norvig, num Da Vinci; e eu garanto que vocês não vão ver nenhum Da Vinci saindo de cursinho tão cedo.
* * *
Uma universidade, assim como uma escola, é uma instituição que serve pra você aprender. Aprender de verdade, não acumular fatos. A manha é que todas as universidades autênticas fazem vestibulares nos quais você não passa só decorando respostas. O cidadão com aprendizado escolar deficiente passa um ano forçando coisas pra dentro da cabeça no cursinho, chega pra fazer a prova e quebra a cara, porque as perguntas todas exigem raciocínio, introspecção, interpretação, conhecimento. Aí ele sai dizendo nossa, como o vestibular da UFPR é difícil, mesmo com tudo que aprendi no cursinho não consegui passar.
Minha evidência anedotal é: meus amigos inteligentes que estudaram por cursinho acharam o vestibular difícil; alguns que considero mais inteligentes que eu desistiram. Meus amigos inteligentes que estudaram em casa acharam fácil. Estou convencido que não é simples correlação.
* * *
Cursinho ensina que é importante saber que
sen(a+b) = sen(a)cos(b) + sen(b)cos(a). Cursinho não ensina a pensar em como ou por quesen(a)cos(b) + sen(b)cos(a)e como derivar a fórmula do nada e como provar que ela vale pra quaisqueraoubou de quantas maneiras você pode definir seno ou coseno e por que eles têm esses nomes. Ou seja, cursinho não ensina nada que um estudante deveria saber, ensina o que ele não tem que saber, e ainda por cima inverte as prioridades. Cursinho desensina.Considere o ensino de biologia em um cursinho. A maior parte do esforço vai para decorar terminologia em grego. Eu convivi com biólogos e eles davam risada do que se ensina em cursinho.
Cursinho não ensina matemática, ensina a fazer conta. Cursinho não ensina biologia, ensina grego. Cursinho não ensina português, ensina gramática. Cursinho não ensina história, ensina lembrar nomes, e assim por diante.
Os brasileiros não estão aprendendo português, matemática, biologia. E não é nos cursinhos que eles deveriam aprender, até porque é impossível ensinar essas coisas em um ano. Eles deveriam aprender na escola. Sim, as escolas estão muito ruins, mas isso não significa que a gente possa chamar de “aprender” o que se faz nos cursinhos. Precisamos arrumar as escolas, não encontrar maneiras criativas de fazer os estudantes passarem em testes, ou seja, a trapacear métricas.
* * *
Uma quantidade razoável de alunos de meu curso passou no vestibular por cursinho. Em geral eles chegam com a visão distorcida de aprendizado que o cursinho tem e acham que ela também se aplica à universidade. Aí, quando enroscam na primeira matéria difícil, passam o resto do curso chorando que o professor é “ruim”. Na cabeça deles um professor é um facilitador. Um bom professor universitário é precisamente o contrário, claro, é um dificultador (pense num personal trainer), e portanto todo ano tem aluno querendo processar professor, cassar professor, pegar professor lá fora. Invariavelmente os professores demonizados são os melhores do departamento, são os caras que poderiam facilmente estar em Toulose mas ficam aí dando o sangue pra sustentar o curso.
Acredito que a raiz do problema está no jeito que os calouros enxergam a própria universidade. Eles acham que uma universidade é um lugar que te ensina as habilidades que o mercado quer, de forma que você possa conseguir um bom emprego. Isso não é uma universidade, é um curso profissionalizante. Você não ia na Academia de Platão ou no Liceu de Aristóteles ou em Sorbonne ou em Oxford pra passar em concurso público e trabalhar em banco, você ia pra virar Xenócrates ou Sócrates ou Tomás de Aquino ou Oscar Wilde.
Os alunos chegam num curso de ciência da computação esperando aprender tudo sobre, sei lá, Java ou o que quer que seja a moda atual no mercado. A reação é previsível: matemática discreta? Mas isso é inútil!
