Mangá e Animê


Semelhanças entre eu e L, de Death Note

  • Cabelo desgrenhado.
  • Jeitão desengonçado, anguloso.
  • Dedicação obsessiva ao resolver problemas de raciocínio lógico, a ponto de parar de dormir e de viver enquanto não chegar a uma solução.
  • Consumo exagerado de doces durante esses períodos, a fim de repor as calorias gastas pelo cérebro.
  • Magreza, apesar da gula descontrolada.
  • Olheiras.
  • Roupas confortáveis, estilo pijamão.
  • Vício em café e chá.
  • Nome começando com L =)

Diferenças entre eu e o L, de Death Note

  • O L tem cabelos pretos.
  • Gosto de meus doces amargos; o L gosta deles muito, muito doces.
  • Durante os períodos de dedicação intensa, eu fico barbudo.
  • O L só se sente confortável quando sentado abraçando as duas pernas; eu, uma perna só (minha postura natural é a mesma do Near).
  • O L não tem raiva da Misa.

Manias do L que eu não tinha mas acabei pegando depois de ler Death Note

  • Deixar o dedão ou caneta sobre o lábio inferior ao pensar.

Esta é a parte que não fala de Naruto.

Estou ficando velho e descobrindo que gosto menos e menos de anime, em comparação com mangá. Certos mangás são completamente descaracterizados na versão anime (como Shaman King), outros simplesmente ficam melhor impressos ou em live action (Death Note).

Mas às vezes me dá vontade de ver um anime Shonen Jump. Um anime Jump tem muito movimento, músicas agitadas e uma cor de cabelo para cada personagem principal. O protagonista tem um dom, poder secreto, gene demoníaco, alta contagem de midi-chlorians etc. que faz com que ele evolua muito rápido. Ele é meio bobo, mas extremamente dedicado. Com a ajuda dos amigos, o protagonista vence vilões poderosos e alcança seu sonho de ser o campeão/rei/líder/número 1. E tem torneios. Sempre tem torneios.

O lema da Jump é: “perseverança, amizade, vitória”. Por impossível que pareça o sonho do protagonista, ele vai alcançá-lo se perseverar estoicamente e confiar nos amigos. Esta é a moral de todas as histórias da Jump, ao invés da caridade altruísta que associamos às histórias infantis no Ocidente.

Volta e meia eu enjôo de assistir o mesmo roteiro de novo e de novo, e decido não ver mais animes Jump. Nunca dura muito. Acho que está na hora de admitir que eu gosto da coisa.

* * *

Esta é a parte que fala de Naruto.

Assisti uns cem episódios de Naruto, um atrás do outro. Não é ruim. É bastante bom, na verdade. O único problema é que está cheio de lixo. Desde Dragon Ball Z não vejo um anime com tanto filler irritante. Mas existe uma solução: YouTube.

Assita Naruto no YouTube, com a lista de arcos e a lista de episódios à mão. Pule todos os flashbacks (por vezes isso significa pular episódios inteiros *cof*Sasuke*cof*). Pule todos os episódios de filler. Pule todos os arcos de filler. Pare de assitir no episódio 135, quando o anime alcança o mangá, e fuja dos episódios seguintes. Espere pela continuação da história em 2007. O que sobra é um anime rápido com ação viciante e muitos, muitos ninjas. É ninja pra todo lado. Ninjas amarelos, pretos, verdes, azuis. Ninjas que parecem ocidentais, ninjas que parecem lendas folclóricas, ninjas que parecem cavaleiros do zodíaco, um ninja que parece uma versão fofinha do Bruce Lee e até mesmo (raramente) ninjas que parecem ninjas. O que mais posso pedir?

Achei especialmente divertido ler os comentários do povo a cada episódio. Anime fica muito melhor quando você compartilha audiência com gente que se emociona com os personagens. Ler os comentários foi quase como participar de um encontro de anime.

Estou adorando Mahou Sensei Negima. Estou adorando o Goddamn Batman.

Certas pessoas precisam ser golpeadas várias vezes na cabeça com a palavra “pastiche”. Eu vejo de novo e de novo: alguém reclamando do Tarantino ou do Miller ou do Akamatsu porque não entendeu a piada. Gente, olha, vou contar o segredo: é exagerado assim de propósito. Quem ainda leva Sin City a sério precisa ver o texto do Miller para a Mulher-Hulk (um, dois).