Essa demanda por cursos profissionalizantes foi o que sustentou a explosão de Unitabajaras com professores estilo cursinho. Eu não acho ruim, pelo contrário: os caras que querem emprego vão pra lá e ciência da computação fica pra quem quer ciência da computação. O problema é a confusão entre as duas coisas. Infelizmente os calouros pensam que uma universidade de prestígio é algo como um curso profissionalizante muito bom, uma über-Unitabajara.
* * *
Cursinho, Unitabajara, mercado. Antes disso era escola técnica, mercado. E antes ainda era sistema de aprendizes, mercado. Ahá! Não tem a ver com Liceu e Sorbonne, tem a ver com artesãos e aprendizes. A origem é outra, o método é outro (técnica), o objetivo é outro (mercado), os objetos de estudo são outros. Então por que damos o mesmo nome pras duas coisas? Por que fazemos de conta que cursinho substitui escola, enquanto as escolas caem aos pedaços e lugar nenhum ensina o que deveria ser ensinado nelas? Por que tratamos a Unitabajara como uma “universidade ruim”, quando na verdade ela é um animal completamente diferente de uma universidade?
November 27th, 2006 at 18:05:31
Vestibular mais difícil que universidade? Ah, mas não é mesmo. Eu posso falar porque estou fazendo as duas coisas ao mesmo tempo, e digo que um exercício de Algoritmos Probabilísticos me tomou mais tempo do que a matéria inteira do vestibular da Fuvest. Não estou exagerando. Em média, cada um dois oito exercícios que o professor selecionou me fez ficar debruçado sobre este livro mais tempo do que fiquei debruçado sobre meus livros de segundo grau.
E não que essa matéria seja especialmente difícil, também: ela é difícil, mas todas as matérias que valem a pena exigiram esforços ordens de magnitude maiores do que o necessário pro vestiba. Sabe quando meu eu de dezessete anos conseguiria (mesmo com livro e professor) desenhar seu próprio microprocessador, da ALU e multiplicador ao pipeline e microcódigo? Ou escrever um compilador de Pascal? Ou desenhar e programar a camada de enlace de uma rede, incluindo CRC, e mais uma aplicação de FTP em cima? Diabos, meu eu de dezessete anos não conseguiria sequer ler um Knuth, um Hennessy & Patterson, quanto mais resolver provas baseadas neles.
(Tá, eu confesso que não sou um gênio em matemática — não como alguns amigos meus, que resolveriam Probabilísticos com um esforço bem menor. Mas esses caras passaram no vestibular em posições excelentes sem nem estudar direito, e posso dizer com segurança que não acharam o vestibular mais difícil que a universidade.)
Não preciso ficar aqui especulando, também: podemos quantificar o grau em que a universidade é mais difícil. A taxa de aprovação em matérias como Discreta e Grafos todo ano oscila em torno de 20%, 30%. Isso quer dizer que 70% das pessoas boas o bastante pra passar no vestibular não são boas o bastante pra passar em Discreta. Não lembro a taxa de formandos e não consegui encontrar agora, mas se não me engano era semelhante.
E até aí estamos falando só de graduação! Graduação é o jardim de infância da vida acadêmica. Na graduação você ainda não viu nenhum horizonte novo, você só está trepando nas costas dos gigantes.
November 29th, 2006 at 21:55:42
Somente comentários de um Cientista da Computação em formação (quase final também):
Para Ciências da Computação a matemática é um meio, não o fim.
Muita gente pode falar que o curso é fácil ou inútil, mas nenhum dos que fala isso concluiram o curso.
Quem terminou o curso, pode falar mesmo, muita coisa lá é inútil.
Ciência da Computação, com certeza, não é um curso voltado para o mercado nacional. Internacional ? Ai a história é outra.
Todo mundo que faz Ciência da Computação devia ter um pouco de humildade, não é porque sabe um pouco de matemática que deve ficar se achando o rei do balacobaco. Saber aplicar fórmula, ou o porque do nome de seno ou coseno, não habilita ninguem a fazer julgamentos.
Professores são ruins, mas ruins mesmo. Graduação não é orientação. Orientação é pra mestrado, etc. 99% deles não tem a mínima noção do que é lecionar, é fácil observar que todos eles tem alguma metodologia diferente de avaliação, ensino, etc. Uma bagunça.
Prof. que poderia estar em Toulose e não está, é um idiota. Não existe Prof. que dê aula por caridade, eles estão lá por dinheiro e fama (nao exatamente nessa ordem). Os departamentos de computação são um antro de inveja, briga de poder e mesquinharia. Mas isso não impede que de vez em quando algo bom saia de lá…
Eu comecei odiando Eng. de Software, etc, toda essa burocria cia do software. Mas, infelizmente, na vida é preciso ter jogo de cintura e saber jogar pela regras do jogo. Se é assim que o mercado funciona, nada melhor do que ganhar dele com suas próprias regras. Eu usaria EngSw num projeto próprio ? Nem em mil anos. Se alguem perguntar se presta ? Claro! É a n-ésima maravilha do mundo!
November 29th, 2006 at 22:08:33
Continuando,
Graduação que é o campo de batalha, mestrado e doutorado é puxar saco de orientador. Parece que ninguém aprende, o conteúdo dos trabalhos não importam, o eles querem saber é se você seguiu os modelos estabelecidos. O conteúdo ser inovador e interessante é um plus..
Vestibular é mais difícil porque ele aborda vários campos de conhecimento, o mesmo não ocorre numa faculdade (mais restrito). Não é porque você consegue compensar as perdas de uma matéria em outra que ele deixa de ser mais fácil ou difícil. Aliás, comparar vestibular e faculdade é que nem comparar água com ar, essenciais mas intrinsecamente diferentes.
O problema principal das reprovações é que os Prof. que dão matérias de matemática normalmente não são do departamento de Computação. Um Prof. mesmo falou uma vez: Eu não sei pra que vocês vão usar isso, mas o diretor do curso falou pra eu ensinar!
Se formar em ciência da computação também não quer dizer que a pessoa sabe alguma coisa de computação.. que o diga alguns colegas de sala meus, de tanto reprovar eles acabam passando nas matérias (por ano devem formar uns 10 a 20 no máximo).
Resumindo, um curso superior não é nada. O importante é o que você faz com ele.
November 30th, 2006 at 07:55:49
Vou colaborar com a incompreensão mútua e ignorar os argumentos que ignoraram meus argumentos. Mas vou morder:
Se você não sabe do que se trata metade disso você não sabe ciência da computação. Você pode saber sobre computadores, pode ser um programador maravilhoso e produtivo, mas continua não sendo um cientista da computação. É questão de dar nomes aos bois. Como diria o prof. Dijkstra, “ciência da computação não é sobre computadores mais do que astronomia é sobre telescópios”.
Curso de ciência da computação serve pra avançar a ciência da computação. Quem tem que criar coisas úteis e funcionais é engenheiro. Não estou menosprezando engenheiros, veja bem, o papel deles é importante e tão difícil quanto (de certa forma até mais). Mas cientistas não são engenheiros, e é estúpido querer empurrar responsabilidades de engenheiros pra eles.
Professor não dá aula por caridade. Professor também não dá aula por fama nem por dinheiro — não professor bom em universidade pública no Brasil, e quem acha que isso não existe nunca bateu um papo com um. Professor dá aula porque gosta do assunto e quer que ele seja divulgado. Simples assim. Eu pretendo dar aula pelo mesmo motivo.