Essa é especial para quem ainda está no campo “todo desenho americano é ruim/todo desenho japonês é bom”. Review do animê (horrível) das Tartarugas Ninja. É estupidamente engraçado de tão ruim. O review está chato de ler por ser quebrado em onze páginas de dois parágrafos cada, mas é bem feito. Alguém quer pizza?

O cara que teve esta idéia pode se aposentar. Sério. Ele alcançou o apíce do design e marketing. Hello Kitty sempre foi sobre adicionar fofura em todo lugar, mas ninguém nunca tinha feito com uma legítima Fender Stratocaster:

Olhem isso.

Acho que encontrei meu fazedor de avatares.

No dia 29 de julho a tripulação da nave espacial Discovery acordou com o tema de Meu Vizinho Totoro (Tonari no Totoro), um dos mais famosos desenhos de Hayao Miyazaki. Preparando-se para a sua caminhada lunar neste dia, o astronauta Soichi Noguchi, de 40 anos, tocou a gravação que fez de sua filha cantando Sanpo (Caminhada), o tema de Meu Vizinho Totoro.

(Herói)

Uma de minhas músicas favoritas, tocada em um momento bastante propício no espaço. A vida dessas pessoas deve ser plena.

Enquanto isso, milhares de quilômetros abaixo, não há um cinema em Curitiba exibindo “Howl’s Moving Castle” legendado…

O Shigure é o personagem mais tridimensional de Fruits Basket. Todos os outros são superplanos, puros personagens de animê mesmo, arquétipos psicológicos tornados desenho. Ver o romance entre Tōru e Kyo é curioso, um affair entre deuses, não entre pessoas. Hiro tem uma personalidade realista, mas seu tipo de confusão infantil é facilmente dramatizável e não muito profunda. Não que haja algo errado com isso, lógico. Adoro personagens de animê.

Shigure “água-viva” seria um personagem típico mesmo sem o seu lado secreto (de fato, ele é retratado assim no animê) . Mas sua personalidade no mangá é humana, aproximando-se da classificação Natureza/Comportamento dos jogos da linha Storyteller. Admito que virei fã do Shigure como personagem de animê mesmo (um escritor japonês boa-vida e meio pervertido que fica de quimono o tempo todo? Onde é o fã-clube?). Mas foi uma surpresa agradável vê-lo mais desenvolvido.

Um jogo não-GBA com o qual ando envolvido recentemente é o Guilty Gear, O Jogo Cujo Nome Não Faz Sentido. Com a série Street Fighter e os jogos da SNK perdidos em mais-do-mesmo infindáveis, faz tempo que eu procurava algo divertido e inovativo em jogos de luta 2D. E pensar que o GG estava ali o tempo todo; a primeira versão é de 98! Recomendo a série entusiasticamente a todos os fãs do estilo.

Os gráficos são muito bonitos e detalhados, com personagens estilo anime bastante carismáticos e criativos (às vezes até demais…). A dublagem é excelente, com atores animados e vários conjuntos diferentes de vozes para cada lutador. A jogabilidade é cheia de truquinhos e leva um tempo para pegar, mas também é fluida e divertida.

A obra toda tem a mão de Daisuke Ishiwatari, artista até então desconhecido e fã de luta 2D e rock. Além de projetista do jogo, ele fez o desenho de personagens, a história, a voz do Sol Badguy e as músicas. E que músicas! A trilha sonora de GG é inteirinha rock’n'roll e metal de alta qualidade. Há referências infindáveis a canções e bandas (particularmente ao Queen).

Tenho jogado o Guilty Gear XX#Reload no computador e Guilty Gear Isuka no arcade. O Isuka tem um atrativo a mais: lutas de até quatro personagens ao mesmo tempo, em qualquer combinação de times individuais ou duplas. Ou seja, é possível jogar em parceria com outros seres humanos — muito legal para mim, porque não gosto de disputar contra. Jogar com os chineses dos fliperamas da XV tem sido uma experiência ótima.


Which Fruits Basket Character Are You?