Convidei um professor meu a ingressar no Google. Além de PhD ele é fodão pra caramba em redes e Unix e tenho certeza que passaria. A quantidade de fama e fortuna que ele ganharia sem dúvida seria muito maior do que a atual. Ele recusou sem pensar duas vezes. Não é um caso isolado; já cansei de ver recusadas propostas da IBM, da Microsoft, de universidades estrangeiras. O professor é idiota? É um mártir? Nem uma coisa nem outra, ele apenas prefere ficar por aqui estudando e divulgando as coisas dele.
Você diz que vestibular é mais difícil que faculdade, depois diz que não dá pra comparar os dois. Ou uma coisa ou outra.
Dá, sim, pra comparar os dois de várias maneiras, e foi o que eu fiz lá em cima; por exemplo, pela quantidade de esforço que você precisa pra passar em um ou em outro (muito maior na universidade). O fato de que é possível compensar matérias não muda nada; ninguém faz vestibular com intenção de saber *todas* as matérias, o objetivo é passar. E mais, se você usar o critério “tirar 100% em todas as matérias do vestibular”, você tem que comparar isso com “se formar com índice de rendimento acadêmico em 100%”. Qual é mais difícil?
Por fim, como eu apontei, a porcentagem de gente que consegue sair da universidade é simplesmente menor do que a consegue entrar.
November 30th, 2006 at 22:43:28
O propósito da academia nos dias atuais é passar o conhecimento, ensinar. Poucas “academias” fazem pesquisa. s/”academias”/universidades/
O setor privado hoje é muito mais forte em pesquisa de computação do que as academias. Vide a história de qualquer grande área da cienência da computação. Por exemplo, o maior financiador de pesquisa nos EUA é o DoD (advinha porquê..).
Todo conhecimento “interessante”. Interessante.
Emitir uma opnião de direito em uma conversa não é fazer julgamento.
Eu não sei mesmo nem 1/5 do que é aquilo, ainda sim estou me formando como melhor da turma. Porque eu não lembro mais ? Nunca mais usei. Pergunte sinceramente pra algum Prof. seu com doutorado em, digamos, segurança de redes se ele se lembra dos conceitos de lamba cálculo, ou para ele listar as estratégias gulosas, o princípio do algoritmo de backtracking, ou a utilidade de limite inferior e superior para análise de algoritmos, etc. Essa folinha é ridícula, ciência da computação é muito mais que isso.
Ele recusar a oferta e você inferir que é porque ele gosta ou diz que gosta.., isso não computa. Você tem que separar o papel das falas de Prof. dele com a realidade. Emprego no Google é fichinha perto do que alguns Prof. no brasil ganham com consultoria, alguns deles são donos de empresas, etc, mas continuam nas aulas por contatos, fama, dinheiro.
Você não precisa ? Tá fazendo o que trabalhando ? O Google está nessa por dinheiro também, se ele as ações não derem retorno pros acionistas seu emprego já era. Na vida tudo é jogo de cintura, quem nada contra a maré o tempo todo ou é burro ou louco.
Depois que passou o Doutorado eles vão é ficar mamando nas tetas do Cnpq, boa parte deles. Assista umas defesas de doutorado/mestrado e tire suas conclusões.
Não são matérias difíceis, só quem se ilude acredita nisso. O que tem de difícil de seguir algoritmos de resolução ? Quando você aprende a aplicar uma fórmula, você aprende realmente isso, aplicar uma fórmula e nada mais. O difícil é criar essas fórmulas e é exatamente esse tipo de pensamento que os Prof. não sabem e nem estão interessados em ensinar.
Eu escrevi primeiro tentando contestar sua opnião e cheguei a conclusão que nem vale a pena comparar. Eu vou pensando enquanto escrevo. Porcentagens, apenas 2% das pessoas que entram no jardim de infância se formas em uma faculdade, isso pra min tem outro significado.
December 1st, 2006 at 07:28:51
Também. Mas não conhecimento “útil”. Não só conhecimento que serve para o mercado. Não ser curso profissionalizante
A diferença entre ciência da computação e engenharia da computação é a mesma que entre química e engenharia química.
Hm.. Conceito moderno de sistema operacional? Unix? Academia. Cálculo lambda? Academia. Máquinas de Turing? Academia. Os resultados importantes de Discreta, Grafos? Academia. Análise de algoritmos (P/NP, etc?) Academia. Microkernel, exokernel, máquinas virtuais? Academia.
(Não que o setor privado não tenha contribuído com ciência da computação também — Xerox Parc inventou a GUI, por exemplo — mas daí a dizer que os campos importantes de ciência da computação vieram de empresas é demais. Os campos de informática eu até concordo.)
WTF?
Não. Mas ele se lembra muito bem de análise numérica e teoria criptográfica, e eu garanto que ele lembra muuuito bem a diferença entre O(N) e omicron(N) e theta(N). Mais que isso, mesmo sem usar ele sabe o que é cálculo lambda; se eu mostrar um resultado de cálculo lambda ele sabe do que se trata, e se por acaso precisar de cálculo lambda em um fim de semana ele se atualiza com a informação. Isso é ser um cientista.
(O que é muito diferente de ser um analista de redes, que é o cara que, na prática, deixa uma rede segura. O trabalho de um cientista nessa área é inventar novos conceitos de segurança.)
Quem disse que estou trabalhando? Eu estou estudando, pesquisando e ganhando por isso, como meus professores.
A minha vida não é “jogo de cintura” na mão de ninguém. Eu faço o que quero. Divirta-se com a sua.
E, honestamente, se você acha que professor dá aula em universidade pública por fama e dinheiro, você não conhece a realidade deles. É possível ganhar muito mais por muito menos esforço simplesmente migrando pra uma Unitabajara qualquer. Professor dono de empresa? Tem professor meu que não tem nem casa.
Mas hein?
Não sei do que você está falando. Nunca fiz uma matéria que fosse sobre “aplicar fórmulas”. Matemática de nível superior consiste justamente em derivar fórmulas novas e provar fórmulas, não em fazer contas. E é com isso que meus professores ganham a vida, é isso que eles ensinam, é isso que eu fiz na faculdade (estou fazendo exatamente agora), e é disso que se trata ciência da computação (uma ciência exata — não tecnológica — subramo da matemática).
Tem mesmo, porque uma quantidade muito pequena de pessoas que entram no jardim de infância tenta se formar na universidade. Mas a esmagadora maioria dos que passam no vestibular tenta se formar na universidade.
December 1st, 2006 at 08:38:33
Anonymous Coward, em qual universidade você estuda? Estou curioso, e acho que mais gente deve estar (alguns para evitá-la, outros para correr para lá, imagino).
December 1st, 2006 at 21:40:37
“Também. Mas não conhecimento “útil”. Não só conhecimento que serve para o mercado. Não ser curso profissionalizante”
Claro, eu jamais afirmei que tinha que ser curso profissionalizante e nem que tinha que somente passar informações “úteis”.
O que eu falei é que os se você aprende alguma coisa que não vai aplicar no futuro próximo, é bobeira, o cérebro humano não é uma esponja, é preciso praticar o que se aprende.
“A diferença entre ciência da computação e engenharia da computação é a mesma que entre química e engenharia química.”
Não sei o que se ensina em eng. química. Então, sem comentários. Quanto a diferença entre CC e EG, no brasil, são algumas poucas matérias, o que muda mais é o enfoque.
“Hm.. Conceito moderno de sistema operacional? Unix? Academia. Cálculo lambda? Academia. Máquinas de Turing? Academia. Os resultados importantes de Discreta, Grafos? Academia. Análise de algoritmos (P/NP, etc?) Academia. Microkernel, exokernel, máquinas virtuais? Academia.”
Correção, unix nasceu no Bell Labs, e na verdade quase todos que você citou são uma mistura de iniciativa da academia e continuação no setor privado.
“WTF?”
Cheque no dicionário a diferença entre opnião e julgamento.