Fruits Basket, achei bem legal. Apesar de eu gostar mesmo é do Shigure, e de ter coisas em comum com o Kyo também, a Márcia jura que sou igualzinho o Yuki… o que não deixa de fazer sentido.

Shaman King é um mangá que comecei a comprar a contragosto. Estava francamente cansado de shōnen, especialmente o tipo com torneio de lutas sobre-humanas. Mas foi só ler a primeira edição para ser absolutamente cativado pela personalidade de Yō. Mais algumas edições e eu me apaixonaria sucessivamente pela itako Anna e pelo Haō. Anna Kyōyama em particular ficou vívida o bastante em minha imaginação para que eu sonhasse com ela. O tema de Shaman King, representar uma moral em cada personagem e colocar essas morais em contraste e conflito, acaba ficando como pano de fundo. A característica mais atraente do mangá é que os personagens todos são extremamente carismáticos.

O momento em que o gênio narrativo de Hiroyuki fica mais aparente é quando ele recupera um personagem sem graça. Bokutō no Ryū passou de um vilão saco-de-pancadas estereotípico para um autêntico filósofo das estradas na viagem a Izumo com o Manta. Mais surpreendente pra mim foi ele ter tornado Horo-Horo atraente. Como o “cara extrovertido e barulhento” do grupo, Horo-Horo parecia um personagem irremediavelmente chato (nos dois sentidos). Contudo, no arco do urso Apolo o moleque foi plausivelmente transformado num xamã ainu cool (nos dois sentidos). Até agora estou impressionado que o Hiroyuki tenha conseguido fazer isso.

Enfim, Shaman King é um dos mangás que mais tenho gostado de ler por esses dias.

Trivia: sabiam que a mascote da província de Aomori, Anna-chan, é inspirada pela Kyōyama?

Comentário aleatório.

  • Estava testando ROMs de GBA pra gravar no cartucho flash e a introdução de Sister Princess praticamente me obrigou a escolhê-lo. Doze menininhas fofinhas chamando você de onii-chan é demais. Acho que gosto até mais de moé do que de ren’ai padrão, tinha que escrever algo sobre isso. O Sister Princess também rende um artigo legal de língua japonesa… doze variações diferentes de “irmão mais velho”!

  • Estou muito frustrado com a página. Quero deixar o blog multilíngua e separar algumas seções em blogs próprios. Um pra anime, mangá, RPG e jogos. Um pra língua e cultura japonesa, cerimônia do chá e artes marciais. Um pra ensaios e poesias, e um pra diário e lixo. O Wordpress não faz multilíngua legal, só tem um plugin pra isso e não funciona como eu quero. Reimplementar todas as funcionalidades do Wordpress em software próprio seria um trabalho enorme, mas ficaria do meu jeito, e em Ruby. Mas sem um PC com net não tenho onde desenvolver coisas web decentemente. A Hostsul é evil, não encontro um provedor legal brasileiro, não consigo um cartão de crédito internacional para pagar um estrangeiro, e estou até agora sem usar o leoboiko.org que comprei . Raios. Raios duplos.

Como toda arte tradicional japonesa, a cerimônia do chá muda de acordo com as estações do ano. A decoração, os objetos, as palavras são sempre adeqüadas à estação atual.

Sinto um gostinho especial no chá de inverno. Tomar uma bebida quente em um ambiente informal é agradável no frio, claro, mas não é apenas isso. A própria natureza parece serena e meditativa.

Há classes de objetos reservadas para a estação. Hastes de bambu são cortadas para fora, por exemplo, ao invés do corte usual para dentro. Mas, sem dúvida, a diferença mais marcante é o uso da fornalha de piso (ro). Ao contrário do braseiro, na fornalha pode-se observar o carvão que aquece a chaleira.

Teruko-sensei emprestou-me um mangá educativo sobre chanoyu. O título é 茶会入門 (Chakai Nyuumon), “Introdução à Cerimônia do Chá” (1990, ISBN4-473-01151-8). A arte é bonita a seu modo. Os personagens têm um traço cartunístico, mas os objetos são desenhados com o cuidado realista que se esperaria de um título com essa proposta. O mangá todo é impresso em três cores (branco, tons de preto e tons de vermelho), o que causa um efeito interessante.

Penso em fazer uma cópia para mim (apesar de perder o vermelho) e tentar traduzí-lo com calma.