“A minha vida não é “jogo de cintura” na mão de ninguém. Eu faço o que quero. Divirta-se com a sua.”
Já dizia o Darwin, quem não se adapta ao meio se fode. Ou fazendo analogia a IA “survival of the fitest”.
“Quem disse que estou trabalhando? Eu estou estudando, pesquisando e ganhando por isso, como meus professores.”
Você deu a entender que está trabalhando ou em processo de trabalhar pro Google:
“Convidei um professor meu a ingressar no Google.”
Trabalhando em pesquisa ? Cnpq ? A bolsa ainda está abaixo do valor do salário mínimo ? Eu fiz 2 anos de iniciação científica (bolsa cnpq, entrei cursando o segundo semestre), publiquei artigo (co-autor) em congressos nacionais e internacionais, acho que tenho um pouco de experiência para poder falar. Conta nos dedos as pessoas no brasil que sobrevivem sobrevivem de pesquisa.
Eu estudo numa faculdade pública e posso confirmar que 99% dos professores que eu tive se concetram em dois grupos: loucos ou imbecis, mas todo muito inteligentes, mas somente na área deles. O mundo é muito maior que isso.
“Não sei do que você está falando. Nunca fiz uma matéria que fosse sobre “aplicar fórmulas”.”
Em cálculo numérico você nunca aplicou uma fórmula ? Nunca teve que aplicar algum algoritmo em alguma prova ? Saber provar uma coisa, explicar porque que serve provar é outros quinhentos. Eu escuto muito blah blah blah de alunos assim, que entram no curso e começam se achando o máximo, se achando “cientistas”. Na hora de ele criar alguma coisa do zero, escrever um artigo original, ter idéias próprias.. ai eles somem.
E ai, que artigos você já publicou ?, ou produziu alguma coisa interessante ?
December 1st, 2006 at 21:46:06
Eduardo Habkost,
Na sua eu provavelmente não estudaria, já que ela aprova quem pergunta pra alguem que propositalmente não usou o próprio nome para revelar onde estuda.
“Two things are infinite: the universe and human stupidity; and I’m not sure about the universe.”
December 2nd, 2006 at 10:26:58
Peraí, eu li isso mesmo? O troll acabou de responder a uma pergunta educada do boto chamando ele de estúpido? O boto?
Tenho que admitir que o cara pelo menos é confiante.
December 2nd, 2006 at 16:33:32
Agora, o pior é o troll achar que alguém pode descobrir quem ele é, se souber onde ele estuda.
Bom, agora sabemos a qualidade do ensino que ele teve :-)
December 3rd, 2006 at 17:53:05
Bem,eu não passei no vestibular.
E meu mundo caiu por causa disso,esse é o motivo de eu estar lendo toda essa página imensa de idéias de alguém que ama a matéria que eu mais odeio.
Talvez vc tenha razão,ao dizer que o vestibular não é grande coisa na sua vida.Mas infelizmente foi simplesmente TUDO na minha.
Eu deixei namorado,deixei vida social,deixei amigos que não compartilhavam do meu sonho.Valeu muito a pena,deu uma crivada boa na minha vida;mas fazê-la girar em torno disso foi o principal motivo da minha destruição.
Tive depressão,stress crônico e início de síndrome do pânico.Pra família e pra sociedade foi um choque;uma moça linda,com uma vida perfeita,com todos os desejos atendidos,aparentemente sem problema nenhum,de um jeito que ninguém conseguia entender,ficou mal de uma hora pra outra.
Eu compartilho do seu ponto de vista qnd fala que nos cursinhos a gente nao aprende,decora;mas vc não pode colocar o vestibular como uma coisa banal,porque pode até ser assim pra vc hoje,mas um dia eu tenho certeza de que vc olhou pro seu futuro e pensou o que seria da sua vida se não passasse no maldito vestibular.
Um beijo pra vc,fica com Deus e boa sorte.
January 31st, 2007 at 22:16:38
fala garoto?????